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Dietas, Receitas e Cozinha dos Afetos

Adoro cozinhar. Mais que isso, a questão se passa em experimentar composições com alimentos. Na musculação aprendi que a alimentação é praticamente “tudo” na composição do físico associada ao exercício. Levei posteriormente para a filosofia e fui experimentando. Alimentos afetam o corpo, atuam sobre disposições, estados de espírito e de humor. Os gregos tinham razão mais uma vez: a ética grega tinha grande disposição para o que chamavam de dietética – prestavam atenção na composição não só dos alimentos, mas clima, lugares, temperatura etc, com o corpo. A dietética grega estava relacionada a estilos ou modos de vidas possíveis. 

Em tempo, faz se necessário dizer que essa posição em nada está alinhada com o que se constuma conceber hoje em dia como dieta, com a crescente espetacularização de certos alimentos como se fossem causas de benefícios e os gurus-charlatões com suas prescrições para se atingir inúmeros modelos de corpo e estados de espíritos.

Dieta é um processo, falar em alimentos como causas para algo é extremamente simplista, assim como as famigeradas tabelas de calorias e outras pontuações. Não se trata de apontar a dieta como uma prescrição ou roteiro para o que se anuncia como vida saudável, o que nao deixa de ser apenas mais uma composição moralista da nossa sociedade alucinada em consumir promessas de salvação em pequenas doses. Trata-se, antes de tudo, de uma experimentação dos alimentos com o próprio corpo e seus afetos, e não leva em consideração a dieta enquanto uma prática para se atingir um ideal de corpo sacramentado pelo campo social. 

Acredito também na prática de preparar nossos próprios alimentos enquanto uma resistência contra a indústria alimentícia que nos vende uma grande quantidade de mentiras e tóxicos a preços abusivos. Isso se evidencia quando aprendemos a ler não as tabelas de calorias, mas os ingredientes utilizados no alimento. Além de uma cartografia do viver, a cozinha enquanto um espaço de composições de vida!

Ora, a indústria alimentar, associada ao modo de vida dominante, nos fez acreditar que preparar nossa própria alimentação e dispensar cuidados para com isso é supérfluo quando temos fartas prateleiras de alimentos prontos para serem consumidos sem implicar em louças e sujeira na cozinha (só no planeta): e lamentavelmente somos cúmplices disso.

Ela não está interessada em vender comida, mas em vender produtos alimentares dotados muitas vezes de características personificantes, e para isso se utilizam de grandes quantidades de elementos químicos para que consigam dar texturas, cores e formas que satisfaçam. Por fim, cozinha é um lugar para composições, lugar para se inventar, lambuzar, bagunçar, enfim, sujar! Cozinha é lugar de vida acontecendo, e não mostruário de decoração de revista. Por aqui, a bagunça faz a minha própria decoração.

Feitas essas breves críticas de um assunto que poderia ser extensamente problematizado, mas que infelizmente tem sido feito apenas pelos gurus moralistas e vendedores de “qualidades de vida” que dão um viés completamente econômico e prescritivo à dieta, convido o leitor a começar a questionar o que come, a experimentar outras composições com comida de verdade (todos sabem o que é comida de verdade não?!) – e começar a desenvolver uma ausculta do corpo para perceber como ele se compõe com as práticas alimentares.

A questão está em experimentar. Experimentar o alimento e as composições que ele permite, para isso, um saber nutricional seria de grande valia, mas com o cuidado de não colocá-lo sob a lógica prescritiva da qualidade de vida, pelo contrário, fazê-lo funcionar a serviço da nossa própria vida.

Na foto, o que batizo como pão selvagem, um pão que nem Jesus Cristo fazia igual =)

100% artesanal, 100% integral e 200% delicioso. Tem sido a base das minhas refeições além das 3 principais (café, almoço e jantar).

Cozinhar é uma arte – tenho em casa uma cozinha dos afetos da qual sou apaixonado. Por aqui não tem nada de prato ou receita pronta, é um laboratório de composições alimentares dispostas para os afetos.

14 dicas para sua dieta funcionar

Abaixo algumas dicas, feitas em sentido inverso para representar os equívocos mais comuns de um processo de dieta, sem ordem de importância em relação à numeração, que podem te ajudar em um processo de dieta para perda de gordura – gordura mesmo, e não peso. No entanto, também serve para dietas hipercalóricas voltadas para atletas que desejam ganhar massa muscular. Limita-se a algumas dicas bem gerais, já que uma dieta é um processo muito individual. Daí que seguir essas dietas prontas encontradas por aí é um grande passo para  tender ao fracasso, além de ser custosas de seguir pois são compostas de alimentos que muitas vezes não diz respeito ao seu gosto ou não estão a sua disposição com facilidade e praticidade.

