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	<title>Eterno Retorno &#187; Ciências</title>
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	<description>Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.</description>
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		<title>Carl Sagan &#8211; Cosmos</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 18:34:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Ciências]]></category>

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		<description><![CDATA[Tão poucos cientistas, tão brilhantemente, falam do objetivo sem perder de vista o subjetivo, a vida e o homem, tal como Carl Sagan. E não muito raro, nos corredores acadêmicos, alguns físicos e astrônomos costumam se referir a Carl Sagan como &#8220;entusiasta&#8221; em um claro sentido pejorativo. Por certo devem ser os mesmos em busca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tão poucos cientistas, tão brilhantemente, falam do objetivo sem perder de vista o subjetivo, a vida e o homem, tal como Carl Sagan. E não muito raro, nos corredores acadêmicos, alguns físicos e astrônomos costumam se referir a Carl Sagan como &#8220;entusiasta&#8221; em um claro sentido pejorativo. Por certo devem ser os mesmos em busca da &#8220;<a href="http://www.eternoretorno.com/2009/07/30/a-teoria-do-tudo/">Teoria do Tudo</a>&#8220;.</p>
<div style="text-align: center;"><img style="max-width: 800px;" src="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/12/carl-sagan-cosmos.jpg" alt="" /></div>
<p>(&#8230;) Existe uma sombria cadeia de causalidade. Os alemães trabalham na bomba no início da II Guerra Mundial. E os americanos tiveram que construí-la antes. Se os americanos tinham, os russos deviam ter também. Assim como os franceses, britânicos, chineses, indianos, paquistaneses. Muitas nações agora colecionam armas nucleares. São fáceis de fazer. Você pode roubar material fissionável de reatores nucleares. Armas nucleares quase se tornaram uma indústria arsenal caseira. As bombas convencionais da II Guerra Mundial foram chamadas de &#8220;arrasa quarteirão&#8221;. Abastecidas com 20 toneladas de TNT, poderiam destruir um quarteirão. Todas as bombas lançadas sobre todas as cidades da II Guerra Mundial, juntas somam cerca de 2 milhões de toneladas de TNT. Dois megatons. (&#8230;) Toda a morte que chovia do céu entre 1939 e 1945 é cerca de 100.000 &#8220;arrasa quarteirões&#8221;. Hoje, dois megatons é o equivalente a uma simples bomba termonuclear. Uma única bomba com a força destrutiva da II Guerra Mundial. Mas existem dezenas de milhares de armas nucleares. Os mísseis e bombardeiros da União Soviética e Estados Unidos têm suas cabeças guerreiras apontadas para cerca de 15 mil alvos. Nenhum lugar no planeta está salvo. A energia contida nessas armas, gênios da morte, pacientemente aguardando o esfregar da lâmpada, superam os 10 mil megatons. Mas com a destruição concentrada eficientemente não em seis anos, mas em poucas horas. Um &#8220;arrasa quarteirão&#8221; para cada família sobre o planeta. Uma II Guerra Mundial a cada segundo em uma tarde ociosa. A bomba que caiu sobre Hiroshima matou cerca de 70 mil pessoas. Em uma completa troca nuclear no ataque de morte global, o equivalente a um milhão de bombas de Hiroshima seriam jogadas em todo o mundo. Em uma troca como esta nem todos seriam mortos pela explosão, fogo e radiação imediata. Haveria outras inúmeras agonias: perdas dos entes queridos, legiões de queimados, cegos e mutilados, ausência de cuidados médicos, doenças, pragas, uma radiação de longa vida envenenando o solo e a água. A ameaça de tumores, natimortos e crianças malformadas. E o desespero de uma civilização destruída por nada. Saber que poderíamos ter prevenido mas não o fizemos. O equilíbrio global de terror liderado pelos Estados Unidos e a União Soviética, fez de reféns todos os seres vivos da Terra. (&#8230;) As instituições militares estão presas em algum horrível abraço mútuo. Um necessita do outro. Mas o equilíbro do terror é delicado, com pouca margem para erros, e o mundo empobrece a si mesmo gastando um trilhão de dólares por ano em preparações para a guerra. E empregando, talvez, metade dos cientistas e grandes tecnólogos do planeta em empreendmentos militares. Como poderíamos explicar tudo isso para um desinteressado observador extraterrestre? Que conta nós daríamos da administração do planeta Terra? Nós ouvimos as razões dadas pelas superpotências. Sabemos quem fala pelas nações. Mas quem fala pela espécie humana? <strong>Quem fala pela Terra? De uma perspectiva extraterrestre, nossa civilização global está claramente no limite do fracasso em uma das mais importantes tarefas: preservar a vida e o bem-estar dos cidadãos e o futuro habitável do planeta.</strong> (&#8230;) Nós somos um só planeta. (&#8230;)</p>
