O trecho abaixo é por si só explicativo, ainda, a ansiedade pode aqui ser perfeitamente compreendida também como angústia.

A mente humana é não só, como disse Calvino, uma fábrica permanente de ídolos, é também fábrica permanente de medos – a primeira visando evitar Deus, a segunda visando escapar à ansiedade; e há uma relação entre as duas. Pois olhar de frente o Deus que é na verdade Deus significa também olhar de frente a ameaça do não-ser. O “absoluto nu” (para usar uma expressão de Lutero) produz a “ansiedade nua”, porque é a extinção de qualquer auto-afirmação finita, e não um possível objeto de medo e coragem. Mas, basicamente, as tentativas de transformar ansiedade em medo são vãs. A ansiedade básica, a ansiedade de um ser finito ante a ameaça do não-ser, não pode ser eliminada. Pertence à existência mesma.

A coragem de ser. Tillich, Paul. Paz e Terra: 1967.

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