  1. Ter um ideal de corpo que não é seu. (Nossa cultura não valoriza o corpo como muitas vezes se costuma dizer, pelo contrário, valoriza ideais de corpo que não dizem respeito a nossa experimentação com o próprio corpo. Primeiro passo para uma dieta é pensá-la em relação ao seu corpo e não outro!)
  2. Ficar sem comer por um tempo superior a 3 horas. (Regra básica! O corpo precisa conciliar quantidade de alimentos em várias vezes ao dia. Há um gasto energético muito grande no processo de metabolismo, daí a importância fundamental de um metabolismo acelerado. Comer pouco ou muito poucas vezes ao dia, não respeitando o limite de 3h, faz com que o metabolismo seja lento e tende a acumular gorduras, pois precisa poupar energias já que você o mantém restrito à alimentação.)
  3. Deixar de praticar atividades físicas. (Você não precisa ser um esportista, mas deve ter algum hobby que movimente seu corpo, principalmente nos momentos iniciais para acelerar o processo de adequação do seu metabolismo acostumado a poupar energias. Uma atividade física, mesmo um treino pesado de musculação, gasta muito pouco em termos de calorias, mas a razão disso não é o gasto imediato, mas o processo de aceleração do metabolismo, em outros termos, uma dizer para ele gastar energia e não armazená-la.)
  4. Querer perder mais que 1kg por semana. (1kg está no limite máximo de gordura que um corpo humano costuma perder em uma semana seguindo rigorosamente uma dieta acompanhada de exercícios, mais que isso representa que você não está perdendo só gordura, mas massa muscular também.)
  5. Seguir dietas radicais que restringem carboidratos ou gorduras ou proteínas. (Esses três elementos são essenciais e devem estar balanceados, é possível que haja maior percentual de proteínas e isso facilitar muito, mas não deve ser exagerada.)
  6. A regra fundamental: gasto calórico maior que consumo diário = perda de gordura. (No entanto os valores são individuais e devem estar muito bem balanceados para perder gordura e não peso, daí a importância de uma avaliação nutricional.)
  7. Não saber cozinhar. (Isso não é desculpa, na internet se acha, exageradamente, até passo a passo para cozinhar um ovo! E não é possível perder gordura sem saber cozinhar, pois dificilmente você vai conseguir sucesso apenas com alimentos industrializados, se eles não têm excesso de gorduras vão ter carboidratos de baixa qualidade ou sódio em excesso.)
  8. Não saber ler os rótulos e ingredientes dos alimentos. (Incrível, mas a fiscalização brasileira sobre os dados que as empresas devem fornecer nos rótulos é muito limitada. Há muitos alimentos ditos “integrais” que na verdade são uma mistura de farinha de trigo integral com farinha de trigo fortificada com ferro e ácido fólico.)
  9. Fazer contas de gastos somente pelo número de calorias. (A caloria, somente, é um dado que não faz muito sentido se não for realizado em dinâmica com os outros elementos do alimento. Um alimento integral costuma ser mais calórico, no entanto é um carboidrato muito mais difícil de ser convertido em gordura por não dar picos de insulina – ver sobre índice glicêmico dos alimentos.)
  10. Não comer alimentos integrais. (Os carboidratos integrais são imprescindíveis para qualquer dieta, seja para ganho ou para perda pois estão diretamente relacionados com saciedade e velocidade com que são liberados no sangue, evitando grandes picos de insulina, um hormônio que ajuda a acumular gorduras, entre outras tantas funções.)
  11. Ter pouca abertura para experimentar alimentos diferentes. (Por incrível que pareça, mas a indústria alimentar modela muito da nossa atração pelos alimentos. Certamente que temos muitos alimentos que não gostamos, que sabor, textura, visual, odor não nos atraem e nos deixam com nojo, mas muitos deles não nos causam nada disso e nunca tivemos abertura para experimentá-los, muitas vezes nos surpreendemos com alimentos que até então não dávamos nenhum valor!)
  12. Não ter uma certa “logística” para deixar os alimentos já preparados, conhecimentos básicos de armazenamento e conservação. (Não adianta, se você não deixar preparado e ter uma certa adaptação de como se virar com tudo isso você não vai seguir a dieta corretamente; o recomendável é que você faça da atividade de cozinhar um hobby naqueles domingos que você não tem muito o que fazer, convide amigos, ligue o som e prepare para a semana inteira.)
  13. Não seguir a dieta. (Parece óbvio mas não é, muita gente “rouba” incluindo uns cafézinhos, bolachinhas, uma balinha para tirar o gosto ruim da boca…)
  14. Achar que dieta é muito difícil de fazer, exigindo alimentos que só nutricionistas conhecem e que você vai ter que ficar privado de muita coisa que gosta. (Se você tem esse infeliz pensamento é porque não conheceu um profissional realmente bom, pois dieta, pelo contrário, é um facilitador do seu dia-a-dia. Nós temos uma variedade riquíssima de alimentos que podemos usar e substituir sem perder qualidade, fáceis de encontrar e baratos. Até aquelas pessoas bem enjoadas para comer podem obter sucesso com uma dieta. A regra básica é – com bom senso, porque obviamente se você quiser montar uma dieta rica em gorduras e açúcares não vai dar certo mesmo – a dieta deve se adaptar ao seu estilo de vida e ser um facilitador, não o contrário. Um bom profissional deve ser capaz de conciliar essas questões.)

