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Tabela de índice glicêmico dos alimentos

Conhecer os alimentos com baixo índice glicêmico e optar por eles é fundamental para darmos muito direcionamentos aos nossos objetivos, seja para perder gordura ou ganhar massa muscular.

Esse índice se refere na velocidade com que uma certa quantidade de carboidrato de determinado alimento pode elevar os níveis de glicose no sangue. Como nosso corpo não absorve nem digere o carboidrato na mesma velocidade com que é lançado no sangue, é importante conhecer estratégias de consumo do que representa a maior parte da nossa alimentação: os carboidratos. E assim direcionamos nossa alimentação, a base de tudo, para nossos objetivos no esporte, seja para definição ou ganho de massa muscular.

Basicamente as referências para os alimentos são:
alto índice glicêmico: maior 85
moderado índice glicêmico: entre 60 e 85
baixo índice glicêmico: menor que 60

A tabela abaixo oferece bons horizontes com o índice glicêmico de vários alimentos.

tabela-de-indice-glicemico

 

Fonte: CDOF >>

Carboidratos: essenciais para perder peso ou ganhar massa muscular

alimentos-com-carboidratosDe uns tempos para cá, na onda das dietas, de corpos magros – e não de um prazer com o próprio corpo, seja ele trabalhado ou não – os carboidratos foram ganhando fama de vilão na dieta.

Fundamentais para qualquer construção corporal, mais do que excluí-lo, convém conhecer pouco de como funciona o carboidrato e quais suas diferenças, pois nem todos carboidratos são vilões.

Cadeias de carbono e água, são suas formações que irão corresponder ao tipo do carboidrato. Divididos em grupos, simples e complexo, se subdividem, respectivamente em monossacarídeos e dissacarídeos e polissacarídeos formando cadeias diversas dos carboidratos complexos.

Seja para perder gordura, ganhar massa muscular e trabalhar as formas do corpo, eles são imprescindíveis. Perder peso não é igual a perder gordura – faço aqui a “correção” do título desse post -, e infelizmente as pessoas que buscam “perder peso” não se ligaram nessa simples questão. Perder peso é fácil, perde-se água e massa muscular rapidamente, mas a gordura não é fácil. Dietas que funcionam rapidamente implicam, necessariamente, em grande perda de massa muscular e água e pouca perda de gordura.

Focando na prática de musculação, os carboidratos devem constituir entre 60 a 70% de toda dieta, ao contrário do que costumam fazer, pensar que só a proteína garante o processo. Proteínas sequer são efetivas se não há energia suficiente, o que depende dos carboidratos, para serem processadas.

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Carl Sagan – Cosmos

Tão poucos cientistas, tão brilhantemente, falam do objetivo sem perder de vista o subjetivo, a vida e o homem, tal como Carl Sagan. E não muito raro, nos corredores acadêmicos, alguns físicos e astrônomos costumam se referir a Carl Sagan como “entusiasta” em um claro sentido pejorativo. Por certo devem ser os mesmos em busca da “Teoria do Tudo“.

(…) Existe uma sombria cadeia de causalidade. Os alemães trabalham na bomba no início da II Guerra Mundial. E os americanos tiveram que construí-la antes. Se os americanos tinham, os russos deviam ter também. Assim como os franceses, britânicos, chineses, indianos, paquistaneses. Muitas nações agora colecionam armas nucleares. São fáceis de fazer. Você pode roubar material fissionável de reatores nucleares. Armas nucleares quase se tornaram uma indústria arsenal caseira. As bombas convencionais da II Guerra Mundial foram chamadas de “arrasa quarteirão”. Abastecidas com 20 toneladas de TNT, poderiam destruir um quarteirão. Todas as bombas lançadas sobre todas as cidades da II Guerra Mundial, juntas somam cerca de 2 milhões de toneladas de TNT. Dois megatons. (…) Toda a morte que chovia do céu entre 1939 e 1945 é cerca de 100.000 “arrasa quarteirões”. Hoje, dois megatons é o equivalente a uma simples bomba termonuclear. Uma única bomba com a força destrutiva da II Guerra Mundial. Mas existem dezenas de milhares de armas nucleares. Os mísseis e bombardeiros da União Soviética e Estados Unidos têm suas cabeças guerreiras apontadas para cerca de 15 mil alvos. Nenhum lugar no planeta está salvo. A energia contida nessas armas, gênios da morte, pacientemente aguardando o esfregar da lâmpada, superam os 10 mil megatons. Mas com a destruição concentrada eficientemente não em seis anos, mas em poucas horas. Um “arrasa quarteirão” para cada família sobre o planeta. Uma II Guerra Mundial a cada segundo em uma tarde ociosa. A bomba que caiu sobre Hiroshima matou cerca de 70 mil pessoas. Em uma completa troca nuclear no ataque de morte global, o equivalente a um milhão de bombas de Hiroshima seriam jogadas em todo o mundo. Em uma troca como esta nem todos seriam mortos pela explosão, fogo e radiação imediata. Haveria outras inúmeras agonias: perdas dos entes queridos, legiões de queimados, cegos e mutilados, ausência de cuidados médicos, doenças, pragas, uma radiação de longa vida envenenando o solo e a água. A ameaça de tumores, natimortos e crianças malformadas. E o desespero de uma civilização destruída por nada. Saber que poderíamos ter prevenido mas não o fizemos. O equilíbrio global de terror liderado pelos Estados Unidos e a União Soviética, fez de reféns todos os seres vivos da Terra. (…) As instituições militares estão presas em algum horrível abraço mútuo. Um necessita do outro. Mas o equilíbro do terror é delicado, com pouca margem para erros, e o mundo empobrece a si mesmo gastando um trilhão de dólares por ano em preparações para a guerra. E empregando, talvez, metade dos cientistas e grandes tecnólogos do planeta em empreendmentos militares. Como poderíamos explicar tudo isso para um desinteressado observador extraterrestre? Que conta nós daríamos da administração do planeta Terra? Nós ouvimos as razões dadas pelas superpotências. Sabemos quem fala pelas nações. Mas quem fala pela espécie humana? Quem fala pela Terra? De uma perspectiva extraterrestre, nossa civilização global está claramente no limite do fracasso em uma das mais importantes tarefas: preservar a vida e o bem-estar dos cidadãos e o futuro habitável do planeta. (…) Nós somos um só planeta. (…)