<p><span style="color: #666666;">[Vídeo] Cosmos, episódio 13. SAGAN, Carl. 1980</span></p>
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		<title>Religião científica?</title>
		<link>http://www.eternoretorno.com/2009/08/04/religiao-cientifica/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 16:07:28 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma ciência sem filosofia não sabe o que fala, pois nunca pergunta a si mesma quem é o &#8220;sujeito&#8221; que se pergunta sobre aquilo que se quer conhecer. A ciência moderna abdicou para si um mundo erigido com estruturas platônico-socráticas e a partir daí criou um mundo falsamente ordenado pela lógica. Enquanto a ciência não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma ciência sem filosofia não sabe o que fala, pois nunca pergunta a si mesma quem é o &#8220;sujeito&#8221; que se pergunta sobre aquilo que se quer conhecer. A ciência moderna abdicou para si um mundo erigido com estruturas platônico-socráticas e a partir daí criou um mundo falsamente ordenado pela lógica.</p>
<p>Enquanto a ciência não se fazer saber que postula simplesmente modelos explicativos de uma <em>experiência</em> muito mais <em>original</em> que o seu objeto, ela será caduca nela mesma. Ou através de Adorno: continuará o desencantamento do mundo, esterilizá-lo de vida e torná-lo denso de razão.</p>
<p>O &#8220;físico&#8221; quebra o encanto do pôr-do-sol, ele faz da sua experiência com o pôr-do-sol mera questão de posicionamento da Terra com o Sol, e elabora uma sentença: o sol não se põe, pois ele está sempre parado; assim ele aprendeu em algum livro de Astronomia. Mas o físico antes de dizer isso ele tem a sua experiência com o sol, um sol que se põe, que esquenta, que alegra, que floresce, que lhe afeta com sensações de mais quente ou mais frio&#8230; O físico só pode falar do sol como objeto de sua ciência antes de ter a <em>experiência original</em> com o sol, e esta é espontânea, intuitiva, pré-reflexiva.</p>
<p>Há um abismo incomensurável entre o <em>mundo vivido </em>e o objetivismo científico. O cientista pode até falar de certos movimentos faciais e labiais, da laringe, ondas sonoras e elementos fisicoquímicos para descrever um <em>sorriso, </em>mas ele só pode fazer isso<em> </em>porque antes experimentou o <em>sorriso <span style="font-style: normal;">e tem um conhecimento pré-reflexivo da </span>sua <span style="font-style: normal;">experiência com o </span>sorrir.</em></p>
<p>Enquanto a ciência não aceitar a <em>volta às próprias coisas </em>como sobrepujante às suas leis continuará sufocando a vida &#8211; que comporta caos e multiplicidade &#8211; em um recipiente experimental onde a ordem e a hipótese travestida de verdade imperam.</p>
<p>Com a <em>volta às próprias coisas </em>entende-se o retorno ao <em>mundo vivido, </em>inclui o homem existente com suas muitas atitudes e vivências, que experiencia ser-no-mundo antes mesmo do &#8220;sujeito cognoscente&#8221;.</p>
<p>Essa experiência com o <em>mundo vivido </em>continua sendo caracterizada pela maior parte da ciência como subjetivismo e relativismo, como se o cientista se desligasse da sua subjetividade e relatividade, se colocando &#8220;fora do mundo&#8221;, para então olhar o &#8220;objeto&#8221; e torná-lo inteligível. Ora, é claro que as ciências positivas sabem o que falam, é tudo <em>mais do mesmo, </em>criaram um mundo altamente ordenado e experimental com leis e diretrizes básicas, como pode deixar de ser sabido o que é da ordem habitual? &#8211; Diante do caos ou de algo que não saiu como o planejado, então eis que surge o elemento novo que levará o cientista a dizer: descobrimos algo novo e de agora em diante tal formulação será&#8230; e re-formula sua teoria.</p>
<p>Sua experiência trouxe uma afetação diferente diante do que ele supôs conhecido, mas tampouco ele perceberá assim, dirá que foi o avanço do seu entendimento científico que o fez chegar ao novo resultado.</p>
