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Rebanho e humanidade: o que há de comum entre homens e ovelhas?
24jul2008 Categoria(s): Pensamentos Autor: advÉ possível ver muito do homem refletido nas ovelhas. Certamente, não produzimos lã e de longe não somos gentis e educados com os nossos semelhantes. Mas sentimos pavor em nos desgarrar do “rebanho” humano.
Seguimos muitas vezes o outro sem questionar. Achamos que a maioria não erra, e que basta seguir os passos que estaremos longe dos perigos. A religião é uma nobre “pastora” já consolidada historicamente pela sua capacidade de conduzir grandes rebanhos. No cristianismo as ovelhinhas de Cristo nascem seguindo, em geral, os pais, juntam-se com outros grupos e formam grandes rebanhos.
Difícil é dizer quem está seguindo quem. Podemos perceber que há líderes, e temos a crença ingênua de que os líderes estão sempre com a razão. O importante é que os liderados estejam com o consentimento de que, diante da ausência de sentidos, o único que lhes restam é acreditar que estão no caminho correto.
Mas os rebanhos não estão apenas nas religiões. A humanidade é um rebanho idealizado para o homem sentir-se acalorado. Justificamos muitas vezes nossos erros pela humanidade; a humanidade é má, egoísta, perversa. - No entanto, costumamos nos desmoronar quando a maioria não está de acordo com o que desejamos.
Não suportamos a solidão que se confunde com exclusão. Estar sozinho, desgarrado da sociedade e da humanidade é para poucos, a maioria opta por se render, abandona o próprio trajeto para seguir o trajeto do rebanho. A exclusão assume aqui um sentido patológico, refere-se àquele que representa a oposição. Mesmo que este não tenha nenhuma intenção declarada de guerra à maioria, já está dado como inimigo.
A humanidade já provou ao longo da História ter se equivocado em várias situações. Mesmo assim, poucos são aqueles que desgarrados do rebanho conseguem ficar à paisana, olhando como um sátiro a dinâmica da vida dos humanos, retirando da sua singularidade o riso e a alegria, e no encontro com a singularidade do outro é capaz de presenciá-la sem requerer qualquer condição ou justificativa, mas entendendo-a como uma cena da alteridade, capaz de intensificar e ampliar ainda mais o devir.
E você, será que não anda carregando fardo que não lhes pertence?
Epílogo:
(…) ninguém poderá construir a ponte que você em particular terá de atravessar sobre o rio da vida, ninguém além de você mesmo. Evidentemente existem inúmeros caminhos e pontes e semideuses prontos para transportá-lo através do rio, mas somente ao preço do seu próprio ser. Em todo o mundo, existe um único caminho que ninguém além de você poderá tomar. Para onde leva? Não pergunte, apenas siga-o. - Friedrich Nietzsche
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