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A ditadura do “toque de recolher”
26abr2009 Categoria(s): Sociedade Autor: advEm Ilha Solteira e Itapura foram adotados o “toque de recolher”: proibição de jovens menores de 18 anos ficarem em ruas e locais públicos após as 23h. A decisão foi decretada pelo juiz Fernando Antônio de Lima, da Vara da Infância e Juventude de Ilha Solteira. Um monarca?
Não, mas é um dos “dispositivos” que as sociedades modernas utilizam para nos reviver dos tempos ditatoriais, absolutistas e moralistas por onde se entrecruzam as “palavras de verdade”. Para o sr. juiz isso é um ato nobre que busca “salvar” os filhos da “perdição” – cristianismo aplicado socialmente. Moralismo e disciplina em nome de supostos valores tidos como bem-maior, mas valores de quem? Dos dispositivos que anunciam as palavras de verdade.
Muitos pais veem a situação como uma ajuda para a própria educação dos filhos. O discurso que vê a medida como necessária, dos pais e das autoridades, é carregado de alto valor moral, disciplina e controle social, porém completamente cego e ingênuo, na medida em que ao invés de promover políticas públicas que garantam a segurança da população e o bem-estar social, opta pelo caminho da autoridade, que não admite diálogo nem singularidade, pois as verdades estão dadas no moralismo pessoal de quem compactua com o “toque de recolher”.
O “toque de recolher” mostra o fracasso da organização democrática, na medida em que as autoridades começam a usar o poder da censura e da coerção; mostra a falência das instâncias públicas e o despreparo daqueles que deveriam trabalhar em prol da população e não contra.
Entre as justificativas dos senhores moralistas que defendem o “toque de recolher”, estão valores como: na rua só se aprende o que não presta; os jovens que ficam nas ruas não desenvolvem a vida em família; quem fica na rua até tarde não vai bem na aula pois não dorme bem; jovens até tarde na rua ou estão bebendo ou usando drogas; a lei ajuda os pais a manter a educação dos filhos, etc. – Eis a nossa democracia, uma democracia cristã em prol da insanidade social.
Nesse sentido, ocultada em uma suposta benfeitoria à população, de proteção e bem-estar, revivemos um pouco de elementos ditatoriais e vitorianos: é preferível usar a coerção resguardada em um falso moralismo ao invés de buscar a promoção de políticas públicas que contribuam para garantir que as pessoas possam gozar da liberdade de viver com os outros em harmonia, nesse rol, poderão entrar inúmeras benfeitorias que um homem precisa ter garantido para viver com dignidade, o que cada vez mais fica fora de questão do itinerário governamental.
Parece que para esses vitorianos dos tempos atuais, jovens que supostamente preferem ficar na rua namorando, compartilhando momentos de alegrias e amor, entre outras atividades, e que certamente gostariam da proteção pública para se sentirem seguros simplesmente por viver, não existem. A rua, devido a incompetência pública, já não é lugar de pessoas se encontrarem e viverem em harmonia, pelo contrário, é passarela pública das drogas, bebidas, violência, prostituição e outras mazelas sociais das quais as instâncias públicas não tem outras formas de combater senão através da criação de leis que em certo sentido mostram a submissão do Estado ao crime. Ao invés de investir em educação, emprego, dignidade social e bem-estar à população, são criadas leis subvertidas como essas que buscam coibir não o crime, mas os jovens e a população.
Essa é só uma face, das múltiplas faces de horror e medo que estampam homens e mulheres trancafiados em suas casas com grades em janelas e portões, TV e internet que dão a falsa ilusão de liberdade, carros blindados e corporações financeiras.
Sandra Silveira
abril 27th, 2009 at 15:58
Podem ter a certeza de um retorno muito bom com essa medida do “toque de recolher”!! Não há arbitrariedade alguma nessa medida,pois nossos adolescentes e jovens,só aprendem e fazem coisas das piores espécies depois de um certo horário é bom que permaneçam em casa!!! Tomara que isso venha acontecer em todo o País!!
adv
abril 27th, 2009 at 20:10
@Sandra Silveira: é melhor aprender com a TV né? obrigado por dar uma mostra de um pensamento limitado! Todos os jovens só aprendem as “coisas das piores espécies”? Na rua, após certo horário, só se “fazem coisas das piores espécies”? E se os idosos forem proibidos de andar sozinhos nas ruas após as 23h? E se então os adultos também fossem proibidos de circular nas ruas após as 23h porque eles também fumam, bebem, se drogam… e fazem amor? E se a Sandra Silveira fosse também, encarcerada dentro de sua casa, porque há alguém que supostamente sabe o que é melhor para ela?
João Paulo
abril 28th, 2009 at 13:36
Que absurda essa lei! Está com cara de ditadura. Onde vamos parar?
Gabriel
maio 6th, 2009 at 4:47
Nada a ver, cara. Eu sou menor e gosto dessa lei. Vocês deviam se envergonhar!
João Paulo
maio 6th, 2009 at 4:58
Provavelmente você tem internet e computador em casa. E quem não tem? Além disso, a justiça deveria combater os males que existem na rua da forma correta, fiscalizando e punindo quando necessário, e não simplesmente impedindo todos de sair na rua. A liberdade é algo imprescindível, ninguém pode tomar isso de nós. Ah, eu sou maior.
Vivian Schneider
julho 13th, 2009 at 11:01
Os nossos jovens aprendem coisas ruins em TV,RÁDIO,INTERNET.Não vai ser prendendo eles em casa ás 10:00 (pm)que eles não vão fazer coisas erradas.Ao sair da escola em vários lugares .Agora venhamos e convenhamos não são “todos” os jovens que ultrapassem um horário estejam cometendo um ato de vandalismo.Cada um tem na cabeça a cansequência sobre o que vais fazer.
Os policiais são pagos só pra prender ,poruqe não cuidar mais da cidade e deixar os jovens cada um com o seu direito de ir e vir…..Assim os jovens aprendem a respeitar mais os policiais!!!!!
Maycon Dantas
julho 22nd, 2009 at 8:06
Ótimo texto, parabéns pela iniciativa. Em meu blog publiquei algo parecido. Essa lei é um absurdo e é sim um retorno de um passado assombroso que foi a ditadura… Temos que ler pelas entrelinhas as notícias que nos são passadas e no que isso pode acarretar futuramente, logo teremos pessoas exiladas se continuarmos a aceitar esse tipo de arbitrariedade.