Já expressei por aqui meu repúdio às touradas, em conto, ou expressando meu prazer pela dor do toureiro. A civilização enquanto barbárie é algo que perpassa meu pensamento sobre qualquer questão sobre a demoníaca organização social, cultural, global a que chegamos. Mas em se tratando de pintar um quadro do terror com as palavras, de modo que nos faz sentir o sangue fresco de um touro agonizante no meio da euforia das massas, e o próprio coração querendo saltar pela boca, num sentimento de profundo desejo para que o mundo, esse inaudito da matéria, se sucumba em totalidade e que a vida possa continuar sem essa besta que anda sobre duas patas… essa capacidade tão crua de descrever as brutalidades humanas é sem igual em José Saramago: refiro-me ao post Espanha negra publicado recentemente pelo autor, na qual mais uma vez senti o tão peculiar sopro do horror nas entranhas a partir das cruezas do homem.

Lembro-me ainda, das primeiras páginas do “Evangelho segundo Jesus Cristo“, onde tão difícil foi passar da narração sobre as festas sangrentas oferecidas ao Deus beberrão desse líquido da vida.

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