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Hipertrofia muscular – ideal ou corpo?
25mai2009 Categoria(s): Pensamentos Autor: adv
Há um velho ditado de academia muito sábio por sinal, que diz o seguinte:
A hipertrofia é baseada em um estilo de vida animal, então:
Treine como um cavalo.
Coma como um leão.
Durma como um urso.
Eu acrescentaria que tudo isso só vale a pena se você realmente sentir prazer no que faz. Se você treina para os outros, isto é, pretende fazer do seu corpo um objeto de desfile pelas praias, então é melhor re-pensar o seu próprio “self”, ou a imagem que você tem de si mesmo.
Há uma grande diferença entre a forma como você cultua seu corpo. Há o marombeiro que treina pensando na sua imagem no espelho refletida ao outro, e há aquele que treina auscultando cada poro do seu corpo, faz dele uma obra de arte juntamente com o pensamento e nesse processo potencializa o próprio viver.
No primeiro caso o indivÃduo se pauta por uma idéia, está subjugado a um forte ideal de corpo e não a si mesmo; é o mais fácil de encontrar hoje em dia embora não é raro ouvir as pessoas dizerem que vivemos em uma época onde se cultua o corpo e não os ideais: pelo contrário, a maioria das pessoas que “cultua” o corpo bate continência a um ideal e segrega seu corpo ao desejo do outro.
Por outro lado, no segundo caso, há as pessoas que treinam por prazer, não necessariamente para hipertrofia, mas qualquer atividade fÃsica onde fazem do próprio corpo uma forma de expressão para si seguindo sobretudo os seus pensamentos: corpo e pensamento nesse sentido estão interrelacionados e potencializam o viver.
De acordo com Csikszentmihalyi, quando uma atividade se assemelha ao lúdico da brincadeira e do jogos, quando esta adquire a variabilidade de desafios adequados e flexÃveis, com metas claras e retorno imediato de satisfação, maior é a chance de representar uma experiência significativa para o indivÃdio.
Assim, não se intimide em ser um “marombeiro”: suplementar e alimentar-se como um leão, dormir como um urso e principalmente, treinar como um cavalo. Mas lembre-se: estou fazendo isso por quem? qual o sentido disso para mim?
Tomei como ponto de partida o exemplo da prática da musculação por ser algo que é significativo para mim, mas há várias formas de experienciar o próprio corpo-pensamento em ação. A dança, a pintura, a corrida, o jogo de futebol ou outras modalidades, e até mesmo nao fazendo prática esportiva alguma, a questão é a nossa atitude perante o nosso corpo: o corpo não deve ser silenciado em nome das idéias, nem as idéias devem ser silenciadas em nome do corpo. Corpo-pensamento em sintonia potencializa o prazer diante do vir-a-ser.
Do contrário, quando se busca cultuar o corpo pelo outro, haverá de chegar um momento onde os desprazeres suplantarão a euforia inicial, pois fazendo pelo outro é necessário sufocar muito dos nossos desejos.
Os gregos já sabiam da importância do corpo para o homem como forma de expressão e de prazer a muito tempo.
CSIKSZENTMIHALYI, M. A psicologia da felicidade. São Paulo: Saraiva, 1992.
Imagem: Bronces de Riace.
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