As cordas e os quarks, algum conhecimento sobre física quântica, de uma perspectiva estética, é perspectiva que faz o mundo re-surgir como a mais bela obra de arte.

Com quarks e cordas vê se o mundo musicar e poetizar, e a vida flui no fluxo das vibrações, das relações de forças, do irremediável mistério do mundo.

Pode-se ter outra perspectiva com a quântica, o cientista pode querer calcular as vibrações das cordas, descobrir posições, números, formas, número de dimensões e arrancar o enigma do mundo às conclusões de verdade científica.

Nada disso me interessa, daí absorvo o plano estético. Usar o pensamento quântico enquanto aparência de mundo que afeta a existência, sem a mínima consideração para o ir atrás da “verdade oculta” que estaria nas coisas – essa ânsia dos pensamentos moralista e científico -, é o que me convém.

Reúno a isso o pensamento de Nietzsche sobre o corpo, o que vive, a vontade de potência: relações de forças entre múltiplos corpos – o corpo é uma multiplicidade de organismos.

E assim vamos acontecendo na vida, fazendo do pensamento uma experimentação para um devir mais potente ou menos potente.

Dos quarks que “vibram e dançam”, dos encontros das partículas que dão os tons do mundo, cá estamos nós, cheio de palavras, pensamentos, ações e gestos; acontecendo com ternura e agressividade, entre horrores e belezas; estamos repletos de sentidos e nomeáveis que damos às coisas… Mas oculto a todos os nossos sorrisos e lágrimas, o que e como estarão acontecendo os encontros dos quarks? que vibrações estarão acontecendo?

Não, não quero explicações, não acredito em explicações. Dizer que aquilo que vejo brilhar no céu é uma estrela e que ela se chama Mizar não significa nada: nós nos atingimos com aquilo que classificamos e nomeamos como sendo as coisas, mas as coisas são inatingíveis às nossas classificações e nomeações.

É sempre irremediável querer chegar ao fim das coisas, se lançar nos mistérios e querer arrancar de lá uma ordem de funcionamento, uma verdade última, o código secreto. Não há verdade alguma por trás das coisas para serem desveladas. Disso tudo podemos criar uma verdade que se sabe ilusão, mas que afeta a existência e a potencializa: vivo num mundo que vejo horror e beleza, que sinto a dor e o prazer, e nesse mundo do aqui-e-agora todas as coisas dançam conforme uma música incessante que somos incapazes de ouvir… mas podemos senti-la; sentimos porque também somos tal música e tal dança. E isso é tudo.

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