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Programa Comédia em Cristo e o pastor Maracutaia
13dez2008 Categoria(s): AteÃsmo Autor: advVez por outra, nas minhas madrugadas de insônia, costumo assistir meu programa de comédia preferido na qual é veiculado nas madrugadas por uma das redes de televisão aberta, embora também seja exibido em outros horários – de segunda a segunda! Por ora, irei chamá-lo, para efeito desse texto, de Programa Comédia em Cristo.
Duas coisas a priori me vêm à cabeça quando vejo aquele homem (o pastor) ali no palco: Hitler e show business. Os movimentos corporais, a gesticulação e a vociferação agressivas são representantes tÃpicos daquilo que se compreende como totalitarismo. Com isso, não quero dizer que o referido pastor – bem famoso por sinal – é Hitler e vice-versa, quero dizer que a lógica oculta no discurso é a mesma: encenação teatral para que a audiência deposite total confiança, dando-lhe aval de palavra da verdade!
O show business evangélico representa a disposição harmônica do palco, com lugares bem arranjados e visÃveis para os postos superiores (assessores, carismáticos, “artistas”, etc.), e uma justaposição rigorosa de extensas fileiras para os fiéis que representam, ali, o rebanho que recebe e legitima o discurso da verdade; expressando sentimentos mais ou menos iguais, favorecidos através do ethos da massa. A arquitetura de nada se assemelha com os tradicionais ambientes de igreja, bem se vê ali a suntuosidade intencional do templo que evoca toda tecnologia e técnica do homem moderno; mostra claramente o quanto as igrejas se adaptam facilmente aos ditames do capital agressivo.
No palco, presenças ilustres de “artistas” da música evangélica, a harmonia entre cores, formas e encaixes dos objetos com a ambientação, dão o toque mágico do show business. O elemento final, o grande diferencial que Hitler não dispunha, certamente porque ainda não conhecia as estratégias fetichistas de encenação do capital como se tem hoje, pois a sua própria época não dispunha de técnica suficiente para tal, fica por conta da jocosidade do pastor celebridade: ele imita vozes, parodia o cotidiano e teatraliza o vulgar que só se fazem graça aos olhos do rebanho, pois no confronto com articulações mais elaboradas do pensamento o riso é esvaziado e desbotado, deixando transparecer a quebra de decoro, dando uma leve sensação de constrangimento.
Dentro da moral cristã em seus moldes tradicionais, podemos dizer que Deus e o Diabo dividem o horário da madrugada: durante o intervalo do Programa Comédia em Cristo, por vezes, a rede televisiva exibe comercial de “tele-sexo”, mesclando vozes e imagens sensuais.
O clÃmax do programa fica por conta de um tautológico discurso comercial que se passa como celebração das obras transcendentais: vendas de livros, CDs, DVDs e até uma espécie de diário para o fiel anotar sua oração de cada dia! O pastor deixa bem explÃcito o material de sua autoria, outro de sua esposa e ainda outro de uma pessoa da famÃlia (de mesmo sobrenome), e reitera apelativamente para pacotes promocionais para aquele que quiser levar todos esses produtos de produção familiar, cujo mote se justifica em uma bondade do comprador que estará ajudando a manter o programa em rede televisiva que, em última instância, representa uma ajuda ao próprio reino divino!
Certamente que nada se mantém no Capital sem capital. No entanto, para aquele que quer manter-se como “entidade” e não como uma empresa privada, primeiramente, deveria deixar disposto ao público o balanço das receitas, o que não se verifica no site oficial do Programa Comédia em Cristo. Também nunca é demais lembrar dos benefÃcios que os ditos estabelecimentos classificados como “igrejas” gozam, não pagando uma série de impostos que recaem sobre qualquer empresa privada, embora não seja esse o objetivo desse texto.
