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Yorkishire espancando – o fascimo de cada dia
21dez2011 Categoria(s): Pensamentos Autor: advRecentemente um yorkishire foi espancado até a morte por uma jovem enfermeira causando forte impacto nas pessoas. Nesse afã, também começaram a surgir manifestações contrárias com a ideia de que as pessoas preferem defender os direitos dos animais do que os direitos humanos. E em largo sentido surgiram ideias de que as pessoas se preocupam mais com os maus tratos praticados contra animais do que a fome de crianças africanas, o abandono e a pobreza humana, etc. Tratam-se de inversões grotescas de sentido!
É óbvio que o yorkishire espancado tenha chamado tanta atenção, mas não porque a preocupação pelos direitos dos animais tenha forte expressão. Infelizmente não! Reflete muito mais o momento e o “choque” diante da situação que foi divulgada pela mÃdia.
As atrocidades e crueldades que se cometem contra a vida em todas as suas manifestações, sejam elas humanas ou não, têm sido assustadoramente frequentes, tornando familiar e habitual o terror e o horror no cotidiano; de modo que, diante dos excessos, é a mÃdia quem tem determinado o espanto ou não das pessoas diante de cenários tão comuns.
O real já não mais espanta, o cheiro de morte no cotidiano já se tornou habitual, e tem sido pela virtualidade dos meios de comunicação que a morte do dia-a-dia tem sido vivificada pelas pessoas que, de momento, se sentem horrorizadas. Horrorizadas até o amanhecer, quando a presença real das barbáries contra a vida passam a se constituir como mera paisagem durante o trajeto do trabalho, às reuniões de negócios e às compras no shopping.
O fascismo mais perigoso é aquele que se presta homenagem no dia-a-dia, preterindo uma situação inaceitável por outra. Dizer que os direitos humanos devam se sobrepor aos direitos dos animais ou vice-versa é substituir um modo de vida fascista por outro. E o nosso fascismo de cada dia tem sido tão sufocante que já se começa hierarquizar preferências entre barbáries para poder fazer escolhas do tipo “yorkishire espancado” ou “crianças africanas passando fome”. É necessária muita pobreza de espÃrito para começar a pensar que pessoas que estão sensibilizadas com o “yorkishire espancado” sejam a favor de outras barbáries.
O meio virtual tem se tornado um cenário onde atrocidades e barbáries ganham suas formas de expressão das mais diversas maneiras “multimÃdicas”, mas quase sempre destituÃdas de forças para lutar. O facebook, por exemplo, tem sido uma rede social para duelos fascistas entre massas. Uma massa lança uma opinião aqui, outra lança uma contra-opinião ali, quando no fundo legitimam e dão voz a uma mesma lógica perversa. E tão logo as pessoas caminhem pelas ruas da cidade para que as expressões nas virtualidades se mimetizem como fazendo parte do próprio cenário urbano.
No fundo, as cristalizações microfascistas vão sendo substituÃdas por outras, e tem sido natural que um operário tenha que ter a obrigação de agradecer todos os dias porque tem um emprego com salário mÃnimo porque ainda há muito trabalho escravo no mundo. Situação aliás, que o cristianismo nos ensina muito bem, glorificar a miséria face a outras bem piores!
Uma desgraça menos pior que a outra, essa tem sido a ética revolucionária de hoje!
O papel de uma micropolÃtica do desejo será o de opor-se a
uma tal renúncia e de recusar-se a deixar passar toda e qualquer fórmula de fascismo, seja qual for a escala em que se manifeste. (Guattari, F. Revolução Molecular)
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