silas-malafaia-charlataoO pastor Silas Malafaia, já retratado neste blog, assim como outros líderes religiosos que vivem - e muito bem - da exploração e controle da miserabilidade humana, utiliza como principal recurso para arrecadação de fundos, uma agressiva propaganda televisiva através do seu programa “Vitória em Cristo“, exibido na rede Bandeirantes.

Além da venda de livro, DVDs e outras quinquilharias, com conteúdos que refletem as mais diversas estultices que um radicalista criacionista consegue expelir através de palavras e recursos audiovisuais, encontra-se uma espécie de “Parceria Ministerial“.

A “Parceria Ministerial” consiste em um programa, um dos mais importantes do “Vitória em Cristo”, que objetiva fazer com que o fiel sinta-se como alguém que está contribuindo para a obra de Deus na terra ser realizada pelo pastor - é bom que se diga isso, o dinheiro é para ajudar o Reino Celestial! Não seria Deus rico o suficiente para rir das economias do homem?

Dentro desse programa há várias modalidades, o importante é que não haja distinção de classes entre os evangélicos, pelo menos no ato da doação em si, embora o ritual ecumênico sempre dirá, implicitamente, que quanto mais alto o valor melhor será o acesso aos supostos serviços “milagrosos” prestados por Deus.

O “Parceiro Ministerial Especial” é o mais humilde, mas sua oferta não deve ser inferior a R$15,00; nessa modalidade o fiel ganha “desconto” na compra de produtos evangélicos mas não recebe brindes. Com um valor não inferior a R$30,00, você é um “Parceiro Ministerial Fiel” e tem direito a 10% de “desconto” e algum brinde. Finalmente, o parceiro que tem um apreço melhor por Deus, o “Parceiro Ministerial Gideão“, contribui com um valor não inferior a R$1.000 e goza, além de “descontos”, de uma porção de brindes como DVDs, livros, Bíblias, CDs de música gospel e outros materiais estupidamente confeccionados pelo Ministério do pastor Silas Malafaia.

Certamente que a fé é uma questão pessoal e individual. Ter fé em alguma entidade ou acreditar no sobrenatural não deveria interferir na vida de outras pessoas com crenças diferentes ou sem crenças. Desde que seja resguardada nos devidos cômodos idiossincráticos.

Mas o que presenciamos ao longo da história da religiosidade é a fé enquanto justificativa para ações e comportamentos humanos, designada por instituições [Igreja] e “autoridades” eclesiásticas que delimitam o “certo” do “errado”, a “verdade” da “mentira”, o “bom” do “mau” e outros inúmeros valores ascetas que deturpam a vida no aqui-e-agora em detrimento de um mundo fantasioso no futuro.

Ao contribuir com o Ministério do pastor Silas Malafaia você está contribuindo para um negócio econômico de exploração da fé legitimada através dos pedestais sacrossantos da religião.

Esse Ministério baseia a interpretação do mundo, da vida e do homem, em um livro com leis e mandamentos criados há milênios. Esses supostos ensinamentos “sagrados” criados por homens de tribos e culturas completamente diferentes do estágio atual da humanidade, apresentam conteúdos que justificam uma série de torturas, que é a favor da escravidão, promove a guerra contra aqueles que não crêem no Redentor, subjuga os animais, as crianças, as mulheres, etc.

Segundo o site do Ministério do pastor Silas, ao ser parceiro o fiel está contribuindo para “um programa de fidelidade destinado a arrecadar fundos para manter os programas de televisão via satélite e projetos evangelísticos.” - Compreende aí a pretensiosa proporção de evangelização à níveis de massa. Por que essa ânsia por alcançar as multidões? Por que cada vez mais pessoas têm que acreditar e viver de acordo com as diretrizes da sua religião - em outras palavras, ouvir o seu pastor?

Além dessa nota politicamente correta, sabemos que por trás de qualquer negócio de exploração da fé se encontra o enriquecimento particular de uma pequena parcela subsidiada pela miséria alheia. E o pior de todos os males, a perigosa e perversa idéia de cada vez mais querer converter pessoas para fazer parte dessa “legião” de fanáticos assépticos de qualquer posicionamento contrário àquilo que, terminantemente, ouvem todos os dias da boca profana sagrada de seus líderes.

Ficamos atentos aos perigos que a evangelização no Brasil, lamentavelmente, vem prenunciando ao longo das últimas décadas, onde cada vez mais as pessoas são sepultadas nos grilhões onde habitam os conformismos, as naturalizações do indivíduo, as penitências da culpa, os preconceitos e inúmeras formas de violência contra à alteridade.

Compartilhe: Esses links são para compartilhar o conteúdo em redes sociais ou por email.
  • Rec6
  • Ueba
  • Dihitt
  • OuviDizer
  • DoMelhor
  • LinkTo
  • webSapiens
  • LinkLoko
  • Linkk
  • E-mail this story to a friend!