Arquivos da categoria: Educação

Assuntos sobre Educação, Orientação Profissional (Vocacional) e desmistificação dos conformismos que alimentam as ideologias liberais.

Escola para quem e para que?

Desde pequeninas as crianças aprendem a respeitar as professoras, a assimilar as mínimas regras, o respeito aos superiores; aprendem a apreciar a higiene como sinônimo de saúde, a respeitar o colega como parceiro e eventual concorrente, a notabilizar o seu uniforme – chame-se ele farda, vestuário específico, ou simplesmente um jeito extravagante, lastimável, simplório ou displicente de usar e vestir. Aprendem a constituir seus pequenos ou grandes círculos de amizade que poderão se estender pela vida adulta, valorizando a moral ou freqüentando tribunais, celas, prisões, ou até mesmo surpreendidos pela morte.

A escola forma, formata e propicia a formatura. A escola é o espaço para a introjeção da disciplina, dos exercícios da obediência, da preparação para a vida imobilizada onde se aprende a aguardar a convocação para a participação, a omissão, a delação, o consentimento. A escola ensina responder a comandos; nela, estão entre os melhores alunos os que desde muito cedo se dispuseram a permanecer imóveis, para desta maneira extraírem benefícios, empregos, cargos: as esperadas recompensas aos aduladores. Sobre os corpos destes alunos não recairão os castigos físicos, mas os efeitos das técnicas de absorção do medo; em lugar do desacato e da rebeldia, a comprovação dos efeitos positivos da prevenção geral à sociedade: é seguindo regras e leis que se faz um bom cidadão. Mas bom cidadão para quem? Para ele mesmo?

Trecho retirado do artigo Educação e anarquia: abolir a escola. Edson Passetti. Acácio Augusto

Disponível em http://www.nu-sol.org/agora/pdf/passettiaugusto.pdf

Resultados do ENADE 2009

Os resultados do ENADE são múltiplos. Em síntese se resume na vergonha de algumas universidades (empresas) que pagam festas e viagens aos seus alunos que tiveram melhor desempenho, incentivam-os com bonificações, pagam “motivadores” para ficar no portão da escola para incentivar os estudantes de seus cursos e chegam até mesmo a preparar o estudante em “vestibulares para o ENADE”.

Quem paga essa miserabilidade educacional são os estudantes que saem do “ensino médio” e muitas vezes avalia uma faculdade através dos números que ela obtém no MEC. Esses números são excessivamente irreais, descompromissados com as particularidades de cada curso e as diferenças culturais entre as várias regiões do Brasil. Nesse processo de cima para baixo onde o Estado cada vez mais vendido compactua com os interesses dos neoliberais em fazer da educação também mais uma dimensão de negócio, totalmente desvinculada da arte e dos saberes filosóficos e científicos ao longo da história, privilegia-se a formação de especialistas e técnicos através de um ensino que se restringe muitas vezes na apresentação de um conjunto pequeno de conhecimentos técnicos e habilidades para passar ao aluno sem grandes interesses em mastigar o plano teórico para colocá-lo, se for preciso, em xeque com a vida concreta.

Se se quer números deve-se atentar também para os recentes dados da OIT e da UNESCO quanto aos salários dos professores, além de serem mal pagos têm que se virar com as condições materiais precárias de ensino e salas de aula lotadas. Ainda, ao professor universitário, muitos vivem na ditadura do Lattes, fazendo dos seus próprios estagiários mão de obra para publicações em revistas e livros; embora é certo que alguns resistem e não compactuam com uma educação meritocrática.

Aliás, convém deixar de lado as palavras quando o secretário da educação de São Paulo, Paulo Renato Souza, já deixou explicitada a função da educação através do seu pensamento quadrado.

Revoltamo-nos, logo, existimos, disse Camus: Resistamos!

Para entender como funciona o ENADE e o boicote

enade Historicamente os governos brasileiros parecem achar que educação é gerir “kits” com lápis, borracha e garantia de uma “merenda” de baixa qualidade e “enfiar” o indivíduo numa sala de aula sem se preocupar com condições sociais, culturais e econômicas mais amplas capazes de garantir uma vida minimamente digna.

