Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
Brincando de fazer frágeis bolas de palavras
21jan2009 Categoria(s): Pensamentos Autor: adv
Trocar as coisas pelas palavras é se ferir o tempo inteiro. As palavras não sabem o que dizem. As palavras são caducas delas mesmas. Quem num diálogo ver coisas nas palavras do outro também entrará em guerra na medida em que se depara com a construção de um mundo que frustra aquele em que se vive, construÃdo por si – por assim dizer, a imagem metafórica do mundo e o que nele “existe”, do outro, não é semelhante ao mundo em que habitamos com suas cores e formas tal como a criamos: quando as flores do vizinho forem pretas quando queremos que elas sejam violetas.
Quem usa as palavras como pedras pode ser apedrejado e, não obstante, apedrejar o outro. Palavras que se atiram cá, devolvem lá. Tomando-as por coisas as palavras podem virar bombas, revólveres e espadas. Mas usando-as como bolas de sabão podemos estourá-las quando não nos agradam, podemos soprá-las de leve quando nos agradam em parte, ou podemos contemplá-las deixando-as flutuarem até o ensejo do estouro.
Ah! é importante sorrir à naturalidade dos estouros para que saibamos criar novas bolas de sabão, por vezes mais ou menos coloridas, maiores ou menores, mais fracas ou mais fortes, mais semelhantes ou mais diferentes das que já se foram. Mas nunca como imutáveis pesos para nos acompanharem como sombras.
Não, não morra por uma idéia, pois as palavras dizem qualquer coisa, dizendo nada para querer revelar o tudo.
*Imagem: Sandman, tÃtulo desconhecido.
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