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	<title>Eterno Retorno &#187; Educação</title>
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	<description>Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.</description>
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		<title>Resultados do ENADE 2009</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 12:52:54 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Os resultados do ENADE são múltiplos. Em síntese se resume na vergonha de algumas universidades (empresas) que pagam festas e viagens aos seus alunos que tiveram melhor desempenho, incentivam-os com bonificações, pagam “motivadores” para ficar no portão da escola para incentivar os estudantes de seus cursos e chegam até mesmo a preparar o estudante em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os resultados do ENADE são múltiplos. Em síntese se resume na vergonha de algumas universidades (empresas) que pagam festas e viagens aos seus alunos que tiveram melhor desempenho, incentivam-os com bonificações, pagam “motivadores” para ficar no portão da escola para incentivar os estudantes de seus cursos e chegam até mesmo a preparar o estudante em “vestibulares para o ENADE”.</p>
<p>Quem paga essa miserabilidade educacional são os estudantes que saem do “ensino médio” e muitas vezes avalia uma faculdade através dos números que ela obtém no MEC. Esses números são excessivamente irreais, descompromissados com as particularidades de cada curso e as diferenças culturais entre as várias regiões do Brasil. Nesse processo de cima para baixo onde o Estado cada vez mais vendido compactua com os interesses dos neoliberais em fazer da educação também mais uma dimensão de negócio, totalmente desvinculada da arte e dos saberes filosóficos e científicos ao longo da história, privilegia-se a formação de especialistas e técnicos através de um ensino que se restringe muitas vezes na apresentação de um conjunto pequeno de conhecimentos técnicos e habilidades para passar ao aluno sem grandes interesses em mastigar o plano teórico para colocá-lo, se for preciso, em xeque com a vida concreta.</p>
<p>Se se quer números deve-se atentar também para os recentes dados da OIT e da UNESCO quanto aos salários dos professores, além de serem mal pagos têm que se virar com as condições materiais precárias de ensino e salas de aula lotadas. Ainda, ao professor universitário, muitos vivem na ditadura do <em>Lattes, </em>fazendo dos seus próprios estagiários mão de obra para publicações em revistas e livros; embora é certo que alguns resistem e não compactuam com uma educação meritocrática.</p>
<p>Aliás, convém deixar de lado as palavras quando o secretário da educação de São Paulo, <a href="http://www.eternoretorno.com/2009/10/26/educacao-na-visao-ingenua-do-secretario-de-educacao-em-sp/">Paulo Renato Souza</a>, já deixou explicitada a função da educação através do seu pensamento quadrado.</p>
<p>Revoltamo-nos, logo, existimos, disse Camus: Resistamos!</p>
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		<title>Para entender como funciona o ENADE e o boicote</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 23:35:54 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[Historicamente os governos brasileiros parecem achar que educação é gerir “kits” com lápis, borracha e garantia de uma “merenda” de baixa qualidade e “enfiar” o indivíduo numa sala de aula sem se preocupar com condições sociais, culturais e econômicas mais amplas capazes de garantir uma vida minimamente digna. Nas universidades públicas a situação não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border: 0px none; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 194px; display: inline;" title="enade" src="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/11/enade.jpg" border="0" alt="enade" width="194" height="137" align="left" /> Historicamente os governos brasileiros parecem achar que educação é gerir “kits” com lápis, borracha e garantia de uma “merenda” de baixa qualidade e “enfiar” o indivíduo numa sala de aula sem se preocupar com condições sociais, culturais e econômicas mais amplas capazes de garantir uma vida minimamente digna.</p>
<p>Nas universidades públicas a situação não é muito diferente, embora a aparência é outra. Com escassas instituições de ensino superior o universitário se vê obrigado a se deslocar de sua cidade de origem e muitas vezes não lhe resta alternativa senão trabalhar e depois pensar nos seus estudos – quando assim consegue. Somam-se a isso as condições precárias de recursos material e humano em que se encontram muitas das universidades. Enquanto isso as “uni esquinas” proliferam a cada dia sem a mínima preocupação com o saber senão o ensino de habilidades técnicas básicas para formação de mão-de-obra barata.</p>
