Arquivos da categoria: Arte

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Fotografias do real – abelha e gato

Aquietar-se também é preciso. É uma grande habilidade em tempos onde o silêncio constrange os ternos e gravatas e saltos altos que entram e saem do elevador carregando a morte diária em pastas de couro e códigos. Conseguir degustar o silêncio enquanto intensidade que nos tira do território comum é necessário certas forças. Deleuze disse que é preciso não se mexer muito para não espantar os devires. Viajar sem se mover, grandes aventuras sem sair do local. Não a viagem turística que percorre grandes quilômetros para ser tal como se é, mas a viagem intensiva que faz rachar o mesmo em busca de belezas capazes de inquietar a subjetivação de si, e não se é mais o mesmo. Não se é mais o mesmo depois de pequenas viagens intensivas.

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O esvaziamento da Arte

Se se tem algo que se torna gritante naquilo que se chama de arte pós-moderna é o completo esvaziamento da própria Arte. Ora, a Arte não é um vácuo onde toda matéria pode vir a ser obra de Arte, se se tem algo que é próprio da Arte, uma obra de arte capaz de afetar e produzir horror ou encanto, capaz de chocar e alterar a órbita das percepções só pode dizer respeito à vida e ao homem. A Arte só se fundamenta no homem e na vida, e nada mais. E tal Arte só pode ser feita por homens, qualquer homem – dos sábios aos indigentes, do miserável ao príncipe – pode criar e dar luz a uma obra de arte.

Todavia, desde o fim da modernidade que a Arte vem sendo esvaziada, e agora adquire sua forma mais desprezível entre os chamados “artistas pós-modernos” que a transfiguraram no próprio culto ao objeto. Já não é feita por qualquer homem, é uma arte que clama pelas mãos de um artista com cunho de “especialista”, de alguém que, diante de um “quadro vazio”, tenha sua assinatura adornada de atributos que garanta àquele que a “consome” uma posição diferenciada. Visitar uma galeria de arte pós-moderna é algo como experienciar “religiosos” cultuando objetos por eles escolhidos para representarem seus próprios vazios enquanto fetiche capaz de significar “tudo” ou “nada”. Toda quinquilharia produzida pelos artistas pós-modernos também se paga na lógica do fetiche e não do objeto. Há quem pague, assim como há pessoas que estampam suas estantes com livros falsos.

É possível dar à percepção a dimensão da Arte, relacionar-se com o mundo a partir de uma ética estética, mas é uma obra de arte que não se materializa ao outro, mas que se presta à própria singularidade, é antes uma ética da vida enquanto obra de arte. Já a Arte materializada em obra de arte é algo bem ausente nos tempos atuais, as obras de arte dos mortos jazem como objetos ícones de troféus nas casas de colecionadores, ou protegidas em museus que são pontos turísticos programados para um público que pode “consumi-los” desde que possa desembolsar o que é pedido. Entre os artistas-especialistas encontra-se o culto ao objeto e do gerenciamento do negócio a ser realizado.

É mais certo que podemos encontrar a Arte que só pode dizer da vida e do homem batendo à porta dos anônimos, buscar nos excluídos, nos silenciosos, naqueles que têm sido os únicos contempladores das suas próprias obras de arte e nada mais pediram senão viver o próprio júbilo que sua criação lhes proporcionam…

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Tarde de domingo na Ilha de Grande Jatte – Seurat

A obra mais fundamental de Seurat analisada do ponto de vista existencial.

Se tem um possível substrato de afeto que a obra do pintor francês Georges Seurat, Tarde de domingo na ilha de Grande Jatte, que é comum aos que a contemplam, este só pode ser o espanto. Não porque nos deparamos com elementos mágicos e misteriosos de um mundo fantástico, pelo contrário, são elementos comuns da vida concreta. E mesmo com seus possíveis de exótico e inusitado, como um macaco preso à coleira de sua “madame”, este não é o suficiente para negar o real.

Se aquele que contempla pode se sentir interpelado pelo exotismo do macaco, pela inexorável imponência da madame que preenche a periferia da tela, pelos cães em meio ao convívio dos homens, entre tantos outros possíveis desse cenário de gáudio (?) onde homens e mulheres da alta sociedade parecem gozar de uma paisagem não menos terrorífica como aparentemente parece ser idílica, parece também que este não conseguirá ficar imune a um “algo de incomum” e misterioso que parece se passar por todo esse “cenário demasiadamente comum”.

Mas o que é isso-aí, de mistério e de espanto, que não nos permite ficar indiferente? Que estão fazendo esses homens e mulheres numa tarde de verão à beira do rio Reno na pacata Ilha de Grande Jatte, num espaço-tempo parisiense do século XIX, onde o tempo parece paralisado a observar a si mesmo no espaço? – Talvez seja justamente a evidência do real, em carne exposta, desnudo de idealismos, esse comum que grita em silêncio e no cotidiano nos passa oculto sob os augúrios de um mundo prescrito e formulado que não admite ficar sem explicação, que preenche o incômodo-perturbador desta obra de arte que nos coloca sob um vácuo espantoso: o incomum e o insólito, esse mistério que nos atiça, se surgem, é porque são intensamente preenchidos pelo extremamente comum – congelado em um instante – da vida de homens e mulheres retratados numa atmosfera de beleza natural que não deixa de ser um possível do mundo, sobretudo na época na qual a obra é oriunda.
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