Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
O mais otimista dos otimistas não é um otimista, antes é aquele que vê a dor e a miséria do mundo com toda sua crueza e sai correndo para debaixo da sombra das palavras bonitas e esperançosas. O otimista mais covarde nega qualquer tipo de desgraça para acreditar que no final tudo irá dar certo, pois os conflitos tendem a se harmonizar diante de “pensamentos positivos”. A lógica do otimista mais sensato não é negar a desgraça, antes dizer que ela existe mas que também há os encontros felizes entre homens e mulheres, o nascimento de um bebê que enche de alegria um lar, o sorriso daqueles que se reencontram após longos anos de espera, os afagos e as delÃcias de um inestimável animal de estimação, as palavras do poeta e uma variedade de dádivas capazes de alegrar a vida de homens e mulheres…
Devo concordar com esses senhores, tampouco é necessário ser otimista para perceber tais aspectos da vida, não restou ao homem outra coisa senão retirar das entranhas da miséria e da dor do mundo suas migalhas de felicidade para suportar e até mesmo amar sua existência.
Só posso pensar um mundo de dor e miséria com o homem, algo que para Schopenhauer pouco importa, pois o mundo é dor e miséria por si mesmo. Ora, um mundo sem o homem é o que só pode estar mais próximo de uma definição de paraÃso. No amor e no ódio das santas famÃlias aos deserdados pelos pais, o inferno são os outros.
Um mundo-humano de miséria e de dor não é um mundo sem alegrias, mas um mundo onde toda alegria só pode ser o instante em que o homem goza do calor de uma centelha de fogo acesa sob uma tempestade, pois a desgraça geral é a regra. E é só por estar sob uma tempestade é que essa centelha tem o calor tão prazeroso tal como é sentido e estranhado diante da linguagem do homem que não consegue dizê-lo.
A alegria e a beleza não podem existir sem a dor e o horror. Mas diferentemente do cristão que vê na dor a causa para que ele possa provar seu valor diante de Deus, imiscuÃda da negação desse mundo, essa dor é a presente neste mundo do agora, não é nem necessária nem desnecessária, simplesmente é dos encontros entre os homens e o mundo, e tal como é passa a ser compreendida como inexorável à vida.
Um dia pior que o outro, outro dia tendendo a ser o pior… caminhar à sepultura com a música ou a blasfêmia nos lábios são escolhas possÃveis. “Sejamos felizes, tudo vai mal.”
André HP
janeiro 30th, 2010 at 18:51
Às vezes, tenho a impressão que isso é biológico. Sendo ou não, pouca diferença faz. O tédio existencial não tem alÃvio.