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É necessário ter estômago de hiena para digerir Olavo Carvalho
22jun2009 Categoria(s): Sociedade Autor: advOlavo de Carvalho é considerado “filósofo” e jornalista brasileiro. Participante de um movimento de esquerda na sua juventude, hoje é um dos crÃticos dos movimentos esquerditas – existe alguma diferença entre os direitistas que justifique dizer esquerdista senão extremistas para ambos os lados?. O mesmo não chegou a concluir o curso de Filosofia iniciado na PUC, no entanto, ele mesmo se intitula filósofo – tudo bem, não quero supor que só pode ser filósofo quem tem o alvará institucional!
Carvalho não reside no Brasil, reside nos EUA e faz de alguns campos sociais do Brasil os seus principais alvos de crÃtica, entre eles, parte da intelectualidade. Também odeia a filósofa Marilena ChauÃ, a USP, os “uspianos” e uma lista de movimentos sociais que entra no seu rol de desafetos. Já trabalhou, entre outros, como colunista do jornal “O Globo” e na revista “Época”, sendo desligado por razões que o mesmo considera inexplicadas. – Mas certamente que cargos nesses meios muito diz sobre Olavo Carvalho.
Olavo costuma aparecer sentado sobre uma estátua de Lênin, ironicamente, em razão das suas idéias – digo, ideologia – não suportarem o comunismo. Rótulo este que Carvalho costuma designar para quem não seja complacente com o que ele pensa, também usado como sinônimo de narcotraficantes, assassinos e delinquentes.
Esses dados rasos, salvo os grifos que são comentários meus, obtive através do Wikipédia. Passo então ao site pessoal do Olavo Carvalho, para uma análise não profunda, mas não meramente informativa.
Olavo diz em seu site que está nos EUA com uma missão (Apelo urgente de Olavo Carvalho a seus leitores). Seu papel e seu discurso são semelhantes ao de um higienista. Carvalho objetiva denunciar os podres do Brasil ao maior número de pessoas. Para ele o Brasil está infestado de esquerdistas: “O objetivo imediato é conscientizar a elite americana da loucura que faz ao dar suporte polÃtico, jornalÃstico e financeiro a organizações latino-americanas de esquerda que, por baixo de uma persuasiva máscara democrática e legalista, conspiram com o Foro de São Paulo para a disseminação do caos revolucionário no continente.” – Não, não duvide, é realmente a elite americana que esse apóstolo polÃtico quer exortar para a limpeza polÃtica.
Essa espécie de filósofo que age enquanto um “polÃtico não-polÃtico frustrado”, chega a ingenuidade de afirmar que: “Primeiro: os EUA não são o Brasil, onde o Executivo pode mudar o curso das coisas a seu belprazer. Aqui, tudo depende de longas discussões, da conquista dos corações e mentes da elite formadora da opinião pública, do exercÃcio, em suma, da democracia. No Brasil, já nem sabem o que é isso.”
Olavo é orador do Tio Sam, e é de lá do aconchego do paÃs que ele chama de real democracia, que ele vê um Brasil infestado de esquerdistas, infestado por um bando de pobres e intelectuais de elite, com estopins para movimentos reacionários e ideológicos. Cabe aqui uma correção da minha parte: não é só no Brasil, Olavo começa no Brasil, mas enquadra a América Latina inteira como um caldeirão fervilhando de idéias reacionárias. Olavo, profeta da ordem, quer fazer o papel de uma espécie de anjo-da-guarda da democracia estadunidense, o derradeiro cordeiro que vai denunciar esse mar de assassinos e delinquentes comunistas localizado na América Latina.
Nesse nobre papel de delinquente – desculpe-me Olavo por usar o seu termo preferido -, esse pseudofilósofo e polÃtico sem cargo polÃtico, pede a colaboração dos seus leitores para custear suas ações “benfeitoras” para convencer os nobres senhores democradas dos EUA a “limpar” a América Latina: “Para isso, usei de todos os recursos com que contava: conferências, artigos, cartas, telefonemas, distribuição de provas e documentos, inumeráveis conversações pessoais. De vez em quando coloco no meu site algumas amostras do que tenho feito.” – diz-nos Carvalho sobre o seu militarismo, diz-nos Carvalho sobre a profusão de seus miasmas ideais.
Perguntemos: por que Olavo não luta aqui no Brasil para limpar seu paÃs de reacionários, intelectuais de elite e partidários ideológicos? Por que ele correu debaixo da saia americana para pedir ajuda para limpar a América Latina? Limpar mais do que já fizeram os europeus e os norte-americanos? – Olavo, fique por aà mesmo, ao lado da elite americana avançada no progresso e na ordem.
Não estou aqui exercendo patriotismo e tampouco chego a ingenuidade de achar que lá na “democracia americana” as coisas realmente funcionam como deveriam. Isso não é uma crÃtica a Olavo, dizem que para fazer uma crÃtica é necessário conhecer a obra do autor, nobre trabalho, pois é necessário ser delinquente o suficiente para conseguir mergulhar no rio poluÃdo de idéias degradantes que Carvalho oferece. Cheguei a ler um artigo estupidamente insensato de Carvalho (Relendo Nietzsche) onde o mesmo compara Nietzsche a um metafÃsico que apela aos instintos: sejamos complacentes, afinal, Olavo abandonou o curso de Filosofia. É necessário ter estômago de hiena – quem sabe de abutre ou urubu – para conseguir digerir os livros de Carvalho.
Esse filósofo de quinta categoria, combatente dos extremistas por extremismo, coronel sem cargo polÃtico, mostra-se como um grande religioso do liberalismo norte-americano. No mundo desse sádico liberal só existem dois grupos, os de esquerda e os de direita, os que ficam no primeiro grupo, de Marx, Fidel e Che Guevara, são assassinos, narcotraficantes e delinquentes; os do segundo grupo são avançados e eruditos. Em resumo, o primeiro diz respeito a América Latina, o segundo aos Estados Unidos.
Para esse religioso do liberalismo e súdito da democracia estadunidense, o critério primário é verificar se se é de esquerda, se for não é possÃvel iniciar conversa com a nobreza dos pensadores liberais.
Enfim, deixo Olavo Carvalho por aqui, ou por lá, onde exerce um patriotismo mais fervoroso que um americano da elite. Não se deve levar muito a sério esses parvos intelectuais de elite – novamente peço desculpas ao Olavo por usar seu próprio rótulo contra ele mesmo -, é necessário dar-lhes o direito de fazerem seus grupinhos de orgias degradantes. Que fique ao Renato Azevedo, ao Diogo Mainardi e ao Arnaldo Jabor a boa-ação de contribuir com o extremismo higiênico de Olavo Carvalho.
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