<p>Não se pode querer substituir os significados do <em>mundo vivido </em>do homem singular pelo sistema de significados da ciência, isso é doutrinar para a fé científica. Não é a experiência científica que sustenta a experiência mais original, pelo contrário, parte-se do <em>vivido </em>para depois se enredar na reflexão.</p>
<p>O cientificismo é uma filosofia da experiência caduco de sua própria origem. O cientista que confunde o laboratório com o mundo não passa de um perigoso especialista, um sacerdote da modernidade.</p>
<p>É necessário antes desconfiar dos sistemas teóricos, e não querer corrigir a experiência do homem singular a partir da teoria, o que não implica necessariamente em <em>fazer</em> ecletismo.</p>
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		<title>A ciência é desnecessária a Vida</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 08:16:40 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é a água? &#8211; Poderia se dizer que é um elemento natural formado por 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio. Poderia ainda fazer inúmeras conceituações científicas* e até filosóficas sobre o elemento água. Mas nenhuma conceituação científica ou filosófica poderá, em páginas e mais páginas, substituir a minha experiência com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/04/arte-rupestre.jpg"><img src="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/04/arte-rupestre-small.jpg" alt="arte-rupestre" width="450" height="308" /></a></p>
<p>O que é a água? &#8211; Poderia se dizer que é um elemento natural formado por 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio. Poderia ainda fazer inúmeras conceituações científicas* e até filosóficas sobre o elemento água. Mas nenhuma conceituação científica ou filosófica poderá, em páginas e mais páginas, substituir a minha experiência com a água, meu banhar nas águas do açude, minha sede eliminada prazerosamente com vários goles de água, meu corpo se excitando com o orgasmo do céu em chuva, etc. Posso ainda dizer que sinto todo o sabor da água, de tal modo que de nada me serve a idéia científica de que ela é insípida. Ainda, já tomei banho de açude com alguém que me foi muito especial, de tal forma que quando entro em contato novamente com um açude eu sinto o cheiro da água &#8211; o cheiro marcante que ficou daquele momento mas significado no aqui e agora -; ainda ouço os sons, risos e falas, e o barulho das traquinagens que fazíamos &#8220;dentro&#8221; da água.</p>
<p>Decorre daí que a experiência do homem é a mais primordial, diante dela toda ciência é uma produção caduca acumulada ao longo da história. Enquanto satisfaço-me com a água, não estou pensando em átomos de hidrogênio nem de oxigênio ligados por alguma &#8220;força&#8221; quimicamente explicada. O que é dizer que a água é um elemento com 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio senão uma forma de calar a vida? de substituir a multiplicidade por um som vazio que quer ser a própria coisa &#8211; a palavra?</p>
<p>Nietzsche, grande crítico da razão e da ciência, não foi um mero inimigo da razão, mas colocou-a em seu &#8220;devido&#8221; lugar. Para ele a vida era a mais primordial, a razão pode ser importante desde que usada para intensificar a vida, e não para degradá-la, tornar a vida doente tal como o faz a razão cristã. Daí o uso de suas figuras expressivas de Dionísio &#8211; o deus grego da alegria do viver &#8211; e Apolo &#8211; o deus das formas, da sabedoria, da organização: caos e ordem. Para Nietzsche o homem não deveria ser só caos nem só ordem, mas ser caos-e-ordem ao mesmo tempo.</p>
<p><span id="more-2234"></span></p>
<p>Não quero restringir aqui a razão como sendo algo somente da ciência moderna, a razão está presente desde as mais remotas civilizações, podemos entendê-la como uma tentativa de explicação para determinado fenômeno, independente de qual explicação é essa. Já a ciência moderna surgiu como um deus, ela não foi racional, mas dogmática. A ciência que surge na modernidade calou e sepultou sonhos, os hospícios foram um bom exemplo disso. Essa ciência despreza a espiritualidade e a arte como dimensões humanas de sabedoria.</p>