Nas universidades públicas a situação não é muito diferente, embora a aparência é outra. Com escassas instituições de ensino superior o universitário se vê obrigado a se deslocar de sua cidade de origem e muitas vezes não lhe resta alternativa senão trabalhar e depois pensar nos seus estudos – quando assim consegue. Somam-se a isso as condições precárias de recursos material e humano em que se encontram muitas das universidades. Enquanto isso as “uni esquinas” proliferam a cada dia sem a mínima preocupação com o saber senão o ensino de habilidades técnicas básicas para formação de mão-de-obra barata.

Eis o progresso! A face macabra de um mundo cada vez mais instrumentalizado, racionalizado e econômico, e cada vez menos encantado e vivificante.

O boicote ao Enade é um ato político que, entre os vários motivos, encontra como principal fundamento a contestação [e revolta] de uma avaliação com interesses amplamente neoliberais que confluem para uma cada vez maior degradação das garantias a um ensino público de qualidade e condições dignas aos estudantes.

Baixe a cartilha abaixo caso você ainda não esteja por dentro de como funciona o Enade, divulgue e reflita. Pense! Boicote! Não sustente números que estatisticamente são capazes de dançar qualquer música.

Cartilha do Enade >>

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Educação na visão ingênua do secretário da educação em SP

A Revista Veja, uma dessas várias revistinhas de notícias vendidas, casadas e dissimuladas, e não de modo oficial mas assessora de imprensa do José Serra – e tucanos -, publicou (ou publicará) na edição 2136 de 28/10/2009 uma entrevista com Paulo Renato Souza, secretário da educação de São Paulo e ex-ministro da educação.

Não é uma boa mas necessária leitura. Trata-se de mais um conteúdo panfletário em oposição a USP e Unicamp do que qualquer conteúdo de política pública educacional responsável.

É evidente o quanto o secretário fala com sentimentos de “propriedade” e “certezas” sobre o que ele considera uma educação efetiva, que no fundo é uma visão de economista, sem nenhuma distinção entre escola e empresa. O Sr. Paulo apela à técnica, ao método, à razão e à objetividade, valores que ganharam maior força a partir do Iluminismo e por demais já provaram de que colapsos são capazes se tomados enquanto ideais de ordem, como critérios dignos de um sistema educacional, acusando toda a USP e a Unicamp de fazerem apologia às “ideologias” contrárias ao capitalismo, em específico o marxismo.

Certamente que há nas universidades, pessoas (alunos e professores) que se dizem marxistas mas que são mais próximos de radicalistas que não estão nenhum pouco abertos a outros pensamentos, por outro lado esta é uma minoria e não reflete nem mesmo os que trabalham na educação com um referencial respaldado pela pedagogia histórico-cultural.

Outra lamentável idéia do secretário é, com muita “autoridade”, dizer que a solução se dá através de um sistema meritocrático. Como se o sistema de produção em série que até em parte da economia já se tornou contestável pudesse com justiça ser aplicado na educação.

Ao dizer que a educação não privilegia a técnica, a razão e a objetividade, acusando-a de praticar ideologias teóricas, o secretário privilegia a formação de “cabeças” para o sistema de produção e demonstra sua total desqualificação para pensar em políticas públicas na educação, já que é indiscutível que um homem jamais se faz somente com objetividade.

É gravíssimo compreender que educação se gerencia como se gerencia uma empresa privada, ingenuidade ímpar pensar educação refletida pela economia. O secretário incorre na sua mesma acusação, não fica do lado de lá mas no de cá, radicalista pela mesma lógica: defender sua idéia como verdadeira para o sistema educacional.

Por outro lado temos que dar o crédito uma vez que, dentro da lógica predominante, isto é, a manutenção dos privilégios financeiros a uma classe dominante, o sistema educacional brasileiro é de extrema efetividade. E como funciona!

Enfim… é lamentável e afeta qualquer pessoa com um mínimo de responsabilidade social saber que no pensamento de um secretário da educação se passem idéias não mais ou menos consideráveis, mas seriamente graves, arcaicas e insuficientes.

Quem aguentar a leitura acesse a entrevista na íntegra >>