[Vídeo] Cosmos, episódio 13. SAGAN, Carl. 1980

Religião científica?

Uma ciência sem filosofia não sabe o que fala, pois nunca pergunta a si mesma quem é o “sujeito” que se pergunta sobre aquilo que se quer conhecer. A ciência moderna abdicou para si um mundo erigido com estruturas platônico-socráticas e a partir daí criou um mundo falsamente ordenado pela lógica.

Enquanto a ciência não se fazer saber que postula simplesmente modelos explicativos de uma experiência muito mais original que o seu objeto, ela será caduca nela mesma. Ou através de Adorno: continuará o desencantamento do mundo, esterilizá-lo de vida e torná-lo denso de razão.

O “físico” quebra o encanto do pôr-do-sol, ele faz da sua experiência com o pôr-do-sol mera questão de posicionamento da Terra com o Sol, e elabora uma sentença: o sol não se põe, pois ele está sempre parado; assim ele aprendeu em algum livro de Astronomia. Mas o físico antes de dizer isso ele tem a sua experiência com o sol, um sol que se põe, que esquenta, que alegra, que floresce, que lhe afeta com sensações de mais quente ou mais frio… O físico só pode falar do sol como objeto de sua ciência antes de ter a experiência original com o sol, e esta é espontânea, intuitiva, pré-reflexiva.

Há um abismo incomensurável entre o mundo vivido e o objetivismo científico. O cientista pode até falar de certos movimentos faciais e labiais, da laringe, ondas sonoras e elementos fisicoquímicos para descrever um sorriso, mas ele só pode fazer isso porque antes experimentou o sorriso e tem um conhecimento pré-reflexivo da sua experiência com o sorrir.

Enquanto a ciência não aceitar a volta às próprias coisas como sobrepujante às suas leis continuará sufocando a vida – que comporta caos e multiplicidade – em um recipiente experimental onde a ordem e a hipótese travestida de verdade imperam.

Com a volta às próprias coisas entende-se o retorno ao mundo vivido, inclui o homem existente com suas muitas atitudes e vivências, que experiencia ser-no-mundo antes mesmo do “sujeito cognoscente”.

Essa experiência com o mundo vivido continua sendo caracterizada pela maior parte da ciência como subjetivismo e relativismo, como se o cientista se desligasse da sua subjetividade e relatividade, se colocando “fora do mundo”, para então olhar o “objeto” e torná-lo inteligível. Ora, é claro que as ciências positivas sabem o que falam, é tudo mais do mesmo, criaram um mundo altamente ordenado e experimental com leis e diretrizes básicas, como pode deixar de ser sabido o que é da ordem habitual? – Diante do caos ou de algo que não saiu como o planejado, então eis que surge o elemento novo que levará o cientista a dizer: descobrimos algo novo e de agora em diante tal formulação será… e re-formula sua teoria.

Sua experiência trouxe uma afetação diferente diante do que ele supôs conhecido, mas tampouco ele perceberá assim, dirá que foi o avanço do seu entendimento científico que o fez chegar ao novo resultado.

Não se pode querer substituir os significados do mundo vivido do homem singular pelo sistema de significados da ciência, isso é doutrinar para a fé científica. Não é a experiência científica que sustenta a experiência mais original, pelo contrário, parte-se do vivido para depois se enredar na reflexão.

O cientificismo é uma filosofia da experiência caduco de sua própria origem. O cientista que confunde o laboratório com o mundo não passa de um perigoso especialista, um sacerdote da modernidade.

É necessário antes desconfiar dos sistemas teóricos, e não querer corrigir a experiência do homem singular a partir da teoria, o que não implica necessariamente em fazer ecletismo.