<p>Hoje, certamente que muita coisa mudou, as duas guerras mundiais, os colapsos ambientais e humanos, bem como outras catástrofes, parecem ter mostrado a caducidade do &#8220;poder científico&#8221;, mas isso não quer dizer que a ciência ainda não se faz com dogmas. Diria mais: que ela ainda é dogma, só que deixa mais evidente a necessidade de estar re-vendo seus dogmas para alterá-los e se necessário até excluí-los &#8211; o que nem sempre é feito facilmente, pois admitir um erro científico costuma macular os &#8220;profissionais da verdade&#8221;. A economia capitalista moderna também contribui para isso: a ciência é antes um instrumento para potencializar os ganhos financeiros do que um bem a favor da humanidade. Um clássico exemplo para ilustrar a ciência atrelada ao âmbito financeiro, é constatar que hoje a capacidade de produção de alimentos poderia sustentar fartamente todos os seres humanos, ainda assim há níveis de miséria gritantes em toda civilização.</p>
<p>Uma das objeções comuns que costumo ouvir quando digo que a ciência cura o câncer que ela própria pariu, é de que ela produz benefícios que potencializam o homem: prolongamento da vida, diminuir distâncias, cura muitas doenças e mesmo as incuráveis pode utilizar medicamentos e técnicas que possibilitam uma vida satisfatória, etc.</p>
<p>Ora, cada uma dessas objeções pode ser facilmente deslocada de sua aparente verdade. É necessário pensar a ciência não pensando na atualidade onde a ciência está intrinsecamente presente na vida de cada um de nós, mas pensar a ciência fora da &#8220;ciência&#8221;. Para isso, Freud, brilhantemente, em algum momento de sua pequena obra &#8220;O mal-estar na civilização&#8221;, nos dá um exemplo ao citar um amigo que pegou o trem e foi viajar em busca de novas oportunidades, o que gerou saudades nos seus familiares bem como preocupação com a vida do rapaz que já não estava ao alcance dos olhos, o que fazia ser necessário recorrer às cartas trocadas. Uma visão genérica poderá dizer que o rapaz tem sorte de viver em uma época que tem trem, de tal modo que tem possibilidade de buscar melhores oportunidades em outros países; ainda, que o desenvolvimento das redes de comunicação possibilitaria o envio de troca de cartas entre o rapaz e seus familiares. Mas se não tivesse trem o rapaz não teria partido causando saudades e preocupação em seus familiares, também não necessitaria de troca de cartas pois poderia comunicar com o rapaz pessoalmente, o que é bem mais prazeroso (o exemplo foi tirado da minha &#8220;memória&#8221;, certamente há diferenças entre o citado por Freud).</p>
<p>Ao dizer que a ciência vai descobrir a cura do câncer é necessário questionar os modos de vida modernos que contribuem também para o desenvolvimento do câncer. Se se quer dizer que vivemos mais que um grego clássico é necessário também refletir que um grego àquela época, ao se deparar com um troiano, já era o suficiente para alguém cair morto, as guerras entre civilizações eram frequentes (e atualmente também: nas ruas da cidade ou entre países); ainda, se antes bastava uma ferida em alguma região da perna que não fosse bem tratada para levar o ferido a morte, o que é facilmente superado pela ciência de hoje bem como inúmeras outras doenças onde basta algum medicamento para que elas sejam eliminadas, é necessário refletir sobre inúmeras outras mazelas a que estamos suscetíveis em decorrência também do avanço da ciência.</p>
<p>Ao deliciar-se com um ar condicionado em uma tarde de calor, antes de enaltecer a &#8220;bondosa&#8221; ciência é necessário refletir que certamente o homem das cavernas não sentia calor tão intenso em sua &#8220;desconfortável&#8221; morada primitiva.</p>
<p>Não quero através do resumido exposto dizer que devemos voltar no tempo das cavernas, que épocas passadas foram melhores que outras -penso que diferentes épocas não devem ser julgadas -, nem que deixemos de usar nossos aparelhos de última geração onde a ciência desfila pomposamente aos nossos olhos. Esta me parece ser uma condição irreversível da civilização. Contudo, é necessário dar à ciência a sua devida condição. Qual? Não é uma resposta que talvez seja possível dar, mas creio que é possível dizer que a ciência não é um anjo em favor da vida. As explicações através das verdades universais sustentadas pela ciência não nos permite um contato <em>eu-tu</em> com o outro, é a compreensão que favorece o sentir-se integrado ao mundo, as coisas e aos outros, e isto independe de ter bagagem científica. A compreensão não quer uma verdade para se agarrar, fazer dela uma trincheira e com isso eximir-se diante da responsabilidade diante da vida; a compreensão abarca as verdades, mas todas destituídas da universalidade: favorece a criação de uma obra de arte com as cores singulares das verdades que as pessoas possuem para si, e nessa mistura outras verdades podem surgir, se alterar ou ser abandonada.</p>
