Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
A banda alemã Rammstein, já muito bem conhecida, está preparando um novo álbum, que por enquanto pretende se chamar Álbum 6. Ainda não tem data para lançamento.
De gênero industrial e eletrônico, Rammstein é uma banda que já ouvi desde sua fundação em 94, de tal modo que hoje já não me agrada muito, mas para quem não conhece, segue abaixo a faixa Morgenstern.
Fazendo uma pesquisa na net, por acaso, encontrei um excelente site mantido pelo Ministério da Cultura entre outras entidades: Programa Cultura e Pensamento. Estranhamente essas coisas não são divulgadas, ou meus parcos momentos em que estou de frente a uma TV não compreenderam algum tipo de divulgação desse material…
Segundo o site, o Programa Cultura e Pensamento tem como propósito:
(…) fortalecer espaços públicos de reflexão e diálogo em torno de temas relevantes da agenda contemporânea. Apóia o desenvolvimento de ações ligadas à circulação de idéias produzidas por intelectuais, artistas e pensadores da cultura, tornando-se uma plataforma para a difusão dessas idéias e a aproximação de seus atores. Pretende ser um fórum apto a produzir alternativas para o desenvolvimento cultural do país e capaz de agregar iniciativas que fortaleçam a esfera pública nacional.
Dei uma boa explorada no acervo do site e nas diversas categorias, encontrei muito material interessante em vídeo e áudio. Entre os autores, deixo como destaque os professores Franklin Leopoldo e Silva, Osvaldo Giacóia Júnior e Marilena Chauí.
Para conferir os materiais disponíveis, em textos, imagens ou áudios, acesse o link “Acervo” do site.
Revelarei o final da novela “Negócio da China”, ou melhor, trarei novamente a velha fórmula de revelação do óbvio.
Não se trata de prepotência da minha parte em desvendar o futuro, mas apenas assentar em palavras o que já se revelou por si só há muito tempo; entre as parafernálias da indústria cultural os folhetins de revelação estão sempre dispostos de modo claro e objetivo, embora o ofuscamento do mundo prometido quase sempre impede os desesperados pela felicidade tolhida à desejos.
Talvez, embora ainda seja cedo para afirmar, percebe-se que um novo ingrediente está sendo acrescentado às novelas: elementos de magia, do mundo fantástico, do sobrenatural. Não que seja um pleonasmo dizer que o mundo das novelas é um mundo fantástico, o que quero dizer é que, se antes o fantástico acontecia apenas entre os “humanos”, agora há elementos “não-humanos” que contracenam entre os simulacros.
Isso vem bem a calhar em circunstâncias de apatia social, onde no vale-tudo para encontrar um escape do cotidiano, os olhos encontram os do artista com poderes sobrenaturais e o telespectador se mantém em júbilo na fugaz ilusão do momento figurada em outro mundo.
Talvez ainda seja supérfluo dizer que da mesma forma que de Comunismo a China não tem nada, assim como nenhum outro país jamais o teve, salvo nos pensamentos lodosos e mofantes de certos colunistas da Revista Veja, assim também a novela Negócio da China é sobretudo um negócio do Brasil – ou do Capital se ao leitor não transparecer em redundância.
São interesses políticos e econômicos – para além de uma separação classificatória e identificatória de cada um deles – que confluem para um amplo mercado que se mostra com possibilidades de lograr lucros fáceis e “baratos”.
Antes que a conversa subverta o título desse post, se já não o fez, é necessário revelar o final – é necessário?
O novo herói saiu de algum desses desenhos de super-heróis forçados, que na minha ignorância de conhecê-lo por nome, chamo-o sem muita criatividade de simulador ocidental da cultura chinesa. Mais fácil entender se se solicita representação através dos filmes hollywoodianos com heróis chineses que através de gestos sobrenaturais derrotam civilizações inteiras.
Após derrotar o mal a recompensa vem na pureza da princesa que se mostrou uma boa moça, submissa aos conformismos sociais e que também, por isso, será recompensada com o corajoso e agora bem sucedido herói.
… esse negócio de ficar contando finais de novela está me cansando, um amontoado de palavras quando bastava usar da pragmática positivista e indicar a fórmula universal de novelas; basta substituir X por Y, ou A Favorita por Negócio da China >>
O homem parido na civilização não tem como fugir das peculiaridades advindas do seu meio e do contato com seus semelhantes. Uma dessas faces se apresenta sob a vasta teia daquilo que se chama conhecimento.
