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Casamento: uma instituição social degradante
14mar2009 Categoria(s): Sexualidade Autor: adv
Tentando dar uma clarificada na questão do casamento enquanto instituição social, suscitado no texto A mulher na visão da Igreja , deixo abaixo um trecho de um pequeno livro do psicanalista Reich. Embora suas contribuições à psicologia enquanto bases teóricas não vingaram muito, suas colaborações em relação à sexualidade são inegáveis. Questionava a moralidade que atravessa a sexualidade humana em suas dimensões sociais e culturais. Para ele, todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual, que não deveria estar subjugada à rigidez da moral.
Parte dos psicanalistas dizem que Reich é uma continuidade de Freud, outros discordam veementemente. A questão é que Reich introduziu o corpo como palavra na psicanálise: o corpo fala tanto quanto o verbal. Também, Reich introduz na psicanálise o princÃpio da “auto-regulação”, que advém da biologia; nesse sentido, corpo e “mente” formam um todo único, onde afetam-se mutuamente, sendo o organismo dotado de auto-regulação nas suas afetações com o ambiente.
Penso que a questão fundamental levantada por Reich, e que pouquÃssimo a Psicologia tem trabalhado, na qual não deixa de ser um tema que eu ainda penso em explorar, diz respeito à s torturas e crimes passionais que diminuiriam, assim como desapareceriam inúmeros fatores e causas de perturbações e conflitos psicológicos, caso a perniciosa moral que sustenta a sexualidade humana fosse denunciada e questionada pelas ciências, o que para Reich pouco se tem feito. Enquanto psicanalista e psiquiatra, Reich dizia que as enfermidades psÃquicas são consequências da situação de miséria sexual da sociedade, já que a saúde mental depende do potencial orgástico das pulsões sexuais.
Para além de psicanalista e psiquiatra, Reich foi um grande “historiador crÃtico” do extenso tema da sexualidade. Pesquisou muito a respeito dessa temática na primeira metade do século XX, buscando apontar causas de um estado de miséria sexual a qual os seres humanos estão engendrados. Isso culminou no lançamento do livro “A revolução sexual“, que inclui ainda, além de uma crÃtica à s bases morais da sexualidade, uma experiência na ex-URSS de como a sexualidade poderia ser trabalhada de forma mais satisfatória, o que na época, também não foi isenta de dificuldades. Por fim, Reich era contundente ao dizer que a espécie humana é a única que não satisfaz a naturalidade sexual.
Enquanto a sexualidade ainda é uma questão ocultada por perniciosas morais (escolástica religiosa principalmente), sendo assunto mascarado na famÃlia e na sociedade (a idéia de que vivemos tempos de liberalidade sexual não está isenta de uma rÃgida moral depreciativa da sexualidade), assistiremos jovens e adultos se matarem devido a atmosfera nefasta que gira em torno do “amor romântico”.
Casamento, amor romântico, sexualidade, identidade de gênero e sexo, entre outros, são temas bem amplos quando se pretende tomá-los sob um olhar crÃtico e que certamente ainda serão melhor abordados por aqui.
“Os diversos autores chegam a buscar os argumentos mais estranhos e absurdos para justificar a manutenção do casamento indissolúvel. Esforçam-se, por exemplo, por demonstrar que o casamento e a monogamia são fenômenos naturais, isto é, biológicos. Procedem a árduas pesquisas entre as espécies animais que, incontestavelmente, vivem sem leis sexuais, para daà isolar as cegonhas e os pombos que – temporariamente – vivem em monogamia, donde logo concluem que a monogamia é ‘natural’. Paradoxalmente, o homem deixa de ser um ente superior, incomparável aos animais, quando se pretende defender a ideologia do sistema de casamento monogâmico. Em contrapartida, quando se discute o casamento do ponto de vista biológico, esquece-se que a promiscuidade é a regra entre os animais; agora, subitamente, o homem volta a ser diferente dos animais e deve elevar-se a ‘um nÃvel superior’ de atividade sexual, ou seja, o casamento monogâmico. O homem, proclama-se, é um ‘ser superior’, com uma ‘moralidade inata’, e a economia sexual é combatida, porque demonstra, efetivamente, que essa ‘moralidade inata’ é uma ficção. Ora, se a moralidade não é inata, só pela educação pode ser incutida. Quem realiza essa educação? A sociedade e sua fábrica de ideologia, a famÃlia autoritária fundada na monogamia compulsiva. Isso basta para demonstrar que a famÃlia não é um fenômeno natural, mas uma instituição social. Quando se tende a admitir que o casamento não é uma instituição natural nem sobrenatural, mas, sim, uma simples instituição social, tenta-se de imediato provar que a humanidade viveu sempre na monogamia, negando-se quaisquer evoluções e mudanças das formas sexuais. Chega-se ao ponto de falsificar a etnologia, para estabelecer a seguinte conclusão: se os homens sempre viveram na monogamia, daà se pode concluir que esta instituição é indispensável à existência da sociedade humana, do Estado, da cultura e da civilização. Omitem-se todos os ensinamentos da história que demonstram terem também existido a poligamia e a promiscuidade sexual, as quais desempenharam papel de grande importância. Mas, para contornar essa objeção, a ideologia monogâmica substitui então O ponto de vista da moralidade inata pelo da evolução.” – REICH, Wilhelm. Casamento indissolúvel ou relação sexual duradoura? São Paulo: Martins Fontes, 1972.
gostaria de saber oque pode e o que nao pode fazer no casamento relaçao ao Sexo
julho 8th, 2009 at 17:02
Gostaria de saber o que pode e oque nao pode fazer no casamento em relaçao aoSexo
Milton
julho 13th, 2009 at 15:54
Esses pervertidos sexuais… vivem inventando teorias para justicarem as suas taras. hehe