Zygmunt Bauman em “O mal-estar na pós-modernidade” deixa bem claro que as religiões no atual momento estão sob a ordem do consumo, que em outras palavras, entre tantas outras significações, nos diz que a fé é vendida e não mais usufruÃda por quem quer que seja. Nesse sentido, pelas próprias evidências dos locais ecumênicos e seus lÃderes, parece ser ingenuidade ainda crer que as igrejas têm algum diferencial para ainda querer se distinguir de uma empresa privada cujo objetivo sempre é o lucro. (Religião e consumismo)
Aquela idéia antiga de deixar uma quantia na “sacolinha” que percorria pelos corredores durante os cultos, embora ainda se verifique, já não é a prática mais comum. As igrejas contam com uma variedade de produtos e até mesmo “brindes” para cativar seu fiel que não vê outra coisa senão uma relação legÃtima de troca comercial; além da já consagrada palavra da verdade que constitui uma imensa força para angariar doações através daquilo que se chama “parceiro de Cristo” – uma estratégia já com algum tempo de uso pelos lÃderes religiosos em variadas configurações.
Aquele que quer ser parceiro está contribuindo para a obra de Deus, que evoca não só os recursos materiais e humanos necessários para realização do show business cristão, como também, deixa explÃcito e implÃcito, a poderosa e sedutora mensagem de que ao ajudar aquilo que é de Deus, supostamente se garante não só o lugar no céu e a concessão de perdões mais fáceis, como também a possibilidade de ser reconhecido e premiado durante a vida terrena.
Os interesses que confluem entre as polÃticas religiosas e públicas são escamoteados, e os que vêm em tona passam por sistemas de validação nos jogos da palavra de verdade. Desse modo, esse poderoso narcótico mafioso de manutenção de uma moral autoritária e perversa é bem legitimado e justificado enquanto prática cultural intocável.
Gostaria de deixar bem claro que a crÃtica aqui é dirigida não à religiosidade do homem, entendida como uma relação apenas dele com alguma “entidade” transcendental; mas sim a todo sistema sujo e mafioso sustentado por grandes sistemas conceituais de controle e jogos de poder, exercendo dominação e disciplinação do homem mediante supostos valores tidos de antemão como universais. Entre outras palavras que chamam atenção para o patrocÃnio financeiro, a página na internet do referido programa deixa bem evidente através de um popup qual é a missão dos seus lÃderes: “Ajude-nos a pregar o evangelho a toda criatura!” – Quem é a criatura? Todo aquele que não compactua com os ideais que o grupo religioso elege como sendo a Verdade.
Em outras palavras: a Igreja é uma casa de “correção” com interesses próprios e muito bem definidos, não usa mais a espada e a lança para infligir danos a outrem para se impor, os meios de controle, punição e sedução se dão pela palavra; a venda de indulgências se faz pela lógica fetichista do capitalismo em seu momento atual; a violência que tais instituições exercem é legitimada não na cultura medieval, mas na cultura atual ou pós-moderna. A lógica é a mesma de toda história perversa, nefasta e aterrorizante da Igreja, seja ela católica, protestante, de Deus ou do Diabo, é uma questão de adaptação do homem com sua época e seus valores de acordo com as alterações efetuadas no plano divino: o da negação da vida do aqui e agora.
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fevereiro 25th, 2009 at 14:00
vcs não tem noção da besteira que estão fazendo. Experimentem ler a BÃblia pelo o menos um pouco, para verem a barbaridade que fazem!!!
Antonio
maio 24th, 2009 at 20:09
Bem, infeliz suas palavras .
Eu gostaria que vc me respondesse uma coisa …
Quem financia a igreja católica , em especial o Vaticano?
Caso o nobre e ” intelectual colega ” não saiba , vc , eu enfim nós , de forma autoritária e incondicional. Talvez poucas pessoas saibam, mas , dos nossos salários vêem esses descontos que , financiam a igreja do papa. E mais , tambem financiamos com nosso dinheiro o espirtismo da rede globo de televisão , ou vc duvida que o governo brasileiro despeja bilhões anualmente naquela emissora?
Portanto meu caro orador , eu creio apenas nas Escrituras de Deus, e Elas , condenam o espirtÃsmo da globo , e a idolatria da igreja católica que , infelizmente , todos ajudamos a manter para desagrado de Nosso Deus Vivo.
Repense e peça à Deus uma luz na sua vida.