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A inseparável alegria da Alegria com o Sofrimento
31ago2008 Categoria(s): Pensamentos Autor: advQual a alegria da alegria sem o sofrimento e a dor? - Penso que não podemos sentir alegria sem antes passar uma temporada no inferno.
Sofrimento e dor que não negam a vida no aqui e agora em detrimento de uma vida no Além, pois são terreno fértil para brotar um novo significado, uma criação, uma invenção ou um mito capaz de um (re)inventar-se sob o plano do amor incondicional à Vida, aliás, o único momento de incondicionalidade que o amor deve aceitar.
Qual seria a graça da alegria que não vem dos subterrâneos do ser? Seria uma alegria civilizada, asséptica de desejos, antagonismos, dor, sofrimento e uma crueza inefável do existir, isto é, uma alegria sem alegria: uma alegria que não é humana, mas sim, um artefato da modernidade.
A alegria que não vem do substrato do sofrimento e da dor é aquela que vem no formato da felicidade inventada pelo homem moderno, vendida em exuberantes embalagens que quando abertas revelam o vazio de um alegria anêmica, estéril e de uma potência que se desmancha, esvai-se para outra embalagem, num cÃrculo vicioso onde jogam o tédio e o vazio, de tal forma que a alegria, assim como a felicidade descrita por Fernando Pessoa, “está sempre apenas onde a pomos, mas nunca a pomos onde estamos“.
É preciso conceber a alegria na tristeza e a tristeza na alegria, ver o sofrimento e a dor na alegria, e a alegria no sofrimento e na dor. Prazer e Desprazer são leves dançarinos inseparáveis, amam antes de tudo a vida, deixam levar-se pela melodia entoada pela vida por conta de um maestro que é o acaso.
Um alegre viajante a bailar com a cigana desconhecida despede-se na tristeza, mas sabe que essa tristeza abre caminhos para que próximas alegrias possam surgir. - Entrega-se assim, abraçando a alegria e a tristeza, ao acaso do devir. O que nos será reservado? - Não pergunte, apenas siga os caminhos.
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