Na solidão, o solitário devora a si mesmo; na multidão devoram-no inúmeros. Então escolhe. – Nietzsche, F.

Quando dois solitários que nunca se conheceram antes se encontram, parece que já se conheciam há muito tempo – se conheciam e apenas tornaram a se reencontrar. Ambos ali parados sem dizer nada dizem tudo através do silêncio. À mercê da solidão, a terna complacência se encarrega de selar uma amizade intensa que poderá ser tão efêmera quanto vingadora.

Dir-se-á que o homem de Lacan que habita a linguagem precisa perdê-la para almejar imergir um pouco mais em profundidade naquela mentira que aos olhos se revela como realidade. Dir-se-á que aqueles que conhecem a pura solidão do Ser, carregam uma intérprete universal do sentimento de todos os homens e mulheres, e por assim dizer, o solitário só se revela como habitante do deserto àqueles que não conhecem a sua linguagem.

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