Para Adorno as relações humanas na modernidade perderam o sentimento para com o outro e prevaleceram-se enquanto trocas instrumentais baseadas também em uma razão instrumental que permeia as relações e a produção. A razão instrumental é estéril de sentimento e compromisso, pois é uma intencionalidade dos homens enquanto reificação com as coisas. Nesse sentido não só o amor romântico mas todo o colorido do sentimento de amor sucumbe à ciência e à indústria. O filósofo-sociólogo que vocifera brilhantemente sobre os rumos da civilização não é só um demônio, o deus em Adorno se apresenta na delicadeza das relações micros e detalhistas dos humanos. No entanto, ainda é, me parece, um caminhar sem “esperança” e sem saída que é perpassado no pensamento de Adorno; creio que aí está o brilhantismo de Adorno: não ficar no meio do muro como certos pensadores paridos no atual momento que, embora consigam discernir sobre os descaminhos da civilização, se resguardam em suas trincheiras mantendo olhares otimistas quanto às “maravilhas” produzidas pelo homem.

(…) entendo por barbárie algo muito simples, ou seja, que, estando na civilização do mais alto desenvolvimento tecnológico, as pessoas se encontrem atrasadas de um modo peculiarmente disforme em relação à própria civilização – e não apenas por não terem em sua arrasadora maioria experimentado a formação nos termos correspondentes ao conceito de civilização, mas também por se encontrarem tomadas por uma agressividade primitiva, um ódio primitivo ou, na terminologia culta, um impulso de destruição, que contribui para aumentar ainda mais o perigo de que toda esta civilização venha a explodir, aliás uma tendência imanente que a caracteriza. – Adorno, T.

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