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O desconhecido e o saber destruir-se para criar-se
26dez2008 Categoria(s): Pensamentos Autor: adv
Na tomada de um fenômeno qualquer é possÃvel pintá-lo nas mais diversas cores do conhecimento. Reduzindo-o várias vezes a formas cada vez mais elementares. Alguns encontram ai o enigmático, o inaudito, o inefável, o desconhecido – que não se trata de nenhuma entidade transcendental, mas simplesmente o reconhecer do homem frente ao incognoscÃvel.
Mas também há aqueles senhores da verdade que tratarão de colocar pesos e correntes sobre os elementos, e dirão: essa é divisão máxima, isso é isso e não pode ser outra coisa, a essência é este elemento.
Oh! Pobres velhacos, terão eles medo de se jogar ao desconhecido? O enigmático é espantoso, nele encontra o algo-que-sequer-existe, um problema que não pode ser saciado por nenhuma resposta, pois todas as respostas possÃveis, a tomada do que por um porque, implica em infinitas ligações onde cada porque pode se ligar outros porquês.
Heidegger chama esse algo espantoso, a contemplação diante do inatingÃvel por verdade, de algo prémundano. Nietzsche escolheu o termo trasmudo para expressar aquela aparência insubstancial, sem essência.
Assim, o homem não pode fazer outra coisa senão se lançar ao abismo e contemplar as aparências, é a eterna busca de algo-que-falta-para-completar. Ao longo do tempo os homens inventaram muitos objetos-de-completude, tais como deuses, um dia onde a felicidade irá reinar, paraÃso, vida eterna, amor eterno, espÃritos que voam no tempo, … uma infinidade de idéias, meramente idéias, imagens produzidas por aquilo que costumamos chamar de consciência.
Muitas dessas construções já perderam suas origens de arquitetação no tempo e no espaço, de tal forma que muitos de nós nos relacionamos com elas como se fossem seres que existissem em sua concretude; por assim dizer, criações da consciência que não se sabe ser criações intencionais e passam a dominar os próprios criadores como se fossem seres externos.
ConstruÃmos nosso mundo por “imagens” ordenadas de conhecimentos, tal como uma criança brinca de construir castelos na areia: inevitavelmente as ondas virão e apagarão, dando origem a novas construções, entrementes que alguns resquÃcios do construÃdo poderão restar, alguns parecem ser até duráveis, mas nada que seja imune à s transformações, por mÃnimas que sejam.
Haverá aqueles que se darão bem com esse movimento incessante do viver, e construirão castelos quantas vezes forem necessárias, sempre prontos a aceitar a próxima onda que trará um brinde à alegria da criação. Haverá aqueles que irão querer fixar moradias, desconhecerão a alegria da criação e irão presenciar suas moradias sendo solapadas, e com elas seus tesouros de verdades serem levados – e continuarão tentando construir as mesmas moradias e, fundamentalmente, recuperar os seus tesouros de verdades: são os insatisfeitos, rancorosos, ressentidos e atolados, buscando a qualquer custo se sentir um homem no centro do universo, crente na ordenação, na previsibilidade, na verdade e na essência imutável dos seres.
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