Crítica às redes sociais – esboço

zumbis-teclando

Nas ruas, nos ônibus, nos bares, nas academias, nos clubes, nas praças… nos espaços públicos ou privados, muitos estão ocupados demais vivendo nas microtelas de um celular. Há um mundo ao redor que nem se dão conta, não se olham, não conversam, nem mesmo se espetam. Preocupados demais que estão com o marketing pessoal: sorrir nas fotos, ganhar aprovação, dizer o que estão consumindo, bebendo, se estão com frio ou calor. Não falam que estão trepando porque não trepam ou porque ofende demais a hipocrisia de todos contra todos. Não sentem nada diante do abandono, da humilhação e da miséria sempre do outro – estão ocupados a escrever que hoje é sexta no teclado virtual. Querem ser os primeiros no trânsito e nas filas, xingam quando o semáforo fecha e a vontade é de atropelar o pedestre que ainda não terminou de atravessar – conteúdos para contar na próxima atualização de status.

As redes sociais poderiam ser fatalmente espaços revolucionários, mas não têm sido mais do que espaços até mesmo mais apáticos – reproduzem os esteriótipos, os preconceitos, os racismos, o ódio, a lamúria, a inautenticidade… tudo em processos acelerados. A experiência com o tempo é devastadora: esperas e mais esperas frente a iminência de um novo pontinho – simbolicamente a espera de algo que faça alguma coisa para afastar o tédio, a angústia e o nada. Vidas esvaziadas e sem criação, preenchidas com bem-estares altamente voláteis mediante os índices de aprovação flutuantes na rede.

Para o consumo as redes são como points de orgias. Nada mais rentável do que um espaço onde a publicidade pode ser vertiginosamente acelerada de maneira gratuita ou com custos irrisórios frente a avalanche de reprodução de todos para com todos do que parece muitas vezes ser uma brincadeira.

A maneira como estamos fazendo funcionar as redes sociais e as tecnologias de comunicação, com todos os seus possíveis benefícios, têm algo que me salta aos olhos: tem contribuído – da maneira como está funcionando (repito) – para acentuar processos de subjetivação cada vez mais normopáticos, contrários às multiplicidades e às diferenças – diferenças e não opções possíveis de escolher no hall da moda -, favorecem aos inúmeros dispositivos de controle e a padronização de possibilidades de vida, afinal tudo que ali passa são modos de consumir e avaliar, de sentir e perceber, de pensar e raciocinar… de modos de vida.

O fascismo é sutil e faz parte da ordem do dia, a indiferença e a não implicação são assustadoramente crescentes – quase sufoca os poucos sonhadores que resistem encontrando suas brisas nas telas do mundo.

Muito ainda há de se provocar em relação aos processos de subjetivação frente às crescentes tecnologias de comunicação e interação (falsa interação?). Já fui mais otimista quanto a isso, não deixo de acreditar em movimentos de rupturas sempre possíveis e imprevisíveis, no entanto a cooptação dos modos de vida nesses espaços virtuais é também um fenômemo muito vigoroso e presente.

Comentário(s): 2

  1. Marcos Pereira

    o Facebook se tornou uma espaço pra divulgar coisas dos outros, sem criatividade e opiniões…ouvi dizer que os brasileiros acabaram com o orkut porque encheram de pornografia e bobagens, e o mesmo estão fazendo com o facebook, mas tenho esperança no google+ que estou participando, parece que se uma revolução politica começar mais ser ali
    abraços

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