<p>Não diria o que o pensamento complexo diz muito bem, que a ciência tem seus pontos negativos e positivos: digo que ela não é necessária a vida, porém parece ser irreversível desgrudarmos da ciência diante das condições atuais. Não quero ainda, dizer que não devemos engajar em conhecimento, a sabedoria é algo que diz respeito a um povo, bem como o seu conhecimento produzido, e isso transcende a idéia de progresso em um tempo concebido linearmente que carrega em seu ventre os &#8220;gênios&#8221; da ciência. A verdade não é algo a ser descoberto pelos cientistas, pois ela é singular, só eu posso compreender o que é água para mim, que transcende a idéia científica de um elemento composto por 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio: a ciência é uma verdade gregária, aceita pelo rebanho e potencialmente perigosa quando usada para calar as verdades singulares.</p>
<p>Os hospitais modernos, com todos os seus &#8220;bipes&#8221; de tecnologia que ecoam nas salas suplantando a canção sufocante do coração batendo dos moribundos, estão repletos dos mais avançados recursos científicos: máquinas, ferramentas e &#8220;mecânicos&#8221; mechendo em um corpo que é tratado, também, como uma peça mecânica: consertá-la para que possa retornar à sua função na sociedade. Tecnologia que pode estar à favor da desumanização, na medida em que o moribundo, com toda sua angústia, medos e anseios ante a finitude da vida, é desprezado em seus significados e sentidos diante da sua condição &#8211; quem fala mais são as <em>palavras de verdade</em> dos homens da ciência que supostamente detêm o mais correto para o doente.</p>
<p>Não quero dizer que o paciente é quem deve escolher o melhor tratamento para si, mas que ele deve ser compreendido integralmente e clarificado sobre os procedimentos adotados, pois sua dor emocional muitas vezes suplanta a sua dor física; não se trata somente de confortá-lo, mas antes de tudo compreendê-lo para que possamos ajudá-lo a compreender sua condição de estar vivo mesmo diante de limitações ou restrições. Ainda, muitas vezes o paciente carrega em seu imaginário, uma concepção da sua &#8220;doença&#8221; que foi formada a partir da opinião pública, que desconsidera as singularidades do desenvolvimento da doença, além de suscitar preconceitos perversos, tal como se vê em muitos casos onde alguém que se descobre com HIV positivo, e que até então vivia &#8220;normalmente&#8221;, passa a ter graves desequilíbrios radicalmente desencadeados na medida em que se vê sufocado por toda atmosfera de significados da AIDS como uma doença fatal, moralmente condenável, brutalmente degenerativa etc., que podem aflorar em uma sociedade insana.</p>
<p>O &#8220;doente&#8221; tem um imaginário sobre sua doença, sua plenitude existencial pode se tornar radicalmente desestabilizada de um dia para outro, pode se sentir culpado ou punido, e somente compreendendo-o é que podemos ajudá-lo a superar suas falsas racionalizações bem como no enfrentamento da sua condição.</p>
<p>A explicação cala, a compreensão abre possibilidades de inúmeros caminhos que antes não estavam percebidos.</p>
<p><span style="color: silver;">* Ao fazer referência à ciência, recorro a idéia que vem com a modernidade de que a ciência representa a salvação e a possibilidade de reconhecer a verdade universal bem como a &#8220;realidade&#8221;; idéia essa que costuma ser também atual, apresentando-se nas formas &#8220;milagrosas&#8221; de dietas e alimentação, fórmulas &#8220;mágicas&#8221; para curas e potencialização do corpo e da &#8220;mente&#8221;, técnicas e instrumentos científicos que prometem realizar sonhos, etc.</span></p>
<p><span style="color: silver;">Imagem: reprodução de arte rupestre encontrada na caverna de Altamira (Espanha).</span></p>
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		<title>Charles Darwin: 200 anos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 17:22:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em 2009 comemora-se o bicentenário de Charles Darwin, ou simplesmente, Darwin, nascido em 12 de fevereiro de 1809. É indiscutível a importância e a influência do darwinismo em todas as ciências, sejam elas naturais ou &#8220;humanas&#8221; (como se as naturais já não fossem humanas!). Muitos acreditam na seleção natural como uma crença, isto é, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2009 comemora-se o bicentenário de Charles Darwin, ou simplesmente, Darwin, nascido em 12 de fevereiro de 1809. É indiscutível a importância e a influência do darwinismo em todas as ciências, sejam elas naturais ou &#8220;humanas&#8221; (como se as naturais já não fossem humanas!).</p>
