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O que estamos fazendo de nossas vidas?
4set2008 Categoria(s): Pensamentos Autor: advObs.: A frase do tÃtulo é uma pergunta feita pelo filósofo francês Michel Foucault – penso ser esta uma das perguntas mais inquietantes, que não comporta resposta, mas punge por respostas, embora ainda estamos longe de compreendê-la.
Estamos em um pequeno pião chamado mundo que gira ao redor de uma bola de fogo, diz Edgar Morin, estamos condenados à morte, somos seres-para-a-morte nos apontou Heidegger.
Não há nenhum destino final, nenhum momento que a felicidade e a igualdade social irão imperar. Não há Salvação no Além e nem na Ciência. Há o mistério, o caos, o desconhecido, as incertezas, os acasos, e é exatamente a partir daà que devemos construir as certezas incertas. É aprender a conviver com a angústia pois ela se renova eternamente.
Uma fórmula capaz de solucionar um mundo que contém a morte, o caos, a incerteza, o erro, isto é, a complexidade, é um profundo sonho da qual a humanidade ainda não despertou.
E é exatamente por não haver Salvação nem Redenção que devemos amar incondicionalmente a Vida, alegrar-se com o instante, reinventando a cada instante, buscando a certeza na incerteza, sem, contudo, deixar de saber que ela é só uma incerteza. Edgar Morin alerta que a dúvida sem a fé se torna niilismo, e a fé sem a dúvida se torna dogma, de tal forma que devemos saber navegar em um sistema de dúvida e fé, fazendo voltar a dúvida contra a fé, e a fé contra a dúvida, não porque são antagônicos, porque se complementam.
Já não está na hora de trazer aqueles elementos que encontraram abrigo no Além, como a alegria, o amor e a fé, para conviverem juntamente com a razão nessa vida do aqui e agora, na vida terrena mortal, para nos alimentar diante do inaudito?
Por mais que eu tente, não tenho encontrado diálogos, mas somente pessoas buscando uma Salvação, qualquer que seja; fazendo guerras de idéias e tornando-se prisioneiras de suas próprias idéias, presas à moral, à razão, a Deus, à Ciência. Deixam de sentir a Vida, o instante e o mistério para sofrerem diante de medidas de uma moral do escravo.
A humanidade forjou um mundo para si e acredita ser livre sendo prisioneira de seus próprios mausoléus decorados pomposamente com o que chamam de sublime: não estará o seu prazer sexual sendo velado pelos senhores do recato? E o amor ideal do “felizes para sempre”, não será ele o seu rabecão?
Quando Nietzsche disse que nasceu postumamente não foi por soberba, acho que o compreendo, foi por solidão, foi por não encontrar no aqui e agora alguém que seja capaz de conviver com as incertezas, com a dor, com o sofrimento e fazer desses elementos terreno fértil para amar incondicionalmente a Vida; capaz de fazer jorrar a alegria em abraços com a tristeza, entrelaçando os instantes com as nuances do prazer e do desprazer, sem procurar solução final nem termo final, mas entregues ao acaso e ao encantamento do inaudito. – É por não encontrar seres que estão para além do bem e do mal que, à s vezes, sinto-me distante de companhias e diálogos. É tu, capaz de se jogar ao abismo da incerteza, abraçar o instante que não comporta nem futuro nem passado e ver a vida alimentando da morte que se alimenta de vida? Vamos então dançar as variadas melodias da casualidade.
* Imagem: O viajante sobre o mar de névoa, Caspar David Friedrich, 1818.
Edgar Morin, “sociólogo” francês.
Jean Paul Sartre, filósofo existencialista francês do século XX.
Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX.
adv
janeiro 16th, 2010 at 14:30
@morta-viva: olá, não me responsabilizo pelo conteúdo ;)
morta-viva
janeiro 15th, 2010 at 7:04
Sem palavras. Vc me encanta.
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