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Arthur Schopenhuaer - o pai do pessimismo?
6out2008 Categoria(s): Filosofia Autor: adv
Tenho um apreço considerável por Schopenhauer (1788-1860). Minhas bases de pensamento, grande parte, se apóiam em Nietzsche e Schopenhauer, e alguns dirão, como sustentar um metafÃsico e um não-metafÃsico, como pensar em termos de aparência e essência, como querer fazer da vida uma alegria se Schopenhauer ela não é senão um inferno? - Isso é muito simples: nenhum pensamento enquanto imperativo categórico de avaliação da vida.
Ao meu entender, Schopenhauer é incisivamente visto como pessimista no sentido pejorativo do termo. Pejorativo pois dizer que sua obra principal “O mundo como vontade de representação” é a BÃblia do pessimismo me parece até uma forma carinhosa de dizer.
Não o vejo como um pessimista, parece-me que ecoa no pensamento de Schopenhauer, um desejo pela vida, de tal forma que é justamente no horror do viver que este se revela, ora pois, se a vida é insuportável, há de haver uma maneira de suportá-la, e Schopenhauer o fez através do seu modo de pensar em termos da vontade.
Além desse “estigma” que Schopenhauer carrega, vejo-o como um filósofo no mÃnimo “estranho”. Seu modo de viver foi muito peculiar, à s sombras da solidão não se deu muito com as mulheres e as pessoas em geral, sua companhia preferida era poodles, de tal forma que quando este se comportava mal era chamado de “bÃpede”, uma forma satÃrica e carinhosa do trato schopenhauriano para com o homem.
Seu humor é muito aguçado, satÃrico e irônico; e seus pensamentos costumam vir sem meias palavras, de tal forma que nos costumam tocar profundamente, como um punhal cravado sem piedade no frágil homem. Penso estar aqui o principal motivo de Schopenhauer ser visto como um pessimista: suas frases chamam atenção, são provocativas, é o estilo schopenhauriano, destarte que, se usadas fora do contexto, fazem, realmente, um estrago tremendo com a vida.
Quem somos nós para acusar Schopenhauer de pessimista, pejorativamente, apenas porque o sentido literal de seus pensamentos costuma dizer isso? Não serão eles justamente formas provocativas de nos revelar senão uma intensa vontade de vida?
É preciso ter pelo menos uma idéia do modo de pensar schopenhauriano para que este filósofo não fique relegado por quimérias. Nesse sentido, em uma posterior postagem irei apresentar o básico do pensamento de Schopenhauer. No momento, deliciem-se, com o pequeno trecho abaixo, mas com ressalvas, não o interpretem no sentido literal ;)
No inÃcio da juventude, quando contemplamos nossa vida vindoura, somos como crianças num teatro antes de a cortina subir, sentados lá animados e esperando ansiosamente, pelo inÃcio da peça. É uma benção que não saibamos o que vai realmente acontecer. Pudéssemos prevê-lo, haveria ocasiões em que as crianças poderiam parecer prisioneiros condenados, não à morte, mas à vida, e ainda inteiramente inconscientes de qual o significado de sua sentença.
A filosofia de Schopenhauer - o mundo como vontade de representação | Eterno Retorno
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