tenis-chinesRevelarei o final da novela “Negócio da China”, ou melhor, trarei novamente a velha fórmula de revelação do óbvio.

Não se trata de prepotência da minha parte em desvendar o futuro, mas apenas assentar em palavras o que já se revelou por si só há muito tempo; entre as parafernálias da indústria cultural os folhetins de revelação estão sempre dispostos de modo claro e objetivo, embora o ofuscamento do mundo prometido quase sempre impede os desesperados pela felicidade tolhida à desejos.

Talvez, embora ainda seja cedo para afirmar, percebe-se que um novo ingrediente está sendo acrescentado às novelas: elementos de magia, do mundo fantástico, do sobrenatural. Não que seja um pleonasmo dizer que o mundo das novelas é um mundo fantástico, o que quero dizer é que, se antes o fantástico acontecia apenas entre os “humanos”, agora há elementos “não-humanos” que contracenam entre os simulacros.

Isso vem bem a calhar em circunstâncias de apatia social, onde no vale-tudo para encontrar um escape do cotidiano, os olhos encontram os do artista com poderes sobrenaturais e o telespectador se mantém em júbilo na fugaz ilusão do momento figurada em outro mundo.

Talvez ainda seja supérfluo dizer que da mesma forma que de Comunismo a China não tem nada, assim como nenhum outro país jamais o teve, salvo nos pensamentos lodosos e mofantes de certos colunistas da Revista Veja, assim também a novela Negócio da China é sobretudo um negócio do Brasil – ou do Capital se ao leitor não transparecer em redundância.

São interesses políticos e econômicos – para além de uma separação classificatória e identificatória de cada um deles – que confluem para um amplo mercado que se mostra com possibilidades de lograr lucros fáceis e “baratos”.

Antes que a conversa subverta o título desse post, se já não o fez, é necessário revelar o final – é necessário?

O novo herói saiu de algum desses desenhos de super-heróis forçados, que na minha ignorância de conhecê-lo por nome, chamo-o sem muita criatividade de simulador ocidental da cultura chinesa. Mais fácil entender se se solicita representação através dos filmes hollywoodianos com heróis chineses que através de gestos sobrenaturais derrotam civilizações inteiras.

Após derrotar o mal a recompensa vem na pureza da princesa que se mostrou uma boa moça, submissa aos conformismos sociais e que também, por isso, será recompensada com o corajoso e agora bem sucedido herói.

… esse negócio de ficar contando finais de novela está me cansando, um amontoado de palavras quando bastava usar da pragmática positivista e indicar a fórmula universal de novelas; basta substituir X por Y, ou A Favorita por Negócio da China >>

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