No meu dia-a-dia tenho que lidar com pessoas, atender pessoas, ouvir pessoas, oferecer algo às pessoas, falar com pessoas… No meu dia-a-dia eu não lido com animais (no sentido usual do termo), mas a cada um que vejo, distancio-me ainda mais da humanidade, distancio-me de mim, distancio-me da civilização, distancio-me do mundo da linguagem que o homem habita e perco-me para me achar sem palavras e sem identidade. Justamente por me perder no mundo da linguagem eu pouco escrevo sobre os animais, mas lembro-me de Kundera e o “Sorriso de Karenim”, o último capítulo da “Insustentável leveza do ser“, o último por enquanto dos mais belos escritos sobre os animais e os homens que já li.

Se me perguntarem o que é o homem eu diria que o homem é tudo aquilo que ele não é, e os animais são tudo aquilo que eles são mas não aquilo que achamos que eles são.

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