<p>Eis o progresso! A face macabra de um mundo cada vez mais instrumentalizado, racionalizado e econômico, e cada vez menos encantado e vivificante.</p>
<p>O boicote ao Enade é um ato político que, entre os vários motivos, encontra como principal fundamento a contestação [e revolta] de uma avaliação com interesses amplamente neoliberais que confluem para uma cada vez maior degradação das garantias a um ensino público de qualidade e condições dignas aos estudantes.</p>
<p>Baixe a cartilha abaixo caso você ainda não esteja por dentro de como funciona o Enade, divulgue e reflita. Pense! Boicote! Não sustente números que estatisticamente são capazes de dançar qualquer música.</p>
<p><strong>Cartilha do Enade</strong> <a rel="nofollow" href="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/11/cartilha-enade.pdf">&gt;&gt;</a></p>
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		<title>Educação na visão ingênua do secretário da educação em SP</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 18:09:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Revista Veja, uma dessas várias revistinhas de notícias vendidas, casadas e dissimuladas, e não de modo oficial mas assessora de imprensa do José Serra – e tucanos -, publicou (ou publicará) na edição 2136 de 28/10/2009 uma entrevista com Paulo Renato Souza, secretário da educação de São Paulo e ex-ministro da educação. Não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"></span>A Revista Veja, uma dessas várias revistinhas de notícias vendidas, casadas e dissimuladas, e não de modo oficial mas assessora de imprensa do José Serra – e tucanos -, publicou (ou publicará) na edição 2136 de 28/10/2009 uma entrevista com Paulo Renato Souza, secretário da educação de São Paulo e ex-ministro da educação.</p>
<p>Não é uma boa mas necessária leitura. Trata-se de mais um conteúdo panfletário em oposição a USP e Unicamp do que qualquer conteúdo de política pública educacional responsável.</p>
<p>É evidente o quanto o secretário fala com sentimentos de “propriedade” e “certezas” sobre o que ele considera uma educação efetiva, que no fundo é uma visão de economista, sem nenhuma distinção entre escola e empresa. O Sr. Paulo apela à técnica, ao método, à razão e à objetividade, valores que ganharam maior força a partir do Iluminismo e por demais já provaram de que colapsos são capazes se tomados enquanto ideais de ordem, como critérios dignos de um sistema educacional, acusando toda a USP e a Unicamp de fazerem apologia às “ideologias” contrárias ao capitalismo, em específico o marxismo.</p>
<p>Certamente que há nas universidades, pessoas (alunos e professores) que se dizem marxistas mas que são mais próximos de radicalistas que não estão nenhum pouco abertos a outros pensamentos, por outro lado esta é uma minoria e não reflete nem mesmo os que trabalham na educação com um referencial respaldado pela pedagogia histórico-cultural.</p>
<p>Outra lamentável idéia do secretário é, com muita “autoridade”, dizer que a solução se dá através de um sistema meritocrático. Como se o sistema de produção em série que até em parte da economia já se tornou contestável pudesse com justiça ser aplicado na educação.</p>
<p>Ao dizer que a educação não privilegia a técnica, a razão e a objetividade, acusando-a de praticar ideologias teóricas, o secretário privilegia a formação de “cabeças” para o sistema de produção e demonstra sua total desqualificação para pensar em políticas públicas na educação, já que é indiscutível que um homem jamais se faz somente com objetividade.</p>
<p>É gravíssimo compreender que educação se gerencia como se gerencia uma empresa privada, ingenuidade ímpar pensar educação refletida pela economia. O secretário incorre na sua mesma acusação, não fica do lado de lá mas no de cá, radicalista pela mesma lógica: defender sua idéia como verdadeira para o sistema educacional.</p>
<p>Por outro lado temos que dar o crédito uma vez que, dentro da lógica predominante, isto é, a manutenção dos privilégios financeiros a uma classe dominante, o sistema educacional brasileiro é de extrema efetividade. E como funciona!</p>
<p>Enfim… é lamentável e afeta qualquer pessoa com um mínimo de responsabilidade social saber que no pensamento de um secretário da educação se passem idéias não mais ou menos consideráveis, mas seriamente graves, arcaicas e insuficientes.</p>
