O passado e o futuro não existem. Só existe o aqui-e-agora. O aqui-e-agora traz consigo o passado significado no agora, assim como o futuro também não é senão o futuro significado no agora. Mas o presente nunca é, ao tentar “pegar” o presente ele nos escapa em passado e se vê presente no futuro.

Ao lembrar de um evento passado, este é uma lembrança significada no agora: o cheiro da amada perdida hoje não é o mesmo que foi no passado, assim como o cheiro da amada presente não é o mesmo quando foi no dia do primeiro encontro.

Muitos ainda estão presos em busca de seus “traumas” passados como forma de explicar o presente, dessa forma não se constituem como pessoas abertas ao devir, pois se mantêm ocupados e concentrados na atividade de revirar as sepulturas tentando ressuscitar os mortos. Outros muitos também se fecham ao devir, pois sonham demais com o futuro que ainda não é, e não será pois o futuro nunca vem exceto na bela surpresa da morte. Mas onde a minha morte estiver eu não estarei, e onde estiver a minha morte não estará, diz Sêneca.

Nada existe exceto o aqui-e-agora. O passado e o futuro sou eu no aqui-e-agora, mas o aqui-e-o-agora também não existe pois a cada vez que se pensa em separar o “agora” ele nos escapa ao futuro ou se congela em passado. Somente nesse paradoxo é que o ser que funda o tempo se descobre como pura liberdade.

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