Jesus Cristo, letrado e filho de carpinteiroO título não resume esse post, ele cumpre apenas a função de acenar, com destaque, para as massas virtuais.

Vou partir do pressuposto de que Jesus Cristo existiu, embora não cabe e nem interessa discutir o fato de Jesus ter existido ou não. Em nada alteraria seu aspecto de humano para os ateus, ou de divino para os religiosos.

Supondo que Jesus Cristo nasceu aproximadamente por volta do século 6 a.C (ver Vida e Obra de Jesus Cristo – do crucifixo aos dias atuais), filho de José, um carpinteiro, e Maria, “a santa”, – já que o cristianismo nega o sexo até para criar o filho de Deus! – é possível pensar que Cristo, senão rico, gozou de condição social considerável.

Penso que Jesus Cristo foi uma pessoa admirável! Não tenho nada contra ele, mas tudo contra o cristianismo que foi apropriado pelos apóstolos, estes criaram a instituição Igreja e deturparam os ideais de Cristo em nome de valores criados aos seus interesses. Parece-me ser possível dizer que Jesus foi um dos primeiros “revolucionários” e, de certa forma, lutou pela “liberdade de expressão”, embora tais conceitos fossem desconhecidos naqueles tempos, ou seja, estou supondo à partir de uma perspectiva contemporânea.

Ainda, pelo fato de Jesus ter sido um homem que se destacava dos demais, entendo que ele afirmou a sua singularidade, em detrimento da maioria que vive sob o jugo daquilo que é bem-comum, aqueles que não se destacam enquanto sujeito único, mas sim, naquilo que é “padronizado” cultural e socialmente. Daí, concordo com Nietzsche ao afirmar que, nesse sentido, Jesus foi o único cristão que já existiu, o resto é tentativa de imitação de cristo: os cristãos.

Jesus: um homem contra um império que negava direitos aos que não honrassem os deuses romanos e não reconhecia cidadania aos estrangeiros, lutou contra tradições fortíssimas de um Império Romano ainda forte e questionou ordens que concediam privilégios para alguns enquanto a maioria da população era escrava ou vivia em condições de miséria. – Certamente que o projeto de Jesus estava na espiritualização das pessoas, no entanto, parece ser insensato desconsiderar os aspectos políticos envolvidos, mesmo que indiretamente.

Ao contrário dos cristãos que orgulhosamente apontam Jesus Cristo como alguém de extrema pobreza, devemos levar em conta um quesito fundamental para se pensar o quanto isso é julgado em nome de um valor muito cultuado no cristianismo que é a humildade. A humildade, lamentavelmente, é considerada um valor nobre não só para os religiosos, mas para as pessoas em geral: o humilde é um orgulhoso que vangloria-se da negação da vida enquanto condição para sua dignificação.

Jesus foi letrado e filho de carpinteiro: ser letrado na época era uma grande vantagem; a maioria das pessoas eram iletradas, sendo o domínio da escrita e da leitura um privilégio apenas dos cidadãos romanos com cargos na alta cúpula do governo e demais cidadãos que por alguma condição social mais alta conseguia ter acesso ao aprendizado. Ainda, também para a época, a carpintaria era uma profissão que exigia um nível de especialização, nesse sentido, José possivelmente tinha como clientes aquelas pessoas que podiam pagar um significativo valor em dinheiro.

É bem provável que Jesus dominou muito bem a leitura e a escrita, o que contribuiu para o seu sucesso em se apropriar do judaísmo e sair agregando multidões em torno de seus ideais. O fato de ter nascido em uma manjedoura, por si só, não justifica dizer que Jesus foi pobre; ou será que algum cristão esperava que em uma sociedade romana por volta de 6 a.C tinha belas construções arquitetônicas para as pessoas comuns?

Parece-me que se tirar a humildade enquanto valor cristão não resta pobreza a Jesus Cristo, pelo contrário, Jesus pertencia à elite!

Obs.: é bem possível fazer uma distinção entre pobreza e humildade, no entanto, pelo fato do valor humildade ao longo de toda história, trazer consigo aspectos de uma condição de vida material precária, sendo este significado o que tem perdurado até os dias de hoje, optei por utilizá-lo, também, nesse sentido.

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