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Talvez os ateus preferissem a existência de Deus
15fev2009 Categoria(s): AteÃsmo Autor: adv
Imaginemos um deus monoteÃsta, o deus cristão, ou simplesmente Deus. Suponhamos que ele exista, tal como nos moldes que há milênios são passados de gerações em gerações.
Certo é que Deus também vai sendo modificado ao longo dos anos, de homem para homem, de religião para religião. Mas algumas caracterÃsticas são mantidas e aceitas por todas as religiões cristãs. A saber:
Deus é onipotente: de poder absoluto e que, portanto, tudo pode. O imaginável e o não imaginável. Deus é onisciente: de sabedoria também absoluta, nada que exista e não exista não é sabido por Ele. Deus é onipresente: que está presente em todo lugar e ao mesmo tempo. Ele, de tantos nomes e tantos poderes, à semelhança com os desejos dos homens, criou o Universo, as estrelas, os planetas, o homem e todo ser vivo.
Essa resumida descrição dos poderes de Deus parece não ter sofrido alteração ao longo dos anos. Deus é mantido como aquilo que perscruta tudo, sabe tudo, pode tudo. Entre as tantas dissidências dentro do cristianismo, de Deus não se discorda, ele é absoluto e tudo pode.
Agora voltamos à quele que tão fraco e de Ãnfima ignorância é diante de Deus, segundo os mandamentos: o homem.
Lançamos sobre essa criatura que acredita ser uma espécie superior à s outras. Observemos suas relações, consigo mesmo, com os outros de sua espécie e com os animais, com o mundo e todas as coisas, seu saber e suas construções: fÃsicas e espirituais.
Por certo, muito respeito, franqueza e consideração podem ser vistos nas relações entre os seres humanos. Mas quanta miséria não há em todos os cantos?
Homens se matam, degolam, esfaqueiam e dilaceram os membros uns dos outros, por vezes guardam restos cadavéricos em congeladores. Quanta escravidão, fÃsica e espiritual, encontramos entre esses seres, uns sendo subjugados por outros em nome das mais vis palavras de verdade. Crianças morrem de fome ou doença quando abrem os olhos pela primeira vez. Pelo homem, milhares de animais são dilacerados, sacrificados, degolados, estripados em nome de Deus ou para o “conforto” da sociedade; são vÃtimas de testes cruéis e agonizam em nome da ciência; alguns vão para a água fervente ainda vivos para saciar os mais imundos apetites culinários; e tantos outros têm suas vidas cessadas pelos meios mais brutos e torturantes – que fogem ao pensamento daqueles que ainda valorizam uma vida -, em troco de dinheiro. Ah! o dinheiro! o que dizer de tanto sangue e sofrimento causados ante o infinito poder de corrupção dos homens por ele, dinheiro?
E o que são essas poucas palavras, desconexas, por vezes mal elencadas e organizadas ante a dificuldade de se falar de tais coisas, diante do imenso inferno que podemos ver por toda parte, e nos mais recônditos lugares, que lancina e confrange o coração daqueles que amam a vida, e por isso são afligidos a cada ato daquele que também é a sua espécie?
É tanto insulto, tanta penúria e tanta desgraça produzidas pelos homens, na qual não encontramos um único responsável, que por demais, eu desejaria imensamente que Deus, o Todo Poderoso, existisse. Seria tão grato por olhar toda essa desgraça e saber que há um responsável por tudo isso: Ele, o absoluto, criador de todas as coisas, sabedor de todas as situações, que já aconteceram, que acontecem e que ainda irão acontecer.
Ele, como onisciente, saberia de antemão de toda essa ignomÃnia encenada por homens. Mas, com toda sua onipotência, estaria lá, nos céus, decerto jubilando do mar de sangue proporcionado por esses facÃnoras. Há muitos ateus que desejariam a existência desse Deus cristão, só para poder acusá-lo por ser um monstro beberrão de sangue, sangue e mais sangue – de homens e animais.
Ah, senhores cristãos, admiradores desse Deus onipresente, onisciente e onipotente, não me venham com a desculpa daquela famosa isenção de responsabilidade do Criador: a crença no livre-arbÃtrio.