Aprenderá, então, a nomear, classificar, ordenar, identificar entre outras características de simbolização do mundo e das coisas que lhes apresentam. Pretensiosamente, o homem se abriga no mundo ideal como fuga do medo e do desconhecido. Exatamente como os seus antepassados faziam através dos mitos; assim como toda a história dos homens tem sido remontada dos mitos. Um já conhecido nome na qual se apresenta o mito é ciência, mas esta tem uma profunda reação negativa com os mitos; nega que sua lógica é também a lógica dos mitos: criar símbolos para o desconhecido, identificar e dar nomes de modo a poder agir de modo mais ou menos previsível.
Eis o homem: aquele que produz sígnos para agir sobre o mundo, e é subjugado pelas suas próprias criações. Agirá e pensará de acordo com as suas criações que de algum modo foram construídas ao longo da história dos homens. Ingenuamente, acreditará que o mundo é realmente aquilo que lhe aparece às suas limitadas percepções e dirá gloriosamente quão maravilhoso é viver numa época fértil em conhecimento!
Não conhecendo outro conhecimento, não resta alternativa senão acreditar que o mundo se enquadra no conhecimento historicamente acumulado. E ele dirá que aquilo é ou não é, que se trata de verdades ou mentiras, certos ou errados, de acordo com a disponibilidade de suas camisas de força que se apresentam na forma abstrata das idéias.
Não desconfia ele que seu próprio pensamento é produto do meio em que vive, das produções de sua época e de toda maquinaria cultural na qual está imerso. Desconhecedor de outras culturas, costuma chamar os que não se apresentam sob o modo peculiar de seu pensamento, de bárbaros ou irracionais. Bicho homem engraçado, europeu branco burguês, cunhou para si um termo racional chamado racional: um troféu dado pelo homem ao homem, como tantos outros.
Dominado por objetos por ele produzidos, por idéias já cristalizadas, por sistemas filosóficos e teóricos, este homem já não tem controle de si. Subjugado por idéias e objetos, jamais poderá atingir outro conhecimento senão aquele que lhe apraz pelo seu enredo, por toda trama fetichista e industrializada que desfila graciosamente pelos ares civilizados. Até o seu próprio corpo está subjugado às suas idéias: este não vê outra boa hora para defecar senão aquela em que está na tranqüilidade do seu lar. Ou o que diremos de toda nossa encenação e novela para conquistar um parceiro(a), escolhendo cada palavra, gesto e presente, na tentativa de obter acesso às delícias do sexo que também não escapa de estar sob o controle da técnica, da instrumentalização e da normatização burocrática das idéias.
Como nunca foi capacidade de nenhum bípede de massa encefálica considerável desvendar o real, restaram a muitos povos primitivos a pintar a vida como obra de arte, os helenos, até certa época, foram bons exemplos disso: a vida para os helenos era uma encenação teatral, que se sabia ser teatro.
A vida para os modernos é um teatro que se quer ser real. Esse homem, mesmo que muitos pós-modernistas, ou em outras palavras, mesmo que muitos palhaços postiços digam que vivemos em uma nova Era, um novo Mundo, este homem, apenas atordoado pelos contrastes advindos dos apocalípticos colapsos, que contrastam violentamente com a colorida e alegre idéia de progresso e humanidade, segue firme e forte em suas pretensões de desvendar as derradeiras fórmulas do desconhecido.
Creio ser fundamental deixar bem claro que a crítica ao homem civilizado não se trata de uma nostálgica vontade de voltar a andar sob quatro patas, como bem disse Voltaire a Rousseau. Convém ao homem saber o quanto é infinita sua ignorância, e quanto é finito o seu conhecimento. Sua ignorância é infinita até mesmo em relação ao finito conhecimento já produzido – finito este que se verte infinito ao se confrontar com o seu próprio criador: a vida é curta demais em relação a todas as páginas já escritas e arquivadas em livros.
Os livros! Eis uma grande produção do homem civilizado. Resta aprender também que seus conteúdos seriam aproveitados com menos guerra e sangue se o fossem para dar sentidos, perspectivas e interpretações ao mundo. Parece, no entanto, que se gosta muito de usá-los como se fossem os desvendadores do inaudito; para colocar etiquetas bem fixas às coisas, às pessoas, à Natureza e todas as dimensões cabíveis ao mundo das idéias.