Os pensamentos de Freud e Marx exigem, necessariamente, uma volta ao passado e, mais do que isso, um lugar de destaque para os cadáveres-históricos como determinantes ou terrenos por onde se processam o presente. Freud, no inconsciente, nos remete sempre a um teatro privado de retorno ao pai e a mãe; e Marx dá à História a outorga de um “tribunal superior” que define o presente.

Acaso, caos, sem sentido, absurdo e esquecimento são palavras de um vocabulário abjeto a esses dois pensadores. O esquecimento, um elemento fundamental na filosofia de Nietzsche para a força criativa, do que faz surgir o novo, ainda que se tenha que destruir o passado, está nas linhas do trecho abaixo do “Anti-Édipo” de Deleuze e Guatari.

Reflita. Ainda que a temporalidade do já acontecido seja uma dimensão da qual não podemos negar, pois o passado está presentificado em nós, usá-lo para explicar o presente pode ser uma covardia: nessa lógica ele não é senão um depositário nosso, dos vivos sobre os mortos. Temos o direito de dizer o que foi o passado se não o vivemos? Isso não é risível?

O marxismo e a psicanálise, de dois modos diferentes, falam em nome de uma espécie de memória, de uma cultura da memória, e falam também de duas maneiras diferentes em nome das exigências de um desenvolvimento. Acreditamos, ao contrário, que é preciso falar em nome de uma força positiva do esquecimento, em nome do que é para cada um seu próprio subdesenvolvimento, o que David Cooper chama tão bem de o terceiro mundo íntimo de cada um.

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