Parar de fumar com Bupropiona

parar-de-fumarCloridrato de bupropiona, bupropiona (BUP, Zyban, Wellbutrin) tem surgido como a principal oferta farmacológica para quem deseja parar de fumar. Tal medicamento é um antidepressivo, no entanto tem sido largamento utilizado para os dependentes da nicotina, embora não se saiba com exatidão sobre os mecanismos que agem no sentido de diminuir o vício do cigarro, muitos usuários relatam ter conseguido diminuir a dependência e até deixar de fumar.

Na forma de comprimidos, o medicamento é um inibidor relativamente seletivo da recaptação de dopamina e norepinefrina, exercendo efeito mínimo sobre a serotonina.

Também é utilizado como antidepressivo e, em menor escala, há relatos de pacientes que utilizam o mesmo para emagrecer, pois um dos vários efeitos colaterais é a inibição do apetite.

Embora não seja um medicamento de alto custo, o que não é novidade dentre a diversidade desses “produtos”, o mesmo tem ganhado fama por não diminuir a libido, efeito que costuma ser drástico entre muitos fármacos antidepressivos.

Em tempos onde o cigarro não mais exerce o fetiche que já exercera em épocas de Malboro, o fumante tem que se reaver com as novas concepções que vêm surgindo sobre o cigarro e o vício, entre elas a de doença. É na diversidade e complexidade de muitos fatores concorrendo que a bupropiona pode ser útil ou não para ajudar a abandonar o vício do cigarro.

Sobre proteínas e musculação – dieta protéica

  • Em média, um atleta interessado em ganho muscular deve consumir de 1.5 a 2g de proteínas por quilo. Isso representa uma quantidade difícil de conseguir apenas com alimentação. Supondo que você tenha 75kg de peso, isso representa cerca de 112g de proteína por dia considerando a média de 1.5g.
  • Não se ganha massa muscular – de verdade, não aquilo que você na Malhação – apenas com arroz e feijão. Suplementos são bem-vindos e úteis se usados com inteligência.
  • A primeira refeição é a mais fundamental para absorção dos nutrientes, portanto, não perca essa oportunidade comendo porcarias. Além dos carboidratos, reserve um shake de proteínas para o desjejum.
  • Logo após o treino, e por cerca de até 45 minutos, seu organismo também tem um bom potencial para absorção de nutrientes. Capriche: ingira carboidratos e proteínas.
  • Lembre-se, soja é proteína mas não é o “milagre protéico” como a mídia quer nos mostrar. Há muita fantasia na mídia sobre alimentos. Há níveis de valores protéicos, quanto maior o nível mais cadeias de aminoácidos possui a proteína e mais completa ela é. Do maior para o menor valor biológico, temos as proteínas de origem animal e depois de origem vegetal.
  • Alimentos naturais com graduações decrescente do valor biológico da proteína são: ovos (inteiro), leite de vaca, clara de ovo, peixes, carne vermelha, frango. Em seguida o arroz, feijão, soja, açaí…
  • Proteínas fabricadas em laboratórios com maior valor: whey protein (proteína do soro do leite) isolado, whey protein concentrado, caseína e proteína da soja.
  • Mais não é o melhor! Não cometa o erro de achar que comendo proteínas além do necessário vai facilitar o ganho muscular. Você tem rins e não duas usinas de filtragem de nutrientes.
  • Não gosta de carnes, ovos e leite (natural, em pó ou sua proteína processada em laboratório)?, então esqueça musculação e procure outro esporte.
  • Lembre-se, os suplementos são “suplementos”, literalmente. Eles devem complementar sua alimentação, sobretudo com proteínas; não cometa o erro de substituir refeições principais com shakes, energéticos, barras de cereais, géis protéicos, etc.
  • Não sabemos exatamente o que nosso organismo precisa, imaginamos que sabemos. Quando se diz que 1.5 a 2g de proteína são necessárias para ganho de massa muscular, leia-se: os atletas que praticam musculação, ao longo da história, têm conseguido bons ganhos com essas dosagens; sabemos ainda, que o excesso é altamente nocivo ao organismo. Use o bom senso, dê mais atenção ao seu corpo, atente-se a sua evolução e procure profissionais da saúde que poderão te ajudar. E nesse último item, desejo-lhe boa sorte. Com a difusão da mídia de casos isolados de jovens que usaram anabolizantes indiscriminadamente e foram a óbitos ou tiveram consequências graves, bem como a baixa valorização da musculação enquanto esporte no Brasil, são algumas das causas que levam a muitos preconceitos e uma miríade de informações, até mesmo de “profissionais”, pautadas em crenças e valores pessoais. Mas lembre-se, há profissionais muito sérios, e que sabem também olhar o esporte como uma arte, e poderão também usar os meios tecnológicos para ajudar a explorar e aumentar os seus potenciais.

proteinas

Musculação não é somente estética corporal. Musculação é diferente de fitness. Se você encara um supino odiando mas não deixa de fazer porque imagina que aquilo vai te deixar “sarado”, talvez você deva procurar cirurgia plástica. Musculação é arte e poesia escrito por mente e corpo.