Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
Caminhos e descaminhos deste Blog
27mar2009 Categoria(s): Pensamentos Autor: adv
Nietzsche em algum de seus livros nos fala sobre sua predileção pela escrita em forma de aforismos, pois estes exigem que o leitor pense ao invés de somente passar os olhos, não possuem o tom de verdade e as idéias podem ser postas livremente; o aforismo favorece a arte em detrimento da ciência que é gregária: um aforismo diz muito sem dizer. Ainda, o próprio Nietzsche, “inimigo” da “ciência”, criticava as páginas e mais páginas já escritas pelo homem: há muitos livros para poucas idéias, dizia. Dostoievski, através do seu personagem em “Notas do subterrâneo”, também nos apresenta ao homem: um ser que fala demais. Podemos ainda dizer que Camus, de certa forma também questiona que há muito “conhecimento” mas pouco disso é realmente um “conhecimento”, um exemplo é a questão da morte citada pelo autor: todo homem é mortal é uma idéia que a maioria dos homens “conhecem”, mas poucos são realmente afetados por essa idéia, daà a pergunta: conhecem mesmo? Através de Heidegger podemos interpretar que um “conhecimento” é aquele que tira o nosso mundo dos trilhos. Cioran, outro que escreve por aforismos, diz-nos, compartilhando com Nietzsche, que o homem é um “espermatozóide tagarela”, e também concorda que há muitos livros para poucas idéias.
De certa forma, um acadêmico academicista é um surdo-mudo diante da vida. A arte deveria estar permeada em TODAS as ciências. Não se forma um ser humano sem arte, sem poesia: formam-se apenas especialistas que olham o mundo como um ciclope.
Ante a pergunta de um acadêmico questionando para que serve a poesia na ciência ou na sua sagrada profissão, é necessário devolver a pergunta: para que serve a realidade?
Não direi que a ciência não deveria existir. Que os livros não deveriam se multiplicar como os vermes diante de um tenro defunto que acaba de chegar ao cemitério. Gosto de jogar as idéias no palco, a tão prestimosa solução que a ciência tanto busca não cabe à filosofia, o homem precisa ser reinventado a cada momento, como posso dizer o que é “certo” se não há uma estrela polar para o “certo” nem o “errado”?
Diante dessa ilustração, diante das condições de tempo a que inevitavelmente estou imerso no momento, sofrendo “golpes” de estágios prazerosos, (re)fazendo algumas matérias psicanalÃticas desprazerosas mas nem por isso diria que sejam inúteis (o Freud se sustenta no meu pensamento enquanto necessidade dos antagonismos e pela sua pequena “obra-prima” O mal-estar na civilização ), e do tempo desbotado dentro de uma organização por um quinhão do passaporte social, talvez, esse blog será mais recheado com aforismos, citações, músicas, e um monte de absurdos. Caberá ao leitor fazer a sua própria interpretação (sim, eu tenho leitores: alguns de carne e osso, e uma grande maioria são os fantasmas que eu imagino). Caetano Veloso poupa nossos ouvidos de livros e mais livros, de tagarelice e mais tagarelice e nos diz: cada um sabe a dor e a delÃcia de ser o que é.
Isso não significa que as casualidades não tragam por aqui os textos com pretensões explicativas, que devem ser apreciados, tais como todos os que aqui já passaram, através do delicioso licor de Caetano Veloso ora citado.
Aos amigos um mar de sofrimentos.
*Ilustração de Sandman? (se alguém souber avise por favor!)
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