Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
Dias e noites que nunca se deram conta quem são os homens e mulheres que desaparecem no efêmero da vida. As vidas humanas sempre foram uma tragédia. Anteriormente a qualquer ideologia polÃtica e econômica, anterior a qualquer valor dos valores lá está a condição humana, o que parece uma eternidade de dor e sofrimento com a efemeridade do prazer condenada ao deixar de existir que não é somente um <deixar de existir>. Somos em civilização acontecimentos de dor e sofrimento. Em histórias de vida singular, somos acontecimentos de dor e sofrimento com instantes de alegrias e prazeres.
A história da humanidade é uma história de horror da qual não se consegue perceber que poderia ser de outra maneira sem apelar para outros mundos que não esse do homem de carne e osso dilacerado pelos acontecimentos que esculpem as tragédias. Vida humana… acontecimento ingênuo com potencial de sofrimento na indiferença do mistério de um universo absolutamente calado.
Este é o fundo. Mas quem nunca sentiu, por mais horrenda que estejam as circunstâncias, a potencialidade dos momentos em que se acontece com alegria e prazer? E isso é tão possÃvel quanto o festival de dores do mundo. Tratar de conseguir o máximo de encontros de prazer e alegria enquanto se está no hospÃcio da vida, ainda que o sem sentido reine soberano em todas as coisas, é o único otimismo que meu pessimismo jamais deixará de ter.
A mesma carne que sente os efeitos do dilaceramento do absurdo de existir, também sente os efeitos epifânicos quando se embriaga com a alegria e o prazer, que acontecem também no absurdo do existir. E talvez só saiba o quanto vale o epifânico porque é tão acostumada a ser torturada pela angústia que corrói a alma e pela dor que esquarteja a carne.
Viver à espreita dos encontros que trazem brisas de alegrias em meio ao vendaval incessante da morte que arrasta tudo o que vive é tão prazeroso que a maneira que me ocorre como sendo a mais “eficaz” de recusar a injustiça do <eu irei morrer> é esta: ser arrastado na crueza da vida aspirando todos os possÃveis bons ares.
Que a vida seja um absurdo sem sentido. A carne desconhece o que é ou deixa de ser absurdo e sem sentido, basta a ela ser atravessada por prazer ou desprazer, simplesmente desprazer e prazer, e ela sabe o que lhe é o modo mais potente. Mas o homem, o animal doente por excelência, pode tanto violar quanto aumentar essa afecção. Condenado ao pensamento, ao simbólico, à consciência, pobre homem, quase não sabe que o pensamento nada sabe e é aÃ, por ser nada, que está o seu maior trunfo; pois podem surgir tantas interpretações e avaliações possÃveis de vida “boa” como “ruim”.
Que a história da humanidade sempre me foi e continuará sendo o progresso do execrável, como sucessão de horrores ao longo de gerações, é uma percepção que me acompanha, mas também estou convencido de que alegrias e prazeres existem no execrável, e são incrivelmente deliciosos… e aà do horror podem surgir as múltiplas faces de beleza.
Lutti
julho 1st, 2010 at 17:38
Parece-me que o pensamento de quem escreve(identificado como adv) é um pensamento filosófico totalmente Nietzschiano, principalmente por suas intensas criticas ao modo cristão de crença evida e pelo nome do blog, que em minha visão veio do conceito de Nietzsche do eterno retorno.
Mas devo dizer que concordo plenamente com as suas criticas. Mas vc é formado em filosofia?
adv
julho 4th, 2010 at 16:48
@Lutti: olá Lutti, obrigado pelas palavras; minha relação com a filosofia é da experimentação do pensamento e consequentemente da vida; não sou formado em filosofia e não tenho interesse nesta enquanto conhecimento ‘escolástico’. Tenho muito apreço por Nietzsche e muito da minha visão de mudo é influenciada por tal pensamento, é um filósofo com qual “dialogo” muito, mas não sou ‘nietzschiano’ se considerar por este termo um ‘seguidor’.
abraço