Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
Para que tantos diplomas? Tanta avidez por falar vários idiomas? Tanta euforia com teorias? Que obsessão é essa que acomete os doutores, acadêmicos e cientistas, esses senhores eufóricos, idólatras da razão e do conhecimento, dogmáticos dos conceitos, viciados em lógicas de linguagem…
Esses cultuadores da razão, demagógicos de uma suposta cultura superior, prometem melhorar o homem, e o que eles fazem é afundar o homem tanto mais se enredam em seus alucinógenos de sabedoria. Ciências… ciências… reino demonÃaco, fábrica de aberrações, produção em série e artificial de mentes e corpos. Sua função não é outra senão ser um moinho contra a vida. Dispensa-me das suas justificativas, desse otimismo pedante e moralista, o seu canto de sereia nunca foi outro senão o de prometer a melhoria do homem, e cada “melhoria” é mais um dispositivo que faz a vida amedrontada e aviltada … a vida de carne, osso e sangue.
Dirão que o problema não é da ciência, mas dos fins que se destinam à ciência. Não! Sem novas teorias! Não há fim possÃvel à ciência que não um fim qualquer que irá gerar mais catástrofes: correções e melhorias para as catástrofes já instaladas gerando novas catástrofes num cÃrculo vicioso e sem fuga, eis aà a ciência chamada de ponta.
Todos vocês, doutores, acadêmicos, cientistas, profissionais, poliglotas, cultos, polÃticos, vocês reformadores da vida, buscam incessantemente dominar a vida em busca da felicidade, mas não percebem que a felicidade jamais esteve aà nessas perfumarias cultuadas pela razão: que cega convicção é essa de não desconfiar dessas virtudes cultuadas no nada que tem o homem como próprio autor e interessado?
Procure a felicidade entre os estrumes dos animais, o arrotar, o peidar (sim! palavras que envergonham vossa sapiência) e entre os homens-da-terra, os mais rústicos, dos quais vocês olham com aquele caracterÃstico desprezo disfarçado pela jactância do homem culto da civilização moderna, pode ser que descubram aà algo bem mais voluptuoso do que todas as malditas páginas de livros já escritos.
Mas me perdoem caros homens do saber, doutores e mestres, não se sintam prejudicados nem tomem tais palavras como uma apologia inimiga da razão e do saber, isso aqui não pode passar de palavras vãs e sem fundamento perante o anjo da ciência que faz imponente vigÃlia sobre os seus miseráveis filhos que aqui jazem condenados à s suas infelizes vidas prognosticadas nos mais virtuosos berços do conhecimento, graças as inúmeras necessidades artificiais com que agora são obrigados a atender.
Povos, sabei, pois, de uma vez por todas, que a natureza quis vos preservar da ciência, como uma mãe arranca uma arma perigosa das mãos do seu filho; que todos os segredos que ela vos oculta são outros tantos males dos quais vos resguarda, e que a dificuldade que vós encontrais em vos instruir não é o menor dos seus benefÃcios. (ROUSSEAU, J-J. Discurso sobre as ciências e as artes)
André HP
janeiro 30th, 2010 at 18:45
O mais fantásticos nos textos não é o conteúdo entusiasmante e entorpecente, mas sim a forma com que as ideias são transpostas.
Abraço!
Carlos
fevereiro 1st, 2010 at 20:06
Olá!
Será que hoje podemos conceber a vida desatrelada dessa idéia cientifica ?
Gosto de algumas coisas que as ciências estabelece.Mas meu culto será sempre à vida.Talvez os poetas expliquem com sua verdade subjetiva melhor do que a erudição dos doutos.
Adorei o texto.
Mas fiquei pensando se terÃamos como ter um mundo dionÃsico hoje ? Parece que Apolo quer quadricular tudo.
Abraço
adv
fevereiro 8th, 2010 at 17:59
@Carlos: olá Carlos, também não consigo imaginar um mundo dionisÃaco, nem só dionisÃaco, mas talvez um mundo onde dionÃsio tivesse predomÃnio sobre apolo, mais estético do que esse culto pelos quadriculados da verdade. Grato pelo seu comentário.