Leitor e admirador de José Saramago, após ler quase todos seus romances que para mim são pura filosofia em forma de arte, continuo a me emocionar com as curtas mensagens que o escritor deixa em seu blog: poucas palavras, mas de incomensurável relevância.

“O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo.” -Desencanto, José Saramago.

Na semana passada ele nos brindou com um questionamento. Em meio a crise econômica, alguém ouve dizer sobre crise na indústria de armas? Greve de trabalhadores da indústria de armas? Diz-nos:

“Toda a vida tenho estado à espera de ver uma greve de braços caídos numa fábrica de armamento, inutilmente esperei, porque tal prodígio nunca aconteceu nem acontecerá. E era essa a minha pobre e única esperança de que a humanidade ainda fosse capaz de mudar de caminho, de rumo, de destino.”Armas, José Saramago.

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