Pensamentos – 01

Nós somos grandes construtores de mundos e situações para além do aqui e agora. É bom para sonhar e fantasiar, mas não tem sido por isso. Inventamos mundos, na maioria das vezes, construídos com má-fé e medo. O medo é sempre um mundo imaginado.

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A ditadura do sorriso esconde tantas outras belezas, tantas feições, bocas e olhares de doce maldade.

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“Todo Mundo” ou “Ninguém” é assim, faz isso ou aquilo, pensa dessa ou daquela maneira. O “Todo Mundo” e o “Ninguém” estão por toda parte, mas nunca nos apresentaram não é mesmo? Sabe quando se quer justificar algo, fazê-lo justificável e legítimo? Chamam logo o “Todo Mundo” e o “Ninguém”. “Todo Mundo” e “Ninguém” são os personagens favoritos que usamos para articular a própria má-fé ou inventar justificativas à própria razão.

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São pequenos detalhes que podem nos salvar no dia a dia. Não espere por uma revolução. Às vezes basta um olhar complacente, uma voz doce e suave para nos livrar de tanta maldade no mundo.

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Com a lucidez ou a ampliação de um conhecimento filosófico a chance de ficarmos com raiva do mundo aumenta exponencialmente, pois o que antes era legítimo, inocente ou natural passa a ser visto como produto de relações de forças que denunciam relações de dominante-dominado, enfim, dominação. Por outro lado, também é possível ampliar nossas possibilidades para enfrentar os poderes que aviltam a vida, experimentar uma maior liberdade de existir e com isso expandir nossa capacidade de sentir. A Filosofia – e também a Psicologia – não devem prometer que seremos mais felizes, mas que seremos capazes de sentir mais.

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Quem nunca teve grandes desilusões na vida? Uma paixão não correspondida pode trazer muito sofrimento, contudo, pode nos trazer grandes experiências, até mesmo nos transformar em filósofos, poetas, pintores, músicos. Os gregos antes de Sócrates sabiam bem do que a paixão era capaz. Desilusões? Dóem, e muito, mas podem nos levar a alçar voos nunca antes imaginados.

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A mídia é um elemento essencial para controlar, disciplinar e docilizar nossos corpos e almas. Despejar taxas de violência na sociedade, criando assim um estado de medo, faz a vida ser temida e desacreditada. Biopolítica para manter a carência dos afetos, a falta, a impotência. É necessário conhecer bem como funciona a maquinaria da informação global para não sermos escravizados pela notícia.

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Proibido? Que nada, isso é careta! Saímos da era da proibição para entrar na era do dever.

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As palavras escondem muitas relações. De escravos a servos, de servos a empregados, de empregados a colaboradores. Vão sendo trabalhadas pelo cinzel da exploração conforme o que se pretende passar. É verdade, o colaborador não está sob o chicote, ao menos aquele que é físico e ecoa seus silvos pelos ares.

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Foucault dizia que nossas instituições são de sequestro. Sequestram não para excluir, mas incluir. É importante manter as pessoas em programas de vida já instituídos. É em nome do bem que a família quer enclausurar o louco, será mesmo? As instituições sequestram nosso tempo e nossa energia, torna-nos dóceis dentro de nossas confortáveis salas equipadas com TVs grandes e brilhantes. É necessário ter cuidado com tudo que vem em nome do bem, afinal, bem para quem? Foi em nome do bem e do progresso que os índios foram dizimados pelos colonizadores.

A ordem do mundo tem sido tal, que…

kandinsky_gugg_0910_33A ordem do mundo tem sido tal…
Poder, dinheiro e reconhecimento social.
A imbecilidade do mundo tem sido tal…
Selfies, lugares e pratos recomendados pelo cheff para dizer o quanto se é importante.
O nojo de existir às vezes é tal…
Os mais ricos cabem em um ônibus de dois andares, a miséria perde-se em extensão e horror.

… tem sido tal que os sonhadores e os rebeldes têm que criar seus pequenos mundos para continuar sentindo o frescor da alegria, ainda que os tempos seja de sufocante tristeza. Eles costumam praticar alpinismo com o pensamento, pensam, ao invés de se contentar com o já pensando, e então, o que antes era tido como natural e legítimo passa a evidenciar terríveis relações de dominação. A lucidez provoca abalos existenciais, e essas almas se entristecem.

Essas almas, quando já venceram tantos e tantos cumes do pensamento, não se apaixonam por promessas de status social, mas se apaixonam pela dança das folhas secas quando os ventos cantam sob uma noite de tímida lua. Elas não se interessam por grandes carreiras e nem faz do dinheiro um sonho de vida, pois as coisas que lhe são mais valiosas não têm valor financeiro, como por exemplo, a capacidade de criar e sentir. Essas almas não estão em evidência, não frequentam programas de auditório e nem os lugares mais bem avaliados, por vezes não frequentam nem o próprio círculo familiar e costumam ser mal avaliadas pelo campo social, mas por conhecerem os podres poderes e a ordem do mundo como tal não se implicam com a implicância do outro.

As grandes dores dessas pessoas nada têm a ver com questões pessoais. Se o outro não o ama, isso é irrelevante. Se o vizinho não o cumprimenta, isso é irrelevante. Se o outro lhe corta a frente no trânsito isso é irrelevante para fazer discursos do quanto a culpa e o erro são sempre do outro. Essas almas não se entristecem com a queda das ações da Petrobrás, mas se entristecem com passarinho que está morrendo com o corpo encharcado de petróleo sem conseguir levantar voo. Seus incômodos se devem ao esmagamento diário da vida, a percepção de uma condição humana feita trapo e escravidão legitimada, as sutis e as escancaradas formas de dominação e violência em todas as áreas. E talvez, a dor maior, aquela de que tais condições têm se cristalizado como legítimas e naturais.

Às vezes é difícil demais, parecem tão a sós diante dos podres poderes do mundo que… E a ordem do mundo tem sido tal… E a imbecilidade do mundo tem sido tal… Tem sido tal que essas pessoas, para não serem dominadas pela tristeza, criam pequenos mundos com pedaços de poesia. São catadores de detalhes captados por olhares atentos à beleza que escapa em veios de terra dominada e guerreada, com isso criam artilharias e máquinas de guerra para continuarem sentindo a vida pulsando em um mundo de dominação. Essas pessoas fazem festa com música e sorriem aos próprios delírios. São capazes de se alegrar com pequenos detalhes. Um olhar e uma voz doce que se reencontra, o silêncio e a boca de quem se gosta, uma planta que cresce em vaso que fica em cima da pia e até com o sabor de água gelada em um dia de sol muito quente.

O fascismo do outro – e o nosso?

As minhas experiências em análise do caráter convenceram-me de que não existe um único indivíduo que não seja portador, na sua estrutura, de elementos do pensamento e do sentimento fascistas.

O fascismo como um movimento político distingue-se de outros partidos reacionários pelo fato de ser sustentado e defendido por massas humanas.

Estou plenamente consciente da enorme responsabilidade contida nestas afirmações. Desejaria, para bem deste mundo perturbado, que as massas trabalhadoras estivessem igualmente conscientes da sua responsabilidade pelo fascismo.

Psicologia de massas do fascismo – Wilhelm Reich