Dicas para estudar e passar em concurso público? Isso parece piada, claro. Mas há quem ofereça tais dicas, como as abaixo. Use-as com muita moderação!

  1. Motivação: busque motivação para estudar
  2. Lazer: a vida não é só estudar, tenha momentos de lazer também.
  3. Concorrência: é concorrido para você? Para os outros candidatos também, então encare isso sem chorar.
  4. Preparação: não deixe para estudar em cima da hora, ninguém passa em bons concursos sem estudar, prepare-se!
  5. Edital: não subestime o edital, use-o com sabedoria, veja os assuntos que vão cair e selecione seus estudos de acordo com o exigido.
  6. Provas anteriores: dê uma olhada, nem que seja breve, em provas anteriores mas não tão antigas, para você ter uma idéia do estilo de pergunta que irão te fazer. Cuidado com a idéia de que estudando provas anteriores é o melhor caminho.
  7. Fases do concurso: tem concurso que não tem só uma fase, observe o edital para não ser pego de surpresa.
  8. Outras oportunidades: não passou? É legítimo! Prepare-se para outros concursos.
  9. Às vésperas: alguns dizem que nas vésperas é bom fazer uma revisão, nem sempre isso é válido, outros preferem relaxar. Use a véspera para se motivar!
  10. Dia da prova: está difícil passar aquela questão? Esqueça ela, vai para as próximas e não se deixe perturbar; deixe as questões que você tem mais dificuldade para o tempo que sobrar.

As 10 “dicas” acima não são de minha inteira concordância, concordo com algumas e discordo de outras. Mas é o que costuma ser encontrado, em formas variadas, nas revistas ou apostilas ditas “especializadas” em concursos ou vestibulares.

 

Atualmente, penso que é necessária alta dosagem de ignorância, pouca criatividade e disciplina – conteúdos fundamentais da civilização moderna – para passar em um vestibular ou concurso. Certamente que não foi esse o meu pensamento predominante na época de vestibulando, tive que “engolir” muita coisa, fazendo-me por ingênuo para crer que o “mundo” era realmente da forma como os livros didáticos diziam, suportando explicações automatizadas de professores, sem espaço para questionamentos. Mas como o sábio educador Rubem Alvez diz em um de seus vários contos provocativos à Educação, boa parte do que nos é ensinado vomitamos: vomitamos porque nos fazem engolir conhecimentos sem questionamentos e sem “para quês”.

Se pudesse ser elencada uma “dica” ao título disparatado dessa postagem, espontaneamente, nesse momento, eu diria que não há receitas, nem métodos, nem tutoriais para passar em concursos públicos e vestibulares. Sabemos quando não estamos com certo domínio do conteúdo exigido. E saber algo jamais significa ser mais ou menos inteligente. Inteligência é um conceito abstrato que subsiste nas parvoíces de certos psicólogos, pedagogos, professores, outros educadores e governantes; e que serve principalmente para transformar os problemas da sociedade em “sepultamento legítimo” de sonhos e vidas singulares.

Antes de acusar o outro por “burrice” ou sem habilidade pense antes que nem todos têm oportunidades para desenvolverem seus potenciais, e que mesmo que sejam dadas oportunidades iguais, as pessoas aprendem de maneiras diferentes, o que não significa que um seja “melhor” ou “pior” que o outro. Esse dualismo, como tantos outros, sustentado por uma moral cancerígena, serve para justificar políticas e ideologias para fins diversos de controle social e cultural.

Nossa sociedade se sustenta de uma maneira que não permite que haja oportunidades para todos, para um ganhar mais outros têm que perder, e há muitas instâncias educacionais e governamentais que trabalham com afinco para legitimar a competição como algo natural dos seres humanos e até mesmo dos animais. Fazem-nos acreditar, e essa idéia é sustentado por grande parte da população mundial, que o dinheiro para ser farto depende somente de habilidades e inteligência das quais você, só você, é responsável.

Com isso não quero dizer que poderia haver uma condição de plena igualdade entre as pessoas, ou fazer qualquer apologia aos preceitos do marxismo. Não foi esse o objetivo desse post.

“(…) a competição não é nem pode ser sadia, porque se constitui na negação do outro (…) A competição é um fenômeno cultural e humano, e não constitutivo do biológico.” – Maturana, H. R. Emoções e linguagem na educação e na política.

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