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La Rochefoucauld sobre o amor: dos amantes que se arrastam sem amar
11jan2009 Categoria(s): Filosofia Autor: advLa Rochefoucauld foi um pensador francês do séxulo XVII que escreveu em forma de aforismos, seu ponto de vista e analÃtico da moral que perpassa as relações humanas, sendo um primeiro esboço de psicologia que viria no século seguinte a ser feita dentro dos moldes empÃricos. Os aforismos viraram febre na França dessa época e exerceram fortes influências em filósofos posteriores, tais como Nietzsche, Cioran, Adorno entre outros.
Abaixo um dos aforismos presentes na obra mais importante do autor, Máximas e Reflexões (1664), que retrata, através da forma livre e quase sempre artÃstica dos aforismos, a situação daquele que “ama” sem amar; algo bem comum entre os casais onde um e outro se relacionam por obrigação, por esperar do outro o rompimento, por achar dispendioso emocionalmente o término do enlace, por medo de se sentir sozinho, entre tantas outros sentimentos que concorrem em mirÃades nessas situações.
Do Amor e do Mar
Aqueles que quiseram nos representar o amor e seus caprichos o compararam de tantas maneiras ao mar que é difÃcil acrescentar o que quer que seja ao que disseram. Fizeram-nos ver que um e outro têm inconstância e infidelidade iguais, que seus bens e seus males são inumeráveis, que as navegações mais felizes ficam expostas a mil perigos, que as tempestades e os escolhos sempre devem ser temidos e que, muitas vezes, mesmo no porto se naufraga. Mas, ao nos exprimirem tantas esperanças e tantos temores, não nos mostraram de modo suficiente, me parece, a relação que há de um amor desgastado, inerte e em fase final com essas longas bonanças, com essas calmarias aborrecedoras que são encontradas no percurso: cansados da longa viagem, desejamos que chegue ao fim; avistamos a terra, mas o vento não sopra para chegar a ela; vemo-nos exposto à s intempéries das estações; as doenças e a apatia nos impedem de agir; a água e os vÃveres faltam ou mudam de gosto; recorremos inultimente a um socorro estranho; tentamos pescar, mas só conseguimos alguns poucos peixes, sem deles tirar alÃvio ou alimento; estamos cansados de tudo o que vemos, ficamos sempre com nossos próprios pensamentos e estamos sempre aborrecidos; vivemos ainda, mas lamentamos viver; esperamos por desejos que nos levem a sair de um estado penoso e apático, mas os que conseguimos ter são fracos e inúteis.

Margareth Bravo
janeiro 11th, 2009 at 20:47
Olá amigo!
Que bons ventos o trazem com tão interessantes temas?
Pois é, acho que é por essa razão, por essa falta de ânimo e coragem que a humanidade vem naufragando, numa vida tão efêmera, o desperdÃcio de energia e tempo à deriva dos próprios sentimentos, no auto-engano, fictÃcias aprisionamentos, como os citados por você, aos quais acrescento um dos mais recorrentes- questões econômicas, perde-se a vida e a ocasião de tempos mais felizes e fecundos , mas não perde o patrimônio. Mas que patrimônio pode substituir uma existência autêntica? Por fim, o mar é o mar, com sua natureza de mar, e amar é somente para os corajosos! um grande abraço
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janeiro 12th, 2009 at 16:25
@Margareth Bravo: Olá, esses dias estava sentindo falta de pensamentos de pessoas comuns, fugir um pouco do meu cÃrculo de autores, conhecidos e desconhecidos que estão na fila, aguardando um dia onde a infinita ignorância ganharia um pouco mais de sentido. Queria conhecer autores “anônimos”, pensei em blogs, mas pensei também que raramente encontrei um blog que me agradasse, não que eles sejam ruins ou bons, mas simplesmente não me agradam, percebi que muitos deles não tinham seres humanos por traz, mas apenas robôs que repetem o que a induústria cultural faz: geralmente o velho em novas embalagens. Eis então que aparece o link do seu blog, e confesso que achei o que queria! Pensei: Voltaire agora é profeta, cumpriu-se: “cultive o seu jardim” – Bem, eu não cultivei nada pra ser sincero, mas por acaso, creio eu, conheci o seu blog… e como me agradou, foi minha atividade em horário de trabalho hoje: lê-lo, li vários posts e se não comentei foi por negligência, ou por que no momento estou naqueles momentos (creio que legÃtimos) onde se encontra o tédio. Sendo assim, depois de toda essa delonga, posso dizer que os ventos que sopram aqui talvez sejam os mesmos que sopram aÃ: uns ares com certo frescor de existencialismo. Aromas que vêm e vão, por vezes se misturam, formam sentidos, minam sentidos, criam, inventam-se, des-inventam… enfim, ventos que sopram sem compromisso com nenhuma “essência” ou princÃpio fundamental, mas ventos que apenas ajudam a viver a vida como obra de arte sempre inacabada ;)
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janeiro 12th, 2009 at 16:30
@Margareth Bravo: ahhh, as tais palavras que nunca dão conta de dizer tudo, esqueci-me: “Procuro meu blog, como quem procura a si mesma, e nesse sentido, se achar é se perder e se perder pode ser o princÃpio de se encontrar.” – Esse mote valeu pelo meu dia, e já o “colei” em um dos meus vários marcadores de livros ;)