Se um deus fez este mundo, eu é que não gostaria de ser este deus: a miséria aqui presente despedaçaria meu coração. (Schopenhauer)
Seth
fevereiro 17th, 2009 at 22:58
Pois é, se deus fosse colocado em um tribunal seria condenado de qualquer maneira, ou por omissão ou por crimes contra a humanidade…
Duduziuz
março 13th, 2009 at 16:02
Olá! Caiu no seu blog por acaso! Gostei bastante do texto e vou acompanhá-lo daqui em diante (aliás, até suas tags parecem um pouco com as do meu blog! heheh)
Realmente, acho que os fiéis não compreendem que se deus é onipotente E onisciente, então é automaticamente conivente com TODOS os males que afligem o mundo.
adv
março 14th, 2009 at 17:40
@Duduziuz: olá, não me responsabilizo pelo material aqui presente ;)
ndias
março 17th, 2009 at 10:46
Só gostaria de dizer que há várias concepções da divindade. O universo não se criou por si mesmo, deve haver uma inteligência universal que faz o vasto mundo natural nascer, viver, morrer e renascer eternamente, que aceito tb chamá-la Deus. Mas o mundo criado pelos homens, somos nós os responsáveis por ele é por isso que estamos aqui. “E daqui não sairemos até pagarmos o último ceitil” depois disso estaremos livre da “Roda de Samsara” do aparente eterno retorno. Mas generelizando os nossos crÃticas, não estamos mas naqueles tempos de tanta ignorância, há pessoas mais esclarecidas e parece está surgindo uma consciência da necessidade de uma nova ordem mundial. Na natureza tudo é ordem e o homem está ainda no geral na fase da ignorância, pela ilusão dos sentidos, das formas, ainda não vai a fundo nas coisas, prefere ser guiado, do que guiar a si próprio à luz da sabedoria, da racionalidade, buscando a harmonia o equilÃbrio. Então só ele pode responder pelas suas escolhas, seu livre-arbÃtrio. O homem perdeu seu contato com o sagrado, o Ãntimo, seu deus interior, o deus do seu coração, que para mim trata-se da presença da divindade no coração do homem, mas é algo tão sutil, discreto que nunca se impõe (isso no começo da humanidade como tb na primeira infância) aà vem a sociedade e nos condiciona para os seus interesses. Concordo com Schopenhauer: “Se um deus fez este mundo, eu é que não gostaria de ser este deus: a miséria aqui presente despedaçaria meu coração.” E com certeza não foi Deus e sim nós mesmos. Nós somos esse mundo e só podemos mudar a partir de nós mesmos, fazendo a nossa parte oferecendo o melhor. O melhor na cultura, arte, ciência, religião, filosofia, comportamento…
Raphaella Gonçalves
junho 11th, 2009 at 13:20
Um vÃdeo com possibilidades interessantes, acerca da questão do livre-arbÃtrio: http://www.youtube.com/watch?v=K8Y8_aqG9-g
ana
novembro 22nd, 2009 at 15:49
isso e super
ana claraaaa
novembro 22nd, 2009 at 15:55
voces sao otimos continuem falando de deus
Carl Vaz
janeiro 2nd, 2010 at 19:30
@ndias: Só na nossa imaginação podemos sonhar com uma ordem natural, além dos acontecimentos catastróficos em nosso mundinho, ainda temos que viver ameaçados por corpos errantes que podem chocar com o nosso e trazer a destruição total concomitantemente com o desaparecimento da única vida inteligente que conhecemos. A eterna recorrência seria aplicada se tivéssemos um número x de átomos, realmente um dia ele repetiria, mas não é assim, o nosso espaço é infinito e o nosso tempo é eterno e ele é ocupado por infinitas partÃculas que viaja em todas as direções, gerando e transformando, nunca criando, Lavoisier sabiamente o disse “nada se cria, tudo se transforma”. E nas infindáveis transformações, assistimos e fazemos parte dos micros se transformando em macros, por exemplo, micro partÃculas em átomos; átomos em sistemas solares; sistemas solares em galáxias; galáxias em universo; e universo em…, num crescimento exponencial e infindável. É este crescimento que se entremeia em todos os segmentos que faz parte de nós, como nossas células nos dando vida e nos transformando.