Em psicanálise é perfeitamente possível visualizar um matrimônio entre o amor e o ódio. Amor é ódio, e ódio é amor. Psicanaliticamente falando é um mesmo desejo em linguagens diferentes. Amor e ódio são, pois, alegres convivas que se bastam um ao outro.

O amante que perdeu a amada conserva-a através do ódio, ama-a tanto que não se conforma em perdê-la, de tal forma que precisa negá-la para afirmar a si próprio: uma afirmação da negação. Sendo a amada autorizada a ser a única responsável pelo mundo conquistado ou perdido pelo amante, tanto quanto este, através do ódio, busca conquistar novamente sua independência, atesta novamente sua dependência no amor.

Se debruçarmos sobre aquilo que se considera serem grandes guerras e grandes conquistas, doravante verificaremos que, o amor e o ódio, estão entrelaçados tomando a liderança e fazendo dos homens os seus súditos; estes, amando ou odiando, estão em busca de um objeto perdido: o objeto sagrado que eles elegem para abrir as portas do paraíso.

Como contrário não resta ao amor e o ódio senão a indiferença – este tão nobre e terno estado de espírito costuma ser por excelência o oposto de todas as virtudes e vícios, também não deixa a desejar quando é usado como elemento do discurso, uma vez que contempla opiniões sobre tudo e sobre nada.

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