Quando nossos olhares se cruzaram desejei que o mundo se congelasse naquele instante com você naquela posição e em nenhuma outra mais, só para que eu pudesse contemplar-te sem ser visto. Dasein imediatamente me frustrou: à experiência de estar exposto ao olhar do outro e não poder escolher não ser visto me pesou às limitações da corporeidade.

A existência é exposta ao olhar, à interpretação e à compreensão do outro. Dasein não pode ocultar-se do mundo, Dasein é ser-com-os-outros. Pode negar, mas não pode fugir dos entes. Dasein não precisa de um movimento da consciência para iluminar os entes, estar-aí-no-mundo já é tudo; os entes se iluminarem na clareira do ser já é a própria condição do homem de significação e des-velamento do ser: interpelando no agora o que ainda poderá vir-a-ser e o que já-se-foi re-significado no agora.

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