Conheça o livro de história da humanidade: Uma breve história do mundo

Uma breve história do mundo, de Geoffrey Blainey, é um best-seller internacional que faz por merecer o título. Trata-se de uma “breve viagem descontraída” pelo conhecimento histórico que se tem até o momento da história da humanidade; começando desde antes da Era Glacial chegando até os dias de hoje.

Mais do que breve, podemos dizer que são notas curtíssimas sobre os acontecimentos mais importantes sobre o surgimento das civilizações e suas produções culturais, religiosas e sociais, dentro de um panorama geral que evidencia também as relações entre os acontecimentos, como por exemplo, os embates entre cristianismo e islamismo, os confrontos entre civilizações, etc.

É um livro extremamente fácil de ler, capaz de agradar os amantes de leituras fácil e descontraídas. Cabe ressaltar que a “História” presente não é direcionada para uma formação mais sólida e consistente, sendo ainda, apenas um complemento até mesmo para aqueles que estão se preparando para o vestibular.

Após a leitura, penso que o autor cumpriu o prometido: “é como ver a paisagem pela janela de um trem em movimento”, de fato, não exige muito do leitor a não ser “ver a paisagem”.

É um livro  que considero com baixo custo, com acabamento e impressão bem “luxuosa”. Suas quase 350 páginas, devido a facilidade da leitura e a tipografia utilizada, garantem apenas alguns dias de descontração para aqueles leitores diários.

Como hábito, sempre estou lendo 1 ou 2 livros acadêmicos, que sempre reservam alguns pontos complexos onde é preciso uma maior atenção, às vezes até pedindo “socorro” em outras fontes na tentativa de compreender o pensamento do autor, de modo que, considero essencial estar acompanhado de mais um livro daqueles que considero “leitura para entretenimento”, o que foi perfeitamente atendido com o livro em questão.

Embora o autor seja mais descritivo do que crítico na forma de apresentação dos conteúdos, há momentos em que fica claro o ponto de vista crítico do historiador Geoffrey Blainey, como por exemplo, no último capítulo do livro onde o autor, a meu ver, foi de uma infelicidade grotesca ao equiparar o marxismo como uma religião:

O marxismo, durante um tempo, foi uma religião alternativa poderosa.

Ainda, ironicamente diz:

Karl Marx pregava ser o primeiro a descobrir as leis científicas da história da humanidade e que essas leis produziriam por fim um céu, muito embora esse céu ficasse na Terra. Se por um lado a ciência e o comunismo alegavam dispensar os deuses, elas praticamente entronizavam a raça humana e seu potencial, transformando-a em um deus. Essa atitude utópica, muito mais que religião (…)”.

Evidencia-se ai, que Blainey odeia Marx, Engels, comunismo e tudo que aponte a luta de classes como combate das desigualdades sociais. Parece que para o autor, ao colocar o comunismo enquanto religião, pressupõe que este “prega” uma crença (atitude utópica) e que, seu líder, Marx (pregador), apresentou-se enquanto o “Salvador” (produzir o céu na Terra). Nesse sentido, penso que Geoffrey Blainey, enquanto historiador deveria ter uma concepção um pouco mais elaborada do que foi o marxismo, assim, talvez não incorresse nessa ingenuidade.

Não sou adepto do pensamento marxista, pelo contrário, tenho minhas críticas ao materialismo histórico-crítico, no entanto, é inegável que Marx passou longe de querer ser um profeta, e muito menos incorreu na utopia de “criar o céu na Terra”, ao contrário, suas análises sempre apontaram as dificuldades que a luta de classes iria encontrar; a construção teórica de Marx foi tão importante que sacudiu e muito o mundo capitalista, de modo que, talvez, muitas conquistas e conscientização trabalhistas que temos hoje não teriam encontrado solo fértil para se vingar.

Entretanto, esta é uma opinião minha, e de forma alguma tem a intenção de tirar os méritos do autor e, de forma geral, o conteúdo do livro.