<p>Muitos acreditam na seleção natural como uma crença, isto é, como se realmente toda origem de um ser vivo decorresse nos moldes propostos por Darwin. Particularmente, vejo a seleção natural como um excelente modelo explicativo, portanto, indiferente de ser verdade ou mentira; penso ainda que a idéia da evolução enquanto a possibilidade de uma espécie adquirir níveis cada vez mais elevados de benefícios à sua sobrevivência é algo discutível, do contrário, teríamos que considerar que existe um princípio na natureza rogando pela sobrevivência das espécies (uma entidade?): taí uma das críticas fundamentais de Nietzsche ao Darwinismo.</p>
<p>Darwin também veio como uma dinamite no criacionismo. Esse ponto de vista religioso diz que por trás da origem das coisas há uma entidade (deus, força, ente) maior que os criou. O cristianismo que tem por excelência o criacionismo como visão de mundo, tem adeptos que dirão que a teoria da seleção de Darwin é válida, porque Deus também &#8220;criou a seleção natural&#8221;; outros dirão que a origem começa com Deus modelando o barro e soprando-o com algumas palavras mágicas. Nos EUA, onde também o cristianismo é intenso e radical, há um museu com toda atmosfera criacionista encenada por Adão e Eva, convivendo pacificamente no Éden ao lado de dinossauros e outros animais (Museu da Criação). Os idealizadores do museu se declaram inimigos de Darwin e combatem a difusão da seleção natural nas escolas. Nunca é demais lembrar que são 200 anos de Darwin, e mais de 2000 anos de envenamento da vida por moral cristã.</p>
<p>Darwin, certamente, não foi nenhum radicalista e por decerto não achou que sua teoria explicasse a vida. Porém, é indiscutível o quanto suas idéias influenciam as ciências e o quanto abalou várias opiniões, infelizmente criando até correntes doutrinárias, darwinistas e criacionistas, onde fica uma guerra de &#8220;Nós&#8221; contra &#8220;Eles&#8221;, ambos defendendo verdades, em nome de Deus ou de Darwin, como se fossem profetas do inaudito.</p>
<p>Para quem quiser recordar a teoria da seleção natural: <a href="http://www.eternoretorno.com/2008/10/25/entenda-a-selecao-natural-com-richard-dawkins/">Entenda a seleção natural com Richard Dawkins</a>.</p>
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		<title>Um pouco sobre Carl Sagan</title>
		<link>http://www.eternoretorno.com/2009/01/22/um-pouco-sobre-carl-sagan/</link>
		<comments>http://www.eternoretorno.com/2009/01/22/um-pouco-sobre-carl-sagan/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 01:50:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando penso em ciência penso em Carl Sagan; ler Sagan é se deparar com uma ciência que por trás se encontra o homem: na alegria e no horror. É para mim, o maior exemplo do lado satisfatório da ciência; a ciência de Sagan quer intensificar a vida do homem, sem contudo, deixar de pensar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando penso em ciência penso em Carl Sagan; ler Sagan é se deparar com uma ciência que por trás se encontra o homem: na alegria e no horror. É para mim, o maior exemplo do lado satisfatório da ciência; a ciência de Sagan quer intensificar a vida do homem, sem contudo, deixar de pensar o quanto esta também pode ser algo danoso. No último capítulo da obra &#8220;Bilhões e Bilhões&#8221;, Sagan narra seus últimos momentos de vida, quando a li senti que foi a experiência mais próxima da morte que já tive, é um horror gélido que no fim transborda em uma quentura do viver. Vale a pena conhecer um pouco desse &#8220;cientista&#8221;.</p>
<p><object width="350" height="300" data="http://www.youtube.com/v/HurA3M_CBJY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HurA3M_CBJY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>Penso que esse vídeo justifica o fato deu ter usado &#8220;aspas&#8221; para chamar Sagan de cientista. Carl Sagan também tem uma obra belíssima com o título desse vídeo: <strong>Pálido Ponto Azul</strong>.</p>
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