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O pânico de Deus no jardim do Éden
14set2008 Categoria(s): Filosofia Autor: adv
O mito de Adão e Eva, presente no livro de Gênesis do Velho testamento da BÃblia cristã, e também no Alcorão, é uma parábola que admite diferentes interpretações, muito embora tenha pessoas que tomam essa narrativa em sentido literal, acreditam realmente que Adão e Eva existiram e que foram os precursores da humanidade.
Resumidamente, Deus, à sua semelhança, modelou do barro uma silhueta, e do sopro deu vida a Adão; para que Adão não se sentisse sozinho criou Eva, porém, Eva não veio do barro, veio de uma das partes do corpo de Adão. Aqui já temos uma moral cristã: a mulher está subjugada ao homem, deve sim respeito a Deus, mas também ao homem que, por sua vez, acredita ser mais próximo de Deus do que a mulher, afinal, a mulher veio do homem e não de Deus. Apenas com o mito de Adão e Eva já da para ter uma clareza de como será a relação homem-mulher dentro da moral cristã, perpassando valores monogâmicos e patriarcais. – Ou para usar um termo pejorativo mais recente: o cristianismo é absolutamente “machista”.
Em Nietzsche essa parábola é interpretada dentro de uma moral cristã que justifica um dos mecanismos por excelência do cristianismo para manutenção dos fiéis: o pecado; e este, por sua vez, está visceralmente ligado ao sentimento de culpa.
Nietzsche, com sua argúcia costumeira, começa com uma interrogação no capÃtulo XLVIII da sua obra “O anticristo”: “Já se compreendeu bem a célebre história que se encontra no princÃpio da BÃblia, a história do pânico de Deus perante a ciência?”
“O Deus antigo” – aquele do velho testamento -, diz ele, passeia pelo seu jardim e se aborrece – “Os próprios deuses lutam em vão contra o tédio” -, e para superar seu aborrecimento inventa o homem. O homem é divertido mas também se aborrece, o que leva Deus com sua piedade caracterÃstica, criar os animais para fazer companhia ao homem. Nietzsche aponta aqui o primeiro equÃvoco de Deus: o homem não fez dos animais sua companhia, se colocou acima deles e nem mesmo ele, homem, quis ser “animal”.
Deus então criou a mulher para fazer companhia ao homem, o seu segundo equÃvoco, pois como se sabe, a mulher torna-se uma “serpente”; por essência, a mulher no cristianismo, a partir da simbolização de Eva, carrega o fardo de ser a corporificação do mal no mundo. O mal na terra, irão dizer os sacerdotes, foi trazido pela mulher. Nesse momento o filósofo provoca: “Logo, a ciência também vem dela?…”
É nesse contexto que Nietzsche irá dizer que o maior equÃvoco de Deus foi o próprio homem, pois ao comer o fruto proibido da “árvore da ciência”, isto é, aquela que representa a fronteira da postura de curiosidade do homem frente ao desconhecido – o conhecimento -, criou o próprio rival de Deus: a ciência. A ciência é a arma do homem contra Deus, e é justamente a ciência, na modernidade, que sepulta o “Poderoso”, o mundo transcendental deixa de exercer supremacia nos valores morais que passam então a vigorar a partir da vida terrena: o Iluminismo, o homem econômico surgido na concepção de Hobbes juntamente com o Estado absoluto, o liberalismo, etc., são novos valores que passam agora a desferir as diretrizes da conduta humana. Nietzsche então, nesse contexto, irá dizer que “Deus está morto!”, enquanto uma constatação, e não como um crime cometido por ele.
Tendo o homem ultrapassado a fronteira do desconhecido, aquilo que Deus ordenou que não deveria ser feito, isto é, a curiosidade do homem vencendo a ordem divina, simbolizando o conhecimento do homem, a ciência, tornou Deus presa do pânico: a ciência é então a coisa proibida, é contra a ciência que os sacerdotes devem lutar caso queiram manter os homens sob o controle divino.
Dentro dessa perspectiva nietzschiana do mito de Adão e Eva, a ciência surge como o primeiro pecado, o pecado original, é a partir dela que germinará outros pecados – o homem desobedeceu a ordem divina que o alertava: “Tu não conhecerás nada”.
Surge então um problema, como Deus poderá superar seu pânico? Como defender-se da ciência? Há no mundo uma criatura que poderá voltar-se contra o próprio Criador. Ironicamente o Criador, com o barro, brincou com fogo e se queimou.
O homem está à solta no paraÃso, e a felicidade e a ociosidade são capazes de evocar pensamentos, mas o pensamento, isto é, o conhecimento, é um mau negócio para Deus, “todo pensamento é um mau pensamento” para o cristianismo. Essa premissa fica clara para os sacerdotes: evitar que o homem pense será a principal labuta.
Imperará então, como forma por excelência de manutenção do rebanho das “ovelhas de Cristo”, o pecado e o sentimento de culpa. Os apóstolos e sacerdotes tornaram a vida terrena pesada; salgaram o corpo com seus instintos e tudo que é terreno, o homem deve libertar-se do seu próprio corpo, senão corre o risco de pecar; principalmente o corpo da “serpente” mulher, evite-o, pois ele é porta aberta para o mal.
