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Terapia com música: o prazer que vem da arte musical
27jul2008 Categoria(s): Músicas Autor: advA música é capaz de reproduzir em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria. – Ludwig van Beethoven
Impossível precisar quando a música surgiu, mas é certo que ela acompanha a história dos homens desde que nossos ancestrais perceberam que alguns objetos ao serem tocados emitiam sons, e dessa casualidade – e não mais apenas os sons da Natureza -, foi possível criar sons que podiam ser agradáveis ou não.
Fato é que desde que o homem passou a viver em sociedade, não houve nenhuma cultura onde a música estivesse emudecida. Nem mesmo os ascetas se renderam, o que me leva a ver pelo menos esse ponto positivo nas religiões, rendo-me a religiosidade de Bach, Vivaldi, Händel, entre tantos outros que pareciam criar o sonho celeste através da música.
Nietzsche e Schopenhauer, dois dos “espíritos” mais inquietantes da Filosofia, reconheciam na música um verdadeiro arrebatamento do Ser, só a música era capaz de fazer corpo e “mente”, unidos, dançarem em perfeita sintonia. A música era capaz de permitir uma vivência de prazer capaz de aguçar os sentidos para os impulsos daquilo que realmente constitui o animal homem, ampliando nossos significados e percepções para o prazer do devir.
Mas a música também pode representar tudo de mais terrível e corruptível do Ser. Assim se expressou Nietzsche – a meu ver duro até demais – sobre o músico alemão Richard Wagner, após o rompimento de uma amizade que pareceu nascer em belos jardins. Nietzsche rompeu com Wagner por entender que ele deixou de fazer música por prazer e passou a fazer ofertas para a popularidade, entre outros motivos, como a exaltação do nacionalismo alemão e a incorporação de elementos cristãos. Wagner passou a ser para Nietzsche um traidor da Arte representativa do existir: a arte trágica grega que afirmava a Vida.
Nesse contexto, evitando incorrer na ingênua pretensão de discutir gêneros musicais, penso que seja possível captar de qual música estou falando: a Música de entonação da Vida, e sua linguagem é universal. A música que foi capaz de abraçar Nietzsche em seus momentos de maior solidão e dor, a que fez até o pessimismo de Schopenhauer se “quebrar”: é essa a música capaz de revigorar o Ser que diz Sim à Vida antes de qualquer exigência, tornando os obstáculos em meios para a criação e desenvolvimento. – É a sinfonia da alegria da vida orquestrada à Vida.
Triste é ver que com a modernidade, como nunca antes, a música tem perdido seu caráter trágico-grego. Quase não há grandes gênios que buscam compreender sua singularidade pela arte da música e que nos presenteiam com uma linguagem capaz de tocar as profundezas do Ser – os impulsos mais fortes e prazerosos.
Pelo contrário, vejo assustado, a multiplicação de vozes e ruídos em histeria que, como hinos, entoam a negação da vida, ganhando aplausos entre a sádica alegria da embriaguez. Em conjunto esses barulhos atordoam a singularidade existencial e glorificam uma moral de moda, de estética, de comportamento, de popularidade, de pensamento e de tudo que floresce em meio à desgraça daqueles que querem aprisionar o Ser em medidas de valores.
É em meio a essa histeria musical que se reproduz em ritmo impetuoso, que lhe convido, mesmo quem nunca tenha “parado” para ouvir a “música arte”, a alimentar o seu Ser – corpo e intelecto juntos – com o banquete que Rachmaninov pode nos oferecer: Rapsódia sobre um tema de Paganini. Sugiro que mantenha um distanciamento da correria da civilização moderna, reserve esse instante e tente fazer um exercício de “auscultação” dos seus sentidos e percepções. – O que eles estão tentando lhe dizer sobre a Vida?
Isaias Malta
agosto 2nd, 2008 at 7:10
Concordo ipsis litteris com todo o texto. É bom fazer chamamentos ao tesouro que a humanidade tem, mas está esquecido.
adv
agosto 2nd, 2008 at 15:21
@Isaias Malta: olá Isaias, agradeço seu comentário, concordo que temos muitos tesouros a serem ‘desenterrados’ ;)
Andressa M. - Inutilidade Feminina
agosto 2nd, 2008 at 21:13
A música nos faz e nos reflete, sem dúvida. Sinceramente não sou adepta as músicas clássicas, já ouvi, várias, mas não consigo ter o instigamento de que queira tê-las me acompanhando por um longo caminho e confesso que são totalmente dignas de uma total apreciação a qual não consigo dominar.
Hoje, confesso considerar as músicas uma afronta. Não todas, claro, mas muitas e muitas, pois não tem ritmo, sintonia, sentido, sentimento… nada… simplesmente um nada por nada, apenas para agradar a quem gosta de coisas sem sentido ou de mulheres praticamente nuas (pq o semi-nuas passou muito longe delas) querendo alguns minutos de fama. Enfim… o Brasil…
adv
agosto 3rd, 2008 at 13:37
@Andressa M. – Inutilidade Feminina: olá Andressa, acho que o importante é que a música, independente do seu gosto musical, seja capaz de despertar um momento de prazer com sentido e significado para sua vida, não necessariamente precisam ser as clássicas. Como você disse que não gosta de clássica, experimente ouvir as óperas, em geral são ‘encenações’ de romances, como Tristão e Isolda (Richard Wagner), Carmen (Bizet), etc…
Já quanto a invasão das “bundas” e o objetivo da fama com esses coros que me parecem ser insultos à música enquanto arte, eu tb concordo contigo, são uma afronta :/
Luiz Gonzaga
agosto 4th, 2008 at 19:32
Olá! Belo post!
Neste sentido, convido-os a conhecer as músicas do GAN (Grupo Arte Nascente – http://www.gan.com.br) são músicas e teatros – e lindas misturas dos dois – que buscam valorizar a vida: seja contra as drogas, contra o aborto, contra a depressão, enfim…
Acha-se muita coisa no youtube também (como Nova luz, Tudo é amor, e outras)…
Mais uma vez obrigado