Uma vez que o homem tenha razão para ser feliz, ou quando tenha encontrado um sentido para a sua existência ou quando estabelece uma relação afetiva com o outro, isso o torna feliz. A felicidade é uma consequência, a felicidade acontece, e deve-se deixar que ela ocorra. O que ocorre quando o homem luta diretamente pela felicidade? (…) Quanto mais o indivíduo se volta para a felicidade, ou quanto mais se envolve numa busca direta pela felicidade, é quando precisamente ele perde de vista a razão para ser feliz, e, consequentemente, a felicidade desaparecerá, já que para ele não há mais outra razão senão a de ser feliz. Não se sente mais motivado a ser feliz. Não mais preocupa-se com a busca do sentido de vida, ou a busca do outro; vê a felicidade como um objetivo imediato a ser alcançado. (…) O prazer é uma consequência natural, não o objetivo básico das motivações humanas, é uma consequência natural de um encontro com o sentido, a consequência natural de um encontro com um outro ser humano”. - Frankl, 1959 apud Erthal, T. C. S. Terapia vivencial – uma abordagem existencial em psicoterapia. Vozes: 1991.

O trecho acima traz em tona a “condenação” do homem em escolher para si as suas próprias dores e prazeres a partir da “busca da felicidade”: um vício que vem junto no bonde do progresso da modernidade, como se ela fosse uma substância a ser encontrada. Nessa perspectiva, ninguém mais senão o próprio indivíduo é que poderá dizer qual o sentido da vida. Claro que você não está sozinho no mundo, a liberdade de escolher a si mesmo do ponto de vista existencial só ocorre dentro da condição humana (não falamos natureza humana) dentro de suas possibilidades e com todo seu potencial. Diante da impossibilidade do absoluto o homem não tem como escapar da responsabilidade de inventar a si e aos outros a cada instante. Nesse mesmo sentido, de ser-com e ser-no-mundo, o homem mistura-se junto aos outros singulares, usa da literatura, das artes, do conhecimento: dos outros inventores da mesma forma que também se constitui um inventor aos outros – e na mistura das cores encontra as suas matizes, bem como inventa o seu próprio tom mas este nunca se cria isento de coloridos já criados – e faz de si uma obra de arte num incessante criar-se e destruir-se. Já lhe disseram que você é isso ou aquilo? E foi um doutor para variar? – Escolha outras cores e pinte-se!

Ninguém, senão você mesmo, poderá escolher por quais caminhos andar e encontrar seus próprios sentidos de vida.

as fases da vida - caspar david

Imagem: Friedrich, Caspar David. As fases da vida. 72.5 x 94 cm, 1835.

Esses links são para compartilhar o conteúdo em redes sociais ou por email.
  • Rec6
  • Ueba
  • Dihitt
  • DoMelhor
  • LinkTo
  • LinkLoko
  • TwitThis
  • E-mail this story to a friend!