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As inquietantes manifestações do homem com o tempo
1nov2008 Categoria(s): Filosofia Autor: adv
Deparei-me que hoje é 01 de novembro, penso que o ano luta por resistir, mas vejo que o destino desse moribundo é ser sepultado, penso então que estamos próximos a 2009.
Próximos a 2009 me lembro de 2010, que me lembra uma década desde o ano 2000, que me lembra o ontem da virada do milênio. ImpossÃvel esquecer um ano de aparições de inúmeros profetas e gurus: os anjos viriam com suas trombetas anunciar as bestas e o conseqüente retorno do Messias. – Homens e mulheres, em seus delÃrios, incorporavam anjos e demônios para anunciar o fim da humanidade. Homens e mulheres, em seus delÃrios, suicidavam-se gloriosamente para não verem chifres, enxofre e monstros.
Se pensarmos o amanhã pelo hoje ele se aparenta distante, colocamos no amanhã tudo aquilo que queremos, pois não suportamos o não-ter. Se pensarmos aquele amanhã já amanhecido, aquele hoje nos parece um ontem. Não suportamos a persistência do não-ter que é sempre renovado, e pouco lembramos o que não tÃnhamos e passamos a ter.
O tempo sempre nos parece um sádico que corre de nós, e nós nunca conseguimos acompanhá-lo. Culpamos o tempo: como o tempo passa, parece que foi ontem! – O homem culpa o tempo por ele inventado, e de tal forma o alimentou, que hoje é uma presa que em disparada corre com todas as suas forças para fugir das garras de sua cria, mas este homem sabe bem o final dessa corrida.
O homem nasce e chora, os já nascidos, com sorrisos, dão lhes as boas vindas. O homem cresce sob vários ou poucos métodos de tortura, mas nunca sai incólume dessa aventura; e vai naturalmente construindo as grades de sua prisão e a dos outros, ao mesmo tempo em que vai sendo também aprisionado pelas grades dos outros. Ninguém totalmente se liberta das grades da civilização, mas com muito esforço, poucos conseguem quebrar algumas grades e ver novas paisagens: fazer da vida uma obra de arte.
Sem parar, este homem trabalha, constrói, cria, destrói, modifica, e vai tolhendo a si e as alteridades, uma simbiose inescapável. Não há uma gênese nem um fim, nem um objetivo nem justificativa, nem um plano por trás disso tudo. Apenas agimos e, inconscientes, sem controle de nossas ações, cremos ser conscientes do movimento da História: e o que é a história senão uma idéia de consciência mais ou menos ordenada que nós mesmo forjamos?
Assim, encarcerado está, o homem em seu emprego. Dias vão, noites vêm, e este está condenado a cumprir cada vez mais as exigências que para si e para os seus semelhantes soam como naturais: é o processo de construção do mundo, não há nada de errado nisso tudo, estamos progredindo, progresso!
Dessa forma, o homem mata o tempo, mas ele é quem morre. Morto que, em vida, não se pode dar ao prazer de viver conforme a sua vontade, quando muito dizer que vive em consonância com sua volição devido a tanta embriaguez que vê nos próprios cárceres de sua rotina aquilo que lhe convém chamar de vida.
Eis então que experienciamos o tempo compreendido dentro da efemeridade. Passamos no tempo e não vivemos, se não vivemos esquecemos-nos do tempo. Alheios a ele de tal modo ficamos, que quando somos lembrados por aquele gélido sentimento de que cochilamos em vigÃlia, costumamos nos sentir furtados pelo tempo que passou e nos levou algo: da vida?
O homem quer sempre encurtar as distâncias e as barreiras, não estaria encurtando a vida? O que é o mundo e toda a natureza senão um obstáculo para as suas ações?
O tic-tac do relógio é uma criação do homem, que nos lembra sem pudor que a vida está passando. Parece que poucos conseguem virar o dia no calendário sem mutilar um pouco da própria vida. Estamos morrendo ou vivendo mais?
Talvez a inquietante pergunta de Foucault continuará nos perturbando, por um tempo que ainda não se sabe: o que estamos fazendo de nossas vidas?
EpÃlogo:
Aquele homem que nascera já chorou a vida de alguns daqueles que lhes sorriram. Este homem também já sorriu para aquele outro que chorou, e este que provavelmente irá chorar para este que lhe sorriu. E assim compomos uma sinfonia que o tempo, em eternidade, continuará dançando.
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O que estamos fazendo de nossas vidas
O homem que se suicidou com o tempo
* Imagem: Person at the windows, Salvador Dali.
Bruno Renan
novembro 9th, 2008 at 18:50
Fantastico… e ainda existem pessoas que não ver isso… aquilo que é; amanhã será… “o tempo não para”… mais afinal, o tempo passa, ou é nós que passamos?
Abraços!
adv
novembro 10th, 2008 at 5:40
@Bruno Renan: olá, imagino que o tempo é indiferente, desse modo passamos mesmo que muitos tentam desviar do caminho – em vão ;)
guilherme
fevereiro 2nd, 2010 at 13:37
Afffffffff tem nads a ver, num fala nads sobre a obra,
pela madrugaadaaaaaaaaaaaaaaa