universitarioUm rápido olhar nos universitários que se renovam a cada ano nas grandes instituições do saber, nos mostra os disparates do amanhã. Certa massa de ignorantes, não muito pequena, não espera outra coisa da universidade senão esperar novos anos para se ocuparem de certos rituais mais conhecidos como “trotes”. Aliás, no meio universitário não faltam rituais rigidamente embasados por morais seculares.

Assim, quem olha de fora pode se amedrontar: são esses os futuros homens do conhecimento? – Em parte sim. Muitos profissionais carimbados como especialistas saem daí. Mas não nos esqueçamos dos idiotas que se descobrem e abandonam o idiotismo.

Não nos esqueçamos ainda que essa sociedade, a mesma que critica o estudante universitário que, na sua imbecilidade, ateia fogo em outro universitário, é a mesma que aplaude os programas de auditórios, ou mais recentemente, os reality shows. Ora, pois, estamos falando, em ambos os casos, de sadomasoquistas em suas diferentes manifestações.

Há tantas outras contradições da sociedade que poderiam ser elencadas como elementos com suas possíveis influências a esses destrambelhados que acreditam ser algo mais só por entrar em uma universidade. No Brasil, a própria condição de uma educação falida, já convém aos universitários um motivo de comemoração. Goza o novo universitário, de um status social, o de um vencedor ante uma competição: a corrida da desgraça civilizatória.

Em contraste com a miséria social, e o reino da razão, a universidade é elevada ao sagrado. Representa uma nova vida, uma nova fase, um rito que almeja posições sociais mais confortáveis. É nesse local que certas manadas de idiotas acreditam que irão encontrar a verdade maior. A técnica invejada. Um diploma de doutor, que também pode ser um atestado de uma razão cancerígena.

Não me confundam aqui, como um inimigo das universidades ou dos universitários. Frequento uma, se assim quiserem, podem me chamar de universitário, embora eu prefira o meu nome mesmo. Há muitas universidades. Há muitos universitários. Ainda, há muitos universitários que são capazes de abdicar das morais que ensejam o ritual do trote.

Mas não confundam universidade com sagrado e nem razão como sucesso. Universidades são grandes potenciais, de lá podem sair grandes espíritos e também grandes bárbaros.

Há ainda, os que irão dizer que existem trotes violentos e trotes responsáveis. São aqueles que ainda não abdicaram de certas crenças sociais e querem se destacar, em geral, como caridosos.

Segurando-me para não colocar um aforismo “pesado” de Nietzsche para ilustrar um pouco da moral presente em locais sagrados ao homem, como as universidades, creio ser em boa medida um aforismo de Schopenhauer:

Quem vê as inúmeras e variadas instituições destinadas ao ensino e ao aprendizado, além da grande multidão de alunos e mestres, poderá acreditar que para o gênero humano a compreensão e a verdade são de extrema relevância. Todavia também nesse caso as aparências enganam. Os mestres ensinam para ganhar dinheiro e não visam à sabedoria, mas aparecer e receber o crédito de seus semelhantes; e os alunos não estudam para adquirir conhecimento e compreensão, mas para poderem falar e atribuir-se prestígio. – Arthur SCHOPENHAUER

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