Hoje faz 46 anos da promulgação da Lei 4.119 que oficializou a profissão de psicologia no Brasil, de forma que deixo aqui, cumprimentos a todos aqueles que de alguma forma abraçaram a psicologia como ciência.

Por outro lado, entre os leigos, ainda, infelizmente, é possível encontrar a psicologia como uma ciência que se resume em Freud, a uma ciência voltada para a cura dos loucos e aplicações de testes capazes de medir o que não comporta medida, como inteligência e outros elementos.

E como ciência recente, felizmente, dentro da psicologia ainda há muito a superar. Talvez, o que mais me atrai nessa ciência, é a possibilidade de não ter resposta para os fenômenos, mas tentativas de respostas – e não seria isso aplicável a todas as ciências? Saber que por mais que se procure jamais encontraremos a cura, mas sim, desenvolver as potencialidades e se libertar; uma ciência em que posso trilhar livremente pela sociologia, antropologia, filosofia, física e biologia. Certo é que também temos os ortodoxos, profissionais que colocaram uma lente nos olhos e aprenderam a ver o mundo somente com elas, fazendo de sua cegueira a própria visão.

Ao senso comum deixo um recado como precaução para os possíveis ‘charlatões’: psicólogos não curam, libertam.

(…) A força dos preconceitos morais penetrou profundamente no mundo mais espiritual, aparentemente mais frio e mais livre de pressupostos – de maneira inevitavelmente nociva, inibidora, ofuscante, deturpadora. Uma autêntica fisio-psicologia tem de lutar com resistências inconscientes no coração do investigador, tem ‘o coração’ contra si: já uma teoria do condicionamento mútuo dos impulsos ‘bons’ e ‘maus’ desperta, como uma mais sutil imoralidade, aversão e desgosto numa consciência ainda forte e animada – e mais ainda uma teoria na qual os impulsos bons derivem dos maus (…) Naveguemos diretamente sobre a moral e além dela (…) Jamais um mundo tão profundo de conhecimento se revelou para navegadores e aventureiros audazes: e o psicólogo (…) poderá ao menos reivindicar (…) que a psicologia seja novamente reconhecida como rainha das ciências, para cujo o serviço existem as demais ciências. Pois a psicologia é, uma vez mais, o caminho para os problemas fundamentais. – Nietzsche, Além do Bem e do Mal, §23.

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