Diz Nietzsche: “O homem não deve pensar. E o ‘sacerdote’ em si inventa a pena, a morte, o perigo mortal do embaraço, toda a espécie de misérias, a velhice, a inquietação, antes de tudo, a doença; nada mais senão meios de luta contra a ciência! A miséria não permite que o homem pense…”
A miséria não permite ao homem pensar, e o berço do cristianismo é a miséria, toda condição que nega a vida no aqui e agora, isto é, uma condição de miserabilidade absoluta, é essencial para que a crença em “outro mundo” possa se sustentar. – Qual seria o interesse pela vida eterna se a vida real fosse feita para ser experimentada com todo vigor? Essa vida não presta, é corrompida e nada mais é do que uma prova de teste que será analisada pelo tribunal que sentenciará o juÃzo final. Eis a filosofia cristã: a negação da vida.
“E o Deus antigo adota como derradeira decisão: ‘O homem tornou-se cientÃfico, é uma coisa que não serve para nada, precisa ser afogado!…‘” (Nietzsche)
*Imagem: Eva e a árvore da ciência; Gauguin, P., 1889 (Wikipédia)
goncalves gomes
outubro 15th, 2008 at 14:13
Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração, não entendeis a palavra de DEUS que diz: num mesmo manancial não se pode forrar água doce e amargosa e nem a figueira pode dar uvas. Tampouco pode uma homem dissimular a palavra de DEUS (como faz Silas Malafaia, Caio Fábio, RR Soares dentre outros) e ser chamado de homem de DEUS. Não conheceis vós a doutrina de Cristo? Ou gostais de ouvir bajulações e lisonjas, preceitos humanos e demonÃacos, fábulas e filosofias?
Para vós que não sabeis diferenciar a mão esquerda da direita e muitos outros que não buscam a plenitude da sabedoria de Cristo para salvação, para vós é reservado o lago de fogo e de enxofre de eternidade em eternidade, pois creram em homens corruptos de entendimentos.
Chorai e lamentai povo que busca o entretenimento e os prazeres do mudo junto com suas praticidades enganosas! Por acaso ficará DEUS agraciado de vós se viveis na carne? Quem vos fascinou com mais essa heresia que agora se propaga que diz: viva o seu lado carnal e também o seu lado espiritual. Não sabeis que aquele que nasce da carne é carne e aquele que nasce do espÃrito é espÃrito e aquele que anda segundo à carne se faz inimigo de DEUS.
Busqueis o que é do alto onde Cristo esta assentado e não o que procede dos homens ou o que é mundano, onde muitos nessa cobiça blasfemam contra o EspÃrito Santos, e não haverá perdão para esses. Homens hipócritas sabeis discernir quando olhas para o céus se haverá chuva ou sol e não sabeis discernir os finais dos tempos?
Credes vós que um homem é de DEUS por fazer sinais e milagres e não sabeis que a identidade de um cristão é o cumprimento da doutrina de Cristo?
E também vós que usais do evangelho de Cristo para venderem seus produtos ( cd´s , livros, e objetos que dissimulam a fé de muitos, dentre outros) enfeitiçados com pretexto de ajudarem em suas obras malignas e vós também que são iludidos à comprarem tais produtos enfeitiçados, não lestes o que DEUS disse ao profeta Ezequiel?
Arrependeis de vossas obras pois dou testemunho que elas são más. O mundo não me ama pois dou testemunho que suas obras são más.
e-mail goncalvesbgomes@hotmail.com
Paulo
fevereiro 25th, 2009 at 14:02
quando falam q o cristianismo é machista certamente são iguinorantes sobre o assunto. Pq a BÃblia fala q a mulher deve ser submissa ao homem, PORÉM o homem dever amar sua mulher como Cristo amou a igreja e sofreu e se entregou por ela!
Antes de falarem coisas absurdas procures pesquisar primeiro.
Lucio
maio 6th, 2009 at 12:56
Gosto de ler Nietzche, seu estilo é complexo, incisivo e arrebatador, mas todo pensador deve ser entendido dentro de seu tempo. Que o Cristianismo foi usado, durante séculos, como instrumento de manipulação em favor de interesses de alguns, isso é fato, mas que religião, filosofia ou sistema polÃtico escapou a essa apropriação escusa por parte de grupos dominadores? O Deus que Nietzche critica e zomba é esse deus criado à maneira de homens, para justificar crenças e preconceitos, legitimando o poder. O Iluminismo acreditava que melhoria o mundo, varrendo o pensamento religioso e mÃtico, não conseguiu. O Simbolismo, movimento literário surgido no final do século XIX em sintonia com as correntes filosóficas da época, representa a decepção humana ante as promessas da Razão. Os movimentos filosóficos, literários e artÃsticos no inÃcio do século XX caracterizam-se pelo desinteresse aos temas “cientificistas” do século anterior e pela negação dos valores culturais de uma sociedade hipócrita, que, em nome da razão, lançou a humanidade em guerras (veja o DadaÃsmo). Portanto, apesar de bem elaborada e aparentemente sedutora, esta tese fundamenta-se sobre princÃpios tendenciosos e descontextualizados.