A ciência é uma velha senhora remontada do demônio de Sócrates que tem como função detectar a desordem, o caos, o problema, o débil, o déficit, o errado, a mentira e mais do que isso, ela quer corrigir o que a ela não convém de acordo com os seus princípios teóricos. Meras invencionices, progresso à custa da barbárie, técnica aprimorada como foice para a vida e para o trágico.

A imprensa que a todos nós atinge, ditando identidades e valores, é onde o bárbaro desfila seus inéditos repetidos em versões aumentadas e falseadas. Reparemos em uma só emissora, seja impressa ou eletrônica, quantas vezes a violência é repetida em seus vários noticiários e nas várias deturpações do real: eles simulam o crime, convocam os criminalistas e os peritos, mudam os repórteres, apelam para os transeuntes, infernizam a família das vítimas com suas estúpidas perguntas de por quês. Já não basta o real da violência, eles precisam aumentar e maximizar para inundar a vida das pessoas como sendo unicamente um mar de violência.

Mas os agitadores da imprensa só colocam o real nas lentes de hollywood, para prescrever as soluções eles apelam para os especialistas do assunto, esses tagarelas convocam os espíritos platônicos e socráticos para desabar um céu de verdades sobre as pessoas que costumam acatar suas prescrições e desfilar por aí em embalagens de inteligência para explicar o mundo segundo tal e tal dogma científico.

Esses truões, que se juntam a várias outras vozes, se aproveitam do medo enquanto sentimento próprio ao homem e o fazem a sua própria efígie que agora desfila em pânico sobre duas patas. O medo natural alimenta a superação, mas o medo instaurado como pathos alimenta as relações de poder e saber. O medo é algo que o capitalismo sabe muito bem como aproveitar, é fonte fundamental para as explosões de consumo e na manutenção do confinamento do homem no shopping, na segurança do seu lar onde ele consome entretenimento, na exploração do seu trabalho, na política, nas relações cotidianas de homens e mulheres, etc. O medo não faz a vida ser trágica, sofrimento e prazer, mas a torna perigosa. Como estratégia de exploração é sentimento desgraçante por excelência pois tem a capacidade de tornar vidas impotentes e passivas.

Segue a civilização, um complexo que dentre as suas várias faces apresenta a crença na razão como poder absoluto e a especialidade em ceifar a vida para moldar corpos dóceis voltados para a disciplina e ao processo produtivo até que o prazo de validade desses componentes se expire.

É necessário imaginar Sísifio feliz.

Esses links são para compartilhar o conteúdo em redes sociais ou por email.
  • Rec6
  • Ueba
  • Dihitt
  • DoMelhor
  • LinkTo
  • LinkLoko
  • TwitThis
  • E-mail this story to a friend!