<p>Quem aguentar a leitura acesse a entrevista na íntegra <a rel="nofollow" href="http://veja.abril.com.br/281009/contra-corporativismo-p-019.shtml">&gt;&gt;</a></p>
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		<title>Prova e gabarito do ENEM 2009</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 02:19:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[(Vida de vestibulando não é fácil… Mas o que vem depois do vestibular? Fácil que não é. A lógica que se tem nas escolas não é tão diferente das universidades, das solapadas estaduais e federais às mais explicitamente privadas que atuam como negócio dos saberes. Formação massificante, a elite do amanhã. Claro que você é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Vida de vestibulando não é fácil…</p>
<p>Mas o que vem depois do vestibular? Fácil que não é. A lógica que se tem nas escolas não é tão diferente das universidades, das solapadas estaduais e federais às mais explicitamente privadas que atuam como <em>negócio</em> dos saberes. Formação massificante, a elite do amanhã. Claro que você é responsável pelas escolhas e poderá fazer algo mais: que tal uma descrença total com aquilo que, quando estudante no ensino médio, costumava ver como verdade em estilo nobre? Muitos mitos que quando adolescentes temos em relação à universidade poderão ser quebrados.</p>
<p>Convém parar por aqui, ainda irão descobrir por si só o jogo sujo do <em>lattes, </em>e irão saber no fundo o que está por trás de um artigo científico, e que A ou B hoje em dia é mera questão de gestão empresarial. Hoje em dia? – Não, tá certo. Schopenhauer já soubera bem disso.</p>
<p>Estou culpando as universidades? – Não. Elas não têm como ser autônomas como imagimam ser. Tampouco os professores, embora têm aqueles que vivem e agradecem ao <em>lattes, </em>ou de forma mais clara, vivem do gerenciamento de cérebros voltados para a lógica manufatureia da ciência. Estão nesse mundo e não em outro, em um mundo onde daqui para frente…</p>
<p>Aliás, ensino médio é um termo já obsoleto, não? Pouco importa! O vocabulário técnico da educação é volátil e se quebra nele mesmo.</p>
<p>Mas também há gente boa que parece olhar a educação de uma perspectiva ousada e com muito mais potência. No Brasil, devo muito a Rubem Alves, um educador que na lógica academicista costuma ser visto como um romântico, talvez porque não pensa através de uma ciência artificial nutrida por mecanismos universalizantes. E as escolas possivelmente não terão futuro, diz Rui Canário. Ah! Rui Canário… com essa perspectiva quiseram-me à fogueira quando contrapus a uma certa “prescrição” que não vê nada além de uma crença no paraíso, mas desde que se transforme a organização do modo de produção capitalista, do contrário não veremos homens e mulheres felizes. E que não me tomem por capitalista, nem aquele nem este, nem todos os outros, inferno por inferno, convém-me agir sem esperança e nada mais.)</p>
<p>Prova e gabarito do Enem 2009 <a href="http://www.eternoretorno.com/wp-content/uploads/2009/10/enem2009.rar">&gt;</a></p>
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		<title>Sobre educação, alunos e professores</title>
		<link>http://www.eternoretorno.com/2009/09/05/sobre-educacao-alunos-e-professores/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 22:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[aforismos]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[sarcasmo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como seriam melhores as classes se juncadas de flores e folhas e não de varas sanguinolentas! Gostaria que fossem atapetadas de imagens da alegria, do júbilo, de Flora e das Graças (&#8230;) Onde esteja o proveito esteja também a diversão. Há que pôr açúcar nos alimentos úteis à criança e fel nos noviços. Montaigne, Michel. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Como seriam melhores as classes se juncadas de flores e folhas e não de varas sanguinolentas! Gostaria que fossem atapetadas de imagens da alegria, do júbilo, de Flora e das Graças (&#8230;) Onde esteja o proveito esteja também a diversão. Há que pôr açúcar nos alimentos úteis à criança e fel nos noviços. Montaigne, Michel. <em>Da educação das crianças</em> in <em>Ensaios I.</em></p></blockquote>
<p>Os acadêmicos não costumam falar com o sangue cultivado na existência, tomam cuidado com o que irão escrever e se mantém doutrinados o suficiente pela razão para não arriscar palavras de desespero, morte e horror. Seus escritos costumam ser previsíveis e reticentes.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Um artigo científico não deve ser contaminado com o humano que o escreve. Tudo deve ser feito da maneira mais impessoal possível, plastificado com normas e diretrizes; quando muito há um <em>nós </em>para dissociar o autor. A regra da impessoalidade se sustenta em uma crença: a de que não vamos nos misturar ao que será escrito, o sagrado da ciência não deve se contaminar com o humano. Artigos científicos devem ser isentos de metáforas, palavras brutas e frases que envergonham a razão, enfim, não deve ter vida. Deve-se ter em mente que quem ler irá entender exatamente o que, o como e os resultados do feito, por assim dizer: um néscio deve ser pensado como o leitor. Acredita-se que as palavras conseguem carregar o laboratório com toda sua artificialidade.</p>
<p align="center">*</p>
<p>O desenvolvimento de um artigo científico exige antes a coletânea de vários trechos de autores de renome na comunidade da área. Muitos universitários são especialistas no ofício de dar conexão entre esses vários trechos através de preposições, pronomes e, principalmente, tautologia. Antes é por regra e vaidade, e não por concordância de que não criamos pensamentos do nada.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Um título universitário não faz ninguém melhor nem pior. Num país onde a educação foi historicamente vilipendiada, costumam-se olhar as universidades como instituições nobres. Semestral ou anualmente o rebanho se agita por uma vaga cativa nesses lugares: quem tiver maior potencial para decorar está um passo a frente dos demais. A universidade não é uma instância sagrada capaz de beatificar todos os seres humanos: de lá podem sair solipsistas mesquinhos e medíocres como também pessoas capazes de aceitar as alteridades em todas as diferenças. Nada fundamenta que um artesão, um pescador, uma costureira ou um padeiro seja menos valorizado que um doutor.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>A tirania da educação começa antes na classificação: ensino superior! Superior em quê? &#8211; Para responder terão que convocar o leilão das coisas humanas e materiais onde a moeda é o critério <em>supra summun</em> de avaliação.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>Se um doutorando ou mestrando for indagado por uma banca examinadora sobre algo que não esteja contemplado em sua extensa e multilíngue bibliografia, algo que seja fora da teoria, como por exemplo, uma redação sobre <em>o dia do meu enterro </em>ou <em>os dias dos meus encantos, </em>poderá sofrer convulsões com tantos conceitos e pensamentos que não deixarão de ser um monte de palavras que irão desaguar em um silêncio sem graça esmagador.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Há professores universitários que vivem à custa de trabalhos e projetos realizados pelos seus fiéis escudeiros de pesquisa: há <em>a-lunos </em>que são peças de uma linha de montagem de artigos a serem publicados: em periódicos estrangeiros somam-se mais pontos. Há também professores que fazem dos seminários uma farsa para ficarem isentos de dar uma aula capaz de deixar o estudante em crise.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Não quero dizer que não devemos produzir nem ler artigos científicos. Nem que deixamos de fazer e usar a ciência. Mas também não estou dizendo que para algumas dezenas de artigos científicos o destino melhor não seria o fogo sucedido de sinceros pedidos de desculpas à biodiversidade pela poluição causada.</p>
<p><span id="more-2956"></span></p>
<p align="center">*</p>
<p>Não culpemos os universitários, os professores, os estudantes nem ninguém! Somos todos advindos de uma humanidade nefasta que não aprendeu a pensar, mas antes a aceitar o universal conceito da verdade como diretriz da ação e do pensamento.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Paremos de culpar as escolas como única responsável pela vulgar formação! Antes é uma questão de formação humana. A escola não é um Monte Olimpo desconexo da sociedade. Ela é feita por humanos que vivem em uma humanidade que mal acabou de sair das cavernas, acumularam um pouco de conhecimento e foram encenar uma grande peça cujo tema é a virtude de si mesmo, <em>Somos racionais! A razão é uma virtude!</em>, conclamaram. Só agora, após as luzes falharem, é que espantados começam a desconfiar, <em>Peraí, criamos um prêmio para nós mesmos, não somos tão maiorais assim!</em></p>
<p align="center">*</p>
<p>Nunca se viu tanta pusilanimidade, as ações entraram em coma profundo: anemia globalizada. Nunca se viu tantos anêmicos buscando por suas pilulazinhas de solução profissional, social, afetiva, enfim, de felicidade. Ora, é uma geração que vem de uma formação de disciplina do corpo e do pensamento, ensinados a aceitar e reproduzir o que lhes serviam em nome de ideais abstratos como idéia, razão, conhecimento e verdade: foram essas suas virtudes. Enredaram-se de tal forma nos cânones platônicos que agora não conseguem se locomover na vida com todo o seu caos, onde se morre, se perde, se erra, se desconhece, se&#8230; Não os culpem: homens e mulheres que muitas vezes fizeram o seu melhor, um dia foram crianças que levaram maçãs aos seus professores que lhes diziam para decorar os livros para poder provar, através da delinquência de uma prova ou de uma avaliação, de que não eram incompetentes. A inação em grande parte é reflexo dessa educação moralista e conformista.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Na linha de montagem escolar esqueceram-se do ser humano, um ser abandonado em um mundo e já condenado ao desaparecimento sem saber onde, como e qual o cenário em que isso acontecerá.</p>
<p align="center">*</p>
<p>As escolas engessaram o pensamento. Conventos da modernidade. Prisões da legalidade. É recente que existam algumas escolas onde professores e estudantes estão envolvidos em um processo produtivo (e não reprodutivo), de criação e conexão entre os vários saberes, onde o corpo se expressa junto com o pensamento. E o mais fundamental: são escolas que sabem que não têm respostas para tudo mas têm pessoas comprometidas com uma educação que vai além da formação para o mercado de trabalho e possibilitam o desenvolvimento de um pensamento que voa livremente.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Algumas escolas já falam de um jardim de flores com borboletas e pássaros que saudam a primavera e também de um inverno que pode secar todo o colorido. Falam de erros, de falta de respostas, de morte, de perdas, de lágrimas, de desespero, de raiva, de revolta e de um honesto <em>não sei!</em></p>
<p align="center">*</p>
<p>Costuma-se indagar: como será a geração que está sendo parida no meio da tecnociência, onde crianças de cinco anos já nascem plugadas em bandas largas e o pai enquanto está na sala usa o MSN para falar com a filha que está no quarto? Desse meio pode vir tanto pessoas que darão início a uma etapa mais avançada do pensamento como monstros para superar os bárbaros do passado: a internet em si não é a questão a ser negada ou afirmada. Mas antes é necessário ver que a esmagadora maioria das crianças, jovens e adultos do mundo ainda lutam para não morrer de fome ou para condições mais dignas de sobrevivência.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>Os técnicos da educação que interpelados por tais breves considerações aqui expostas, poderão atirar-me palavras como tijolos, <em>Diga-me então como deve ser a educação!, </em>não me façam rir. Eu não tenho a solução nem uma resposta com garantia, e reservo o deboche aos profetas da educação. Não sabemos, e por não sabermos a autoridade não pode vingar. Comece com um poema para falar de morte. Dramatize. Encene. Antes de reclamar visitas aos museus e às corporações, talvez os estudantes não saibam nem o que representa a estátua na praça da cidade em que habitam ou ainda não saibam nem como funciona a fábrica de costura da dona Maria que mora  na rua de cima da escola. Procure ares mais frescos, Edgar Morin, Rubem Alves, Paulo Freire&#8230;  misture, reflita, re-pense, dialogue com professores, estudantes, diretores e com a sociedade. Traga os afetos para a educação! Arrisque. Professor é tão aluno quanto professor, aluno é tão professor quanto aluno.</p>
<p align="center">*</p>
<p>As escolas deveriam privilegiar o desenvolvimento de um modo de pensar capaz de levar às últimas consequências o próprio pensamento. Desconfiar-se de si mesmo. Desconfiar dos doutores e dos especialistas. Desconfiar dos livros e da mídia. Um pensamento capaz de se autoalimentar e se quebrar a partir de si terá como necessidades a perpétua cri-ação e trans-formação.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>Enquanto a Arte não for indissociável e fundamental às escolas e universidades, teremos linhas de montagem para produção de material humano em períodos cada vez menores: conquistaremos enfim, o suicídio global.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 342px; width: 1px; height: 1px;"><strong><em>Supra